O Brasil não é o pior lugar do mundo

nov 03

O Brasil não é o pior lugar do mundo

Pela primeira vez, desde que completei 16 anos de idade, eu não exerci o meu direito de votar em uma eleição. E por mais que tenha sido um alívio, já que eu estava com muitas dúvidas em relação ao meu voto, sinto que falhei com o País e com a democracia, que valorizo tanto. Vejo muitas pessoas reclamando da obrigatoriedade do voto, mas sendo um dever ou não, ainda assim, é um exercício de cidadania e admiro isso, pois não posso, sequer, pensar em um modelo de governo tirano ou autoritário. Ser livre para fazer escolhas, mesmo que elas não sejam validadas, é importante. Como já contei por aqui, estou morando por alguns meses em Roma, onde estudo italiano. Na minha sala, há um casal de venezuelanos, a Helena e o Roberto. Durante os exercícios de conversação, descobri que ambos vieram para cá buscando a sensação de liberdade que eles não têm em Caracas, cidade onde vivem e capital do país. Quando falávamos sobre segurança, comentei que São Paulo era uma cidade com altos índices de violência e, antes mesmo de eu explicar, ambos me interromperam contando que Caracas é a segunda cidade mais violenta do mundo. Dessa forma, eles, que são jovens de vinte e poucos anos, como eu e todos os meus amigos; não podem ter vida social. “Nos raros momentos em que saímos à noite, devemos permanecer no local até amanhecer, porque é um pouco menos perigoso andar durante o dia”, contou Helena, que é formada em audiovisual, mas não exerce a profissão, porque não há emprego e não se paga bem, o que a obrigou a trabalhar como uma espécie de assistente pessoal do presidente de uma grande empresa. “Não temos vida por lá”, disse Roberto, que com avós italianos, tem a cidadania europeia e vai buscar alguma oportunidade por aqui, depois que finalizar o curso, dentro de dois meses. Helena também contou que a situação é tão grave, que existe o câmbio de produtos alimentícios entre parentes e amigos. Por exemplo, se a mãe dela vai ao mercado e encontra leite, compra em quantidade suficiente para poder trocar com a sogra, irmã, cunhada; que por suas vezes, encontraram frango, pão ou qualquer outro produto,...

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