Os meus 100 dias felizes

maio 22

Os meus 100 dias felizes

No dia 08 de fevereiro de 2014, influenciada pela boa energia de uma grande amiga, resolvi aceitar o desafio dos 100 Dias Felizes. Para quem não conhece, o projeto lança o desafio de fazer você encontrar 100 dias felizes na sua vida. O ideal é que sejam 100 felizes dias na sequência: um depois do outro, sem pular.   Para participar, é simples: basta fazer sua inscrição no site www.100happydays.com, anotar a data do início do desafio, escolher por qual rede social deseja compartilhar e, por fim, definir a hashtag dos seus 100 Happy Days. No meu caso, escolhi duas: #happytali (outra pessoa começou a usar também, então, acrescentei a #happytalic) e #feliztali. Falando assim, parece brincadeira de criança, né? Mas desafio é apelido. Talvez se fôssemos crianças, seria mais fácil achar a alegria em tudo. O problemas é que nós, adultos, temos essa mania insuportável de achar que a vida ruim, e para nós é sempre muito mais fácil enxergar o copo meio vazio. Segundo as informações do próprio site, 71% das pessoas que tentaram completar esse desafio falharam, citando a falta de tempo como principal razão. Essas pessoas simplesmente não tinham tempo para ser feliz. Mas será que nós temos esse tempo? O grande lance dos 100 Dias Felizes é, primeiro, o compromisso com você mesmo de levar isso até o fim, sem roubar dias felizes. E, principalmente, a habilidade de encontrar alguma coisa que tenha feito seu dia feliz. Porque uma coisa eu aprendi com esse desafio: por pior que seja seu dia, alguma coisa de bom ele tem. Meu primeiro dia foi numa visita à minha avó, no interior, onde ela vivia. Sim, vivia, no passado mesmo. Porque, quem diria, essa foi minha última visita a ela, pois no meu #day22, ela faleceu, aos 95 anos. E eu recebi a notícia no mesmo dia em que cheguei a Barcelona, na Espanha e, portanto, não pude participar dos rituais de despedida e, pior: estava longe da minha família, da minha mãe. A coisa difícil da ‘brincadeira’ tá exatamente aí: como transformar esse cenário todo, em um #happyday? E então você entende que a vida te dá mesmo os tais limões para você fazer a limonada. Porque se eu...

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Desejo a todas inimigas

maio 20

Desejo a todas inimigas

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Somos Todas Peludas

maio 19

Somos Todas Peludas

Essa semana circulou pela web uma mostra fotográfica de mulheres os com pelos ao natural, sem depilação. A ideia, do fotógrafo inglês Bem Hopper, era protestar contra os padrões de beleza das mulheres. Confesso que achei as imagens no mínimo esquisitas. Acho que nem lembrava mais (ou sabia) como é uma mulher ao natural, sem se depilar.  Estamos tão acostumadas com tudo lisinho, que o “natural” para as brasileiras é não ter pelos. Mas, deixando essa parte estética de lado, não foi exatamente isso o que me chamou a atenção. O interessante é que o que era para ser um protesto contra a indústria da beleza  virou um protesto contra as mulheres.  Protesto esse vindo de homens e mulheres. Os comentários dos leitores nos sites onde as matérias sobre o assunto foram publicadas me assustaram. Foi um linchamento virtual. Ao invés de debaterem o propósito da ação, o único foco foi: credo, que bando de mulherada porca, mal amadas, sapatonas, de mal com a vida e que merecem a solidão eterna. É incrível a superficialidade com que muita gente está disposta a julgar. A ignorância fica evidente nas redes sociais (e infelizmente fora delas também). Ninguém parou para pensar que mulheres e homens têm pelos. Ninguém quis analisar o porquê das mulheres “serem obrigadas” a se depilar e os homens não. Esse era o foco, e não se é belo ou não um suvacão peludo.   O ser humano muitas vezes é assim: raso e umbiguista (só olha para o próprio umbigo).  Acho que se aquelas mulheres das fotos estivessem presentes no meio de populares, teriam apanhando, com a justificativa de que precisam de “um corretivo” para virarem “mulheres de verdade”. E acho que foi com essa mesma superficialidade, burrice e falta de caráter que lincharam aquela mãe de família no Guarujá. Quem somos nós para apontar o dedo para um semelhante e julgá-lo de acordo com o nosso gosto. Que triste ver como as pessoas são egoístas, o quanto o pensar choca, e o tanto que ainda temos que evoluir para convivermos em sociedade.   E para quem quiser, aqui está o tal do ensaio peludinho.         Adriana Santos, 34, é jornalista de formação e...

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[Guest Post] Feijão

maio 16

[Guest Post] Feijão

Ele era exatamente o feijão dentro do pote de sorvete. Decepcionante! À primeira vista aquela embalagem enchia os olhos. A neve branquinha de gelo em volta da base te convencia, facilmente, que a salvação do seu calor e sede estava ali, ao seu alcance. Cuidadosa que era, ela não foi direto ao pote, contudo. Sabia que gelo demais também queimava os dedos. No entanto, isso não a impediu de imaginar quais sabores aquela caixa azul guardava. E por isso, deu a ele seu telefone. E conversaram. Por mensagens, é claro. As pessoas hoje em dia parecem temer a voz, pensava. De início, a coisa foi engraçada. Ela se divertia com as tentativas dele em elogiá-la das mais diversas maneiras. Todas elas previsíveis. Não porque ela achava que possuía mesmo aquelas qualidades, mas porque tinha certeza que ele seguia um manual de conquistas. Daqueles bem baratos e mal escritos. Ria por dentro – e às vezes por fora também, em gargalhadas reconfortantes – quando adivinhava em cheio a próxima frase feita que ele lançaria. Foi assim que desconfiou, pela primeira vez, da consistência daquela sobremesa. Mesmo assim deu corda. Afinal, ela poderia estar enganada. Uma pessoa tão instruída, inteligente, bem sucedida e (especialmente) charmosa, não podia ser de toda tola. Pode ser um jogo, concluiu. E se for um jogo, vou jogar também, resolveu.  Não tinha nada mais interessante para fazer naquele fim de ano… Ela, então, preparou as armas, mas deixou o campo livre.  É do tipo que observa primeiro, age depois. Ele se disse estrategista puro, mas mostrou ser do tipo ansioso, daquele que responde perguntas que não foram feitas e dá satisfações não pedidas. Ela calou-se mais que falou. Respondeu algumas poucas questões e ouviu algumas muitas histórias. Todas elas cheias de pronomes pessoais em primeira pessoa. E, dessa forma, conseguiu concluir que em casa de ferreiro, espeto é de pau. Ou santo de casa não faz milagres, nas palavras dela. Aos poucos, a ideia do regalo que regaria sua boca foi derretendo.  É quando se tira o sorvete do freezer, que se percebe sua real consistência (e qualidade!). E aquela ali era bem estranha… Sabendo mais que queria sobre as coisas que ele fez/faz/faria, ela quis...

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Posta banana num dia, espanca inocentes no outro

maio 07

Posta banana num dia, espanca inocentes no outro

Eu não sei quando foi exatamente que a humanidade voltou a agir sob o Código de Hamurabi. Sabe aquela coisa do ‘olho por olho, dente por dente’? Então. Para quem não acompanhou, uma mulher morreu nesta segunda-feira (05/05/14), no Guarujá, litoral paulista, após ser linchada e espancada dois dias antes, pelos moradores do bairro de Morrinhos, que ACHARAM (do verbo não ter certeza, sabe?) que ela era a suspeita de sequestrar duas crianças para fins de magia negra. De acordo com as notícias divulgadas sobre o assunto, a investigação policial aponta para o rumor como motivo do crime e afirma que não havia nenhum boletim de ocorrência sobre sequestro de menores na região. A informação da tal sequestradora que nem sabemos se realmente existe foi divulgada no Facebook, numa fanpage chamada ‘Guarujá Alerta‘. O boato, infundado e irresponsável, culminou na morte Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que – vejam só vocês! – não era a tal suspeita. Ela era apenas uma dona de casa comum, casada e mãe de duas filhas, uma de 12 anos e outra de um ano e meio. Os vídeos do linchamento público estão por aí  pipocando na timeline de todos nós, ou nos canais de televisão, que assistimos indignados à barbárie humana. Assistimos e pior: compartilhamos. As cenas são assustadoras: Fabiana foi amarrada, espancada e arrastada. Recebeu pauladas na cabeça sem nem conseguir reagir à atrocidade que estava vivendo. Ou, melhor dizendo, morrendo. Foi humilhada no meio de uma roda de pessoas comuns, como ela. E sabe o que mais me chamou atenção? O fato de algumas pessoas ao redor eram contrárias à ação do linchamento. UFA, né? #sóquenão. Porque essas pessoas foram passivas e, não só registraram esse ato de violência como fotos e vídeos, como ao invés de chamar a polícia ou tentar impedir esse absurdo de alguma maneira, acompanharam Fabiana, já desacordada, ao ser arrastada, literalmente, para o fim de sua vida. [Como isso aqui é um blog Sem Critérios, disponibilizo o link para quem quiser assistir. É só clicar aqui. Mas, sinceramente, não recomendo. As cenas são chocantes e não vejo sentido em dar audiência para isso. A escolha é de vocês, é claro.] Em fevereiro deste mesmo ano, um menino de...

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Amores vazios

maio 05

Amores vazios

Um dia você acorda e simplesmente cai a ficha: você percebe que aquilo que chamava de amor até a noite anterior, não passa de um vazio sem significado. Entende que aqueles beijos escondidos, as transas rapidinhas na madrugada dentro do carro, as mensagens secretas, tudo isso significa tanto quanto… nada.   Você passa a aceitar que é isso que vocês podem ter e ‘isso’ é melhor que nada. Pior: acredita fortemente que ‘isso’ é mais forte que todos os amores e que ‘isso’ fortalece os laços entre vocês. Você se conforma com a mentira que criou para enganar apenas você mesma, porque não tem coragem de dizer – e nem de ouvir – “Eu te amo” em voz alta. Porque talvez, se disser, torne-se realidade. E o amor assusta porque é verdadeiro. E você só se acostumou com a mentira. Você acaba deixando sua vida inteira passar, assistindo de longe as outras pessoas serem felizes de verdade: eles namoram, casam, têm filhos, viajam juntos, conquistam o mundo e compartilham isso com todos. E você participa disso de longe, como uma espectadora da sua própria vida que finge que é feliz guardando um falso amor escondido nas sombras. Você finge que acredita ser melhor que todas as outras porque só você tem a verdade por inteiro e porque o conhece como ninguém. Mas a verdade é que você não o tem. E um relacionamento não é via de mão única. O amor é construído a dois. E isso deixa você com a única verdade dessa história doentia: você não tem nada. Você nega para si mesma e para o mundo. Finge que nada está acontecendo e que tudo isso é normal. Afinal, quem é que precisa de rótulos, definições e compromissos reais? E, de repente, você entende que todo mundo precisa. Todos que querem ser respeitados e amados precisam. Todo mundo que quer estar numa relação de verdade e que não se importe em colocar “em um relacionamento sério com Fulano de Tal” no Facebook ou publicar fotos sem vergonha no Instagram. Porque a felicidade só é real quando compartilhada. E se você precisa esconder de todos e mentir para o mundo, incluindo sua família e amigos mais próximos… Bom,...

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