Vergonha de ser brasileira? Não, não…vergonha de ser humana

out 27

Vergonha de ser brasileira? Não, não…vergonha de ser humana

Ontem, acompanhei o resultado da eleição de olho na TV, no Twitter e no Facebook. Na TV, a realidade, no Twitter, a comédia, e no Facebook o horror…..e que horror, que nojo, que decepção. Racismo, preconceito, machismo, intolerância, ignorância…tudo junto e misturado. Pouquíssimas pessoas postaram argumentos realistas, respeitosos, políticos e econômicos. O que “bombou” foi dizer que nordestino é vagabundo, que a presidente é uma vadia, que quem votou no PT deve morrer na fila do SUS, que os paulistas trabalham para sustentar o Bolsa Familia de milhões de vagabundos….quanto ódio…ódio gratuito. Fiquei pensando em algumas pessoas aqui do trabalho, que me relataram o que é passar fome no sertão e que vieram do Nordeste para cá em busca de uma vida melhor. E que direito eles têm de fazer isso? Eu respondo: TODO! São trabalhadores, cuidam de suas famílias, estão sempre com o sorriso no rosto e, mesmo não tendo tudo que gostariam, sabe que estão bem melhores aqui…..e me magoou ver tanta gente julgando-os. Lembrei MUITO também de uma malina aí que amo demais e que veio pra Sampa estudar, trabalhar e ralar….ahhhh, como ralou..eu via quando ela mal tinha dinheiro para comer um lanche a noite….e ela venceu….e é o meu orgulho…..é um orgulho para São Paulo…pro Brasil…pro Mundo….pra Deus. Li também – de muita gente que foi tentar “uma vida melhor no exterior” – críticas ferrenhas sobre quem vem do Nordeste “tentar uma vida melhor aqui”. Oiiii??? Sério mesmo que vocês não percebem nenhuma semelhança em ambas as situações? E o pior é que não percebem. Também pensei muito no meu pai, que está esperando há mais de 1 ano para fazer uma cirurgia pelo SUS e na revolta que sentimos todos os dias por essa demora. Mas agradeci a Deus por que vamos conseguir juntar uma grana e pagar por essa cirurgia…mas e aqueles que não conseguem, merecem esse sofrimento? Não, não merecem. É muito triste ver familiares acompanhando seus doentes sem nem sequer ter onde dormir ou o que comer….e as pessoas acham mesmo que quem voltou no PT merece estar nessa situação? Vi muito machismo velado ao apelidarem a presidente de vadia, puta, vaca….ela pode ser má administradora e milhares de coisas,...

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Sinto falta do que nunca vivi

out 20

Sinto falta do que nunca vivi

Eu faço planos imaginários e sofro quando eles nunca acontecem. Isso já seria grave o bastante, mas meu caso tem um agravante: sofro com as lembranças daquilo que nunca aconteceu. Vou tentar explicar. Situação hipotética: um gatinho diz que vai me convidar para ir ao cinema. Pronto! Isso já é o suficiente para eu começar a imaginar como será o encontro. Que roupa vou usar, em qual cinema iremos estar, como serão nossos diálogos desde o instante em que ele me buscar em casa (sim, ele fará isso!), como vai me beijar durante o filme (sim, ele também fará isso!), o que faremos depois, quais os elogios mais carinhosos que ele vai me fazer, como irei sorrir meio tímida depois de cada um deles… O problema é que essa linda cabecinha sonhadora não conta com a possibilidade bem real de que… o gatinho não me convida para ir ao cinema. E todo esse lindo cenário criado não some simplesmente da minha cabeça e fim. Não, não. Eu sinto como se isso tudo já tivesse acontecido e, agora, virou apenas uma lembrança distante. Mas é uma lembrança que nunca existiu. É… O grande problema é a tal da expectativa. Essa grande filha da puta chamada expectativa. Não podemos projetar nos outros tudo aquilo que gostaríamos que acontecesse ou a maneira como desejaríamos que eles se comportassem. Não dá para levar a vida no futuro do pretérito. Sonhar é bom, claro. Mas os pés no chão ajudam a segurar a cabeça. E o coração. Quanto maior a expectativa, maior a decepção. Então, preciso aprender a viver um dia de cada vez, sem já decidir o que vai ser do amanhã. Esse meu jeito deixa a vida mais pesada. E tenho falado muito aqui sobre LEVEZA e PAZ DE ESPÍRITO. Acho que parar de achar que a minha vida real pode ser contada com reproduções de cenas de livros e filmes deve ajudar a encontrar esse caminho mais tranquilo. Porque projetar expectativas no outro é uma forma de desrespeito com ele e, principalmente, comigo mesma. E aprender a me respeitar é a lição número 1 dessa minha nova vida. Talita Camargo, 29 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive...

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Não parece, mas também sinto medo

out 13

Não parece, mas também sinto medo

Meus pais me criaram para enfrentar o mundo de frente e de cabeça erguida. E acredito que eles fizeram um bom trabalho. Acho engraçado quando alguma amiga diz que tem pavor de viajar de avião; ou de dirigir na estrada e à noite; ou que não vai ao cinema e viaja sozinha; ou que não fica na própria casa se não tiver companhia… A vida inteira eu encarei todas essas coisas: faço o que precisa ser feito e o que desejo fazer. Venho de uma família de muitas mulheres, todas elas grandes guerreiras e vencedoras. Então, no fundo, acho que aprendi que não há nada que não possa ser feito, desde que eu queira. E, especialmente, não há nada que um homem faça que eu não possa fazer. Porém, isso tem um preço. Porque, muitas vezes, passo a imagem de que não preciso de ninguém e que eu mesma me basto. Estou solteira há muitos anos e tenho associado um fato ao outro. Na verdade, aprendi a engolir os meus medos. Estou sempre pronta para enfrentar toda e qualquer situação, por mais dura que seja, e deixei que as pessoas se acostumassem com essa minha posição de mulher forte e dura na queda a tal ponto que acabei esquecendo de cuidar de mim e deixar florescer o meu lado afetivo. Tenho muito orgulho da mulher que me tornei e acho que tenho amadurecido muito, especialmente no último ano. Mas sinto que preciso baixar a guarda para o amor entrar na minha vida, porque não tenho medo de encarar o mundo, mas tenho tanto pavor de me envolver emocionalmente com alguém, que prefiro não arriscar. É o paradoxo da minha vida. Outro dia, assistindo ‘How I Met Your Mother‘, me identifiquei muito com a Robin. O Ted diz a ela: “Você não se faz necessária.” Por mais que pareça cruel, é real. A Robin resolve tudo, paga a conta do jantar, não precisa que a busquem em casa para sair, não espera que abram a porta do carro, vive para o trabalho e acha que pode cuidar o tempo todo de tudo e todos. Mas esquece de se deixar ser cuidada pelos outros, sejam amigos ou amantes. Sou dessas.  ...

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Uma vesícula, 11 pedras e kilos de peso nos ombros a menos

out 08

Uma vesícula, 11 pedras e kilos de peso nos ombros a menos

Tirar a vesícula tem seu lado bom…o de ter tempo para pensar durante a recuperação da cirurgia (ah, e também espero que menos dores e enjoos). Essa foi a minha conclusão após a cirurgia que fiz no dia 26/09. Graças a Deus tudo correu bem e a recuperação tem sido melhor do que eu esperava. Foram no total 10 dias de repouso e serão 45 dias sem fazer esforço físico. Fiquei 10 dias em casa, de boa na lagoa, aproveitando para cuidar do meu filho-cão Rudá, que estava com bronqueolíte e não saiu do meu lado o tempo todo. Meu namorado ficou morando em casa para cuidar de mim, já que minha família mora no interiorrrrr. Mas enquanto ele estava no trabalho me vi sozinha, sem poder fazer quase nada e me perguntava: cadê todo mundo que vinha nas festas que eu dava? Cadê aquelas pessoas que curtiram meu status no Facebook? Será que elas não sabem que aquilo lá é o mundo virtual e que as pessoas precisam de pessoas reais. Não que eu quisesse todo mundo no meu quarto, me vendo de cabelo oleoso e pijama zuado, até porque eu amo minha solidão, mas sei lá, me magoei um pouco, achei que as pessoas estão muito frias. Eu sei que as que realmente não podiam ir me ver, se preocuparam à distância, me ligaram ou mandaram mensagens todos os dias…e sou muito grata por isso <3. Minha grande amiga Tia Deise fez sopinha e foi me visitar diariamente, a sempre prestativa Tateana dava seus gritinhos para ver se eu estava bem e a sogra me encheu de frutinhas saudáveis….e isso ajudou na minha recuperação, sem dúvida nenhuma. Mas, como minha Sindrome de Culpa Crônica nunca me abandona, refleti que estou colhendo o que plantei. Em geral, visito meus amigos e familiares muito menos (ou quase nada) do que gostaria, em partes pela correria do dia dia, pelos compromissos no final de semana e por preguiça. Mas, ao mesmo tempo, me senti aliviada, pois estamos todos (ou quase todos) no mesmo barco. Além de 11 pedras e uma vesícula, tirei um enorme peso dos meus ombros ao perceber que eu não sou a única “ocupada” nessa vida e...

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No avião

out 06

No avião

Já contei aqui que gosto muito de viajar. E, grande parte dessas viagens, depende desse incrível meio de transporte chamado avião. Nunca tive medo de andar de avião (aliás, nunca entendi muito bem esse termo ‘andar de avião’. Como é que se anda no ar?). Não sei se é porque estou acostumada a fazer isso desde pequena, ou se é porque meus pais me criaram para não ter medo de enfrentar o mundo. Talvez um pouco de cada. Mas o fato é que não entro em pânico, não me desespero, não me sinto mal, não tomo remédios para apagar durante o voo, não tenho chiliques. Mas também não sou a maior entusiasta. Acho chato, apertado, incômodo. Fora a burocracia de check in, filas, peso de bagagens etc etc etc. Não tenho grandes empolgações, não fico super animada… E, apesar de adorar o clima de aeroporto, os dias de viagens são dias mortos, porque é preciso chegar cada vez mais cedo, com horas e horas antes do embarque, para não correr o risco de perder o voo. Para mim, viajar de avião é apenas um meio de se chegar onde eu desejo. É uma espécie de mal necessário. Mas confesso que tenho minhas superstições: sempre piso na aeronave com o pé direito, e na hora da decolagem e do pouso, sempre cravo os dois pés no chão e rezo um Pai Nosso. Além disso, faço o trajeto todo com cinto de segurança, independente do aviso de ‘apertar os cintos’. Detesto turbulências (alguém gosta?) não só porque a ideia de que algo pode estar errado e um acidente pode acontecer, mas porque corro o risco de me sentir mal, com tonturas e náuseas. Uma vez, quase chegando em Nova York, resolvi usar o toalete, logo após servirem o café da manhã. Quando estava escovando os dentes, o avião entrou numa rápida turbulência e senti ele descer bruscamente. Eu voei longe na minúscula cabine do banheiro. Bati cabeça, fiquei com hematomas no braço e quase devolvi o desjejum. Não foi nada agradável. Também me irrito toda vez que viajo com as infinitas informações dadas pelo comandante e pela movimentação dos comissários: depois de toda excitação do embarque, muito se engana quem acha...

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Crônica de um coração fechado para visitas

out 01

Crônica de um coração fechado para visitas

Não esperava ninguém quando a campainha tocou. Mesmo sem saber se devia abrir a porta, recebi a visita desconhecida com todo afeto e educação. Ela não decepcionou e adentrou minha casa trazendo flores e bombons. Como boa anfitriã, ofereci um café e a convidei para sentar. A visita, gentil que só ela, me encheu de elogios e galanteios. Passamos a tarde rindo e conversando sobre a vida. Ao nos despedirmos, convidei-a a voltar quando quisesse. E assim fez. Durante semanas. Passamos excelentes dias, eu com as portas da minha casa completamente abertas para ela. Até que um dia ela mudou a sua rota habitual. Depois, começou a andar apressada sem tempo para uma visita qualquer. Resolvi encostar o portão, e quando notei que nem mais um telefonema recebia, tranquei a porta novamente. Passou o tempo e uma nova visita apareceu. Como de costume, a recebi de braços abertos. Já tinha me refeito da desilusão que a visita anterior causou em mim. Doce e atenciosa, ela passou a frequentar o meu canto tão íntimo. Mas, como na história passada, não durou muito para que passasse a visitar outras freguesias. Na terceira vez fui mais reticente ao ouvir as palmas de alguém a me chamar. Mas, teimosa que sou, abri. Não convidei para entrar de cara. Conversamos uns dias pela janela. Ao sentir confiança, resolvi arriscar. Lá estava mais uma visita sentada no meu sofá, assistindo minha televisão e comendo minha comida. Pouco tempo depois ela sumiu. Triste e resignada, troquei as chaves de casa, comprei cadeados e antes que minha campainha tocasse novamente coloquei o seguinte aviso no quintal: “Não bata. Neste coração não entra mais visita.” Fernanda Barreira, 28 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra ver! Leia mais do que Fernanda escreveu O vai e vem das amizades Minhas férias A arte do...

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