Mudar (não) é tão bom

mar 28

Mudar (não) é tão bom

É inevitável não deixar para trás muitas coisas e pessoas quando mudamos. Seja quando mudamos de casa, de emprego, de estilo de vida, de relacionamento, de pensamento ou de religião. Deixamos pra trás nossas pegadas, nossos momentos, nossos defeitos, nossas falhas, nossas conversas, nossos sonhos e nossa marca. Sim, porque todo mundo deixa sua marca por onde passa, seja para ou bem ou para o mal. Aliás, se for para passar despercebida, nem passe. Mas o que mais me dói em uma mudança, é que quando caminhamos numa direção diferente daquela que vínhamos seguindo, nós também somos deixados para trás. Somos substituídos (sim, todo mundo é substituível), outras pessoas assumem nossa antiga função, seja como namorada, nora, cunhada, analista de social media, voluntária de um abrigo, na aula de yoga ou em trocentos outros lugares. Por um lado, dou graças a Deus, pois ninguém tem que viver com um peso de ser essencial, já que isso tiraria nosso livre arbítrio de ir e vir, de ser a tal da metamorfose ambulante. Se não fôssemos substituídos, estaríamos condenados a viver eternamente na mesmice, presos a um lugar em que não queremos mais estar. E por outro lado, fico meio #chatiada. Acho que a grande sacada aqui é encontrar o meio termo. É ir sem abandonar, é entrar no novo sem deixar de fazer um carinho no velho. Mas, ao mesmo tempo, um novo namorado, sogra, emprego, trabalho voluntário e academia entram na nossa vida e nosso espaço no HD começa a ser preenchido.  Nesse momento, temos que deletar aquilo que realmente não nos pertence mais e manter só aquilo que conseguimos carregar desse ponto em diante. E sou péssima nisso! Embora eu tenha facilidade em fazer a limpa no meu guarda-roupa e doar até mesmo minha roupa preferida, não sei fazer isso com sentimentos e pessoas. Quero carregar todo mundo no meu mochilão e dar a volta ao mundo com todos nas minhas costas e coração. Só sei que sofro demais em qualquer processo de mudança. Não que eu não tenha curiosidade pelo novo, que eu não goste de desafios. Pelo contrário: eu amo a novidade! A questão é o desapego. Mas já aprendi a não pedir pra que Deus...

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O que o futuro nos reserva

mar 26

O que o futuro nos reserva

Outro dia me peguei recordando de uma brincadeira de infância. Daquelas bem de menininha em que a finalidade era tentar desvendar o futuro. Com quem eu iria me casar: Brad Pitt, Tom Cruise ou Leonardo Di Caprio? Quantos filhos eu teria? Em qual destino paradisíaco eu passaria a lua de mel? E minha profissão? Seria cantora, dançarina ou atriz? E qual super carro seria o meu? É claro que dei muitas risadas durante essas lembranças, mas uma coisa me assuntou. Nessa espécie de unidunitê do futuro, a única certeza que eu tinha é de que minha vida estaria “resolvida” aos 24 anos. No último dia 21 de março completei 28 primaveras, verões, outonos e invernos (nunca entendi a predileção pela estação das flores!). Sim, quatro anos a mais dos idealizados por mim enquanto criança. E pasmem: ainda não me casei, e olha que nem estou colocando como meta os ídolos de Hollywood, não tenho filhos, não comprei uma BMW, nunca fui pra Polinésia Francesa e minha profissão não envolve luxo, riqueza e glamour. Sou uma fracassada? Talvez. De verdade, é difícil fazer uma análise sobre o meu “desempenho” como pessoa. Mas, o que eu tenho refletido mais é sobre como nossas perspectivas mudam com o passar do tempo e diante das circunstâncias. Aos 10 anos, eu tinha plena certeza de que construiria uma família, que viveria numa casa com um belo jardim, com um marido perfeito e meus três, repito, três rebentos. Hoje, aos 28, eu nem sei se terei um namorado novamente. Pode parecer dramático demais, eu sei, mas meu atual cenário amoroso não me apresenta argumentos suficientemente fortes para provar o contrário. Além disso, será que eu sou mesmo aquela mulher que eu idealizava ser quando criança? Será que é nesse cenário que está minha felicidade? Hoje eu sou feliz. Mesmo sem um imóvel próprio, sem conhecer o mundo, sem o amor da minha vida. Plena? Não. Tenho que evoluir como pessoa em mil quesitos, tenho muitas pendências a quitar e não estou satisfeita em todos os campos da minha vida. Mas, sinto que estou no caminho certo. Que a cada dia, em cada pequeno passo, eu chego mais perto de ser uma pessoa realizada. E uma...

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Saber agradecer

mar 24

Saber agradecer

Em novembro do ano passado, achava que minha vida estava tão ruim, mas tão ruim, que tudo o que eu fazia para melhorá-la era reclamar. Muito trabalho, excesso de compromissos na pós, namorado me largou, amiga (ou aquela que eu pensava ser amiga) pegou o ex, saúde mais pra lá do que pra cá…. E como boa pobre-menina-rica, fui curar os meu problemas tomando bons drinks no Caribe. Fui para essa viagem porque era despedida de solteira de uma das minhas melhores amigas e, embora não estivesse em outro lugar se não ao lado dela neste momento, Cancun não teria sido minha primeira escolha para tirar uns dias off. Viu? Até sobre isso eu reclamei! Não precisei de muitas horas para entender que nada acontece por acaso. No primeiro sábado nas terras caribenhas, depois de um longo dia de sol, piscina, música e margueritas (foi difícil, viu? #sqn), fomos para uma noitada só de garotas: TRÊS baladas na mesma noite. O calor era algo tão surreal, que não havia fixador de maquiagem para segurar o blush. O cabelo, então, melhor nem comentar. O suor escorria pelas costas. Cara, a gente suava na bunda! Mas nós não nos sentimos mal nem por um segundo: éramos apenas apenas mais nove em meio à multidão de turistas dançando e curtido a noite inteira. E na real, quem é que precisa de make up num lugar onde as pessoas são bonitas e saudáveis porque são felizes e tomam sol? Chegamos de volta ao hotel às 5h da manhã (acreditem, aos quase 30 e com nosso espírito de um-barzinho-um-violão isso é uma vitória!) e, sem nem ao menos tomar banho (me julguem!), capotei na cama e elegi o ar-condicionado como a oitava maravilha do mundo. Foi então que minha adorada roomie perguntou para que horas deveríamos programar o despertador, já que a excursão para mergulhar com os golfinhos sairia às 07h30. Xinguei, mentalmente, todas as linhagens de golfinhos. Todas. Quando o despertador tocou uma hora depois, pensei em simplesmente fazer o que faço em muitas das manhãs da minha vida: desligar, ignorar, virar para o lado e voltar a dormir. Mas então meu anjo da guarda (só pode ter sido ele) assoprou no meu ouvido...

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Ela é toda toda

mar 21

Ela é toda toda

Há um ano saí da cansativa aula de pós-graduação e levei a Fernanda, minha então colega de classe, para casa. Era aniversário dela e, ao contrário de mim, ela não estava nem aí para a data. Insisti para que, nesse dia especial, ela não fosse embora de metrô e acabamos, nós duas, sentadas na mesa de um bar. Pedimos suco. Eu porque estava dirigindo; ela porque não estava no clima do álcool (sério: QUEM não está afim de uma cervejinha ao menos no dia do niver?!) Confesso que me senti numa cena de Malhação, sentada no já falecido Gigabyte e curtindo um suco natural com a galera. Mas era só uma singela maneira de não deixar a data passar em branco. Lembro bem desse dia porque foi justamente quando, sei lá porque já que nem éramos tão próximas, contei a ela sobre todo o meu drama amoroso. Ela, que ouvia a história pela primeira vez, afirmou categoricamente (como sempre faz, aliás): “Você ainda gosta dele”. Eu neguei. Poucos meses depois, eu e ele voltamos. É. Acho que foi quando descobri que ela já me conhecia melhor do que eu imaginava. Senti, então, que temos mesmo uma ligação, dessas que não dá para explicar. Descobri com o tempo que temos muitas afinidades. E ela se mostrou mais que uma amiga: foi minha parceira nas maiores roubadas e não me deixou na mão nem por um minuto. Ela é daquelas que compra sua briga, odeia quem te odeia e ama quem cuida de você. Ela fala as verdades na cara e tem o sorriso mais reconfortante do universo. Mas há um ano, a Fernanda não era ela. Não era loira, não ia para a balada todos os fins de semana e, provavelmente, ninguém no mundo dormia tanto quanto ela. Há um ano, ela passou o Carnaval sozinha e chorando em casa; e não era muito sociável: almoçava sozinha lendo livros no parque. Há um ano, ela não sorria com alegria e também não era sete quilos mais magra. Mas ela aprendeu a ser ela. A se valorizar, a se orgulhar de si mesma, a paquerar, a perder a linha na balada, com o dedinho na boca e descer até o chão curtindo...

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As pessoas – as que importam – ficam

mar 14

As pessoas – as que importam – ficam

Não somos amigas de infância. Não conhecemos nossas famílias, não frequentamos nossas casas, não saímos juntas todos os finais de semana. Não estávamos presentes nas vidas umas das outras desde sempre, mas eu não sei porquê, sei que agora é para sempre. Eu, Fernanda e Adriana criamos uma conexão que os poucos meses de convivência se tornaram uma vida de intimidade. A nossa ligação é tão profunda que somos capazes de nos sentir à distância. Em pouco menos de um ano, nós três nos unimos sem querer e aprendemos a nos confiar os nossos segredos mais íntimos, sem medo de ouvir a verdade. Entendemos que, com base no respeito e admiração que sentimos umas pelas outras, as nossas vidas eram Sem Critérios. Não tivemos medo de nos arriscar nessas novas amizades desconhecidas e nos confiamos nossos segredos mais sórdidos (não faça essa cara de espanto, caro leitor: todos temos segredinhos!!) Mas esse post é especial. Não é só para ficar falando o quanto nós três somos incríveis juntas AND separadas (SIM, nós somos, é #nossojeitinho =P), mas é para destacar que, embora essa amizade tenha surgido justamente pela convivência diária no trabalho, não é o fato de que isso não vai mais acontecer, que algo irá mudar em relação aquilo que construímos. Quando saí do meu primeiro emprego, uma amiga muito querida e uma profissional que sempre admirei muito me disse uma frase que nunca esqueci: “Não se preocupe, Talita: as pessoas – as que importam – ficam”. Essa amiga ficou. Elá é esposa do meu atual chefe e isso mostrou, mais uma vez, que o mundo é mesmo redondo. Hoje peço licença poética para usar a mesma frase para nossa querida Adriana, que está em busca de novos desafios profissionais. E que, muito embora não vá desfrutar do prazer da nossa convivência diária, está nos enchendo de orgulho por aceitar essa nova oportunidade que a vida está lhe dando, sem medo (mentira, ela tá se borrando de medo, vocês precisam ver!) de ser feliz. Quando a Dri começou a trabalhar conosco, fiquei impressionada com a capacidade dela de conquistar todas as equipes dos departamentos. Responsável, dedicada, inteligente e divertida, ela foi roubando um pouquinho do coração de cada...

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Feliz Dia da Mulher…ZZZzzzzZZZzzzZzz

mar 08

Feliz Dia da Mulher…ZZZzzzzZZZzzzZzz

Me cansa essa história de Feliz Dia Internacional da Mulher, cheio de flores, poesia e mimimi. As pessoas romanceiam demais essa data sem se ater aos detalhes históricos que levaram a criação desse dia. E muitas vezes sem perceber que essa data infeliz só existe por causa do machismo. O que eu realmente desejo nesse dia é que as mães ensinem seus filhos a lavar a própria louça e roupa, que a dupla jornada seja uma obrigação do casal, que os homens que abandonam seus filhos sejam penalizados legalmente (mesmo), que os ambientes de trabalho sejam livre de machismo (hahahhahahahhahahahaha), que as mulheres possam decidir a roupa que querem usar sem serem julgadas, que os matchs do Tinder não interfiram na autoestima feminina e que os fiu-fius sejam calados. Também desejo que as mulheres sejam menos duras com elas mesmas, pois não há júri mais severo do que o feminino. Somos as primeiras a apontar os “defeitos” físicos e comportamentais das nossas semelhantes, sem lembrar que ao fazermos isso, já estamos condenando a nossa própria geração e a das nossas filhas e netas. Que o sexo feminino tem prazer no sexo, sem trocar a sensibilidade dos seios por um par de silicones. Quanta ignorância ainda nos resta… Não esqueço também de parabenizar os homens que já sabem ser pais e mães, donos de lar, que realmente conseguem enxergar a mulher que está ao seu lado, que não traem quando a esposa engorda com um papinho de “instinto”, etc. E vamos combinar uma coisa, nem toda mulher é cheirosa, generosa, amável e louvável como dizem os posts no Facebook. Acordem! Adriana Santos, 34, é jornalista de formação e fofoqueira de coração. Leonina com muito orgulho e cheia de clichês óbvios, acredita no amor, não só o de homem e mulher, mas o amor que faz o mundo continuar...

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