Eu te perdoo

maio 30

Eu te perdoo

Depois de todos esses anos, eu aprendi a te perdoar. Você não me pediu perdão, mas eu te perdoo mesmo assim… Perdoo você por todas as vezes que você mentiu. Por todas as traições. Por todas as vezes que você não me quis por perto. Pela aquela festa que você me convidou e beijou outra – qualquer uma – só para me machucar. Eu te perdoo por todas as lágrimas choradas, por todas as humilhações sofridas. Está perdoado pelas ligações não atendidas, mensagens ignoradas e por aquele fim de semana no sítio, só nós dois, que nunca aconteceu. Perdoo você pelos meus aniversários perdidos, pela minha formatura que você não foi, pelas minhas vitórias que você não comemorou. E, também, por todos os grandes momentos da sua vida que só podiam ser celebrados às escondidas. Eu perdoo aqueles beijos tentados, mas não dados naquela balada secreta que só nós dois sabíamos. Perdoo o dia em que você me procurou pela primeira vez e, também, por quando me afastou pela primeira vez. Perdoo o dia em que você se arrependeu pela primeira vez e voltou para a minha vida. E por todas as vezes depois disso que você terminou para sempre comigo e voltou para nunca mais ir embora da minha vida. Você me transformou no seu ioiô do amor, mas eu te perdoo mesmo assim. Aliás, está perdoado também pelos vários sumiços repentinos e sem explicação. Pelos filmes que não assistimos juntos, pelos livros que nunca leremos e pelos destinos que jamais visitaremos. Perdoo você por não ter me apoiado a realizar o sonho da minha vida, por não ter acreditado em mim quando eu mais precisei e por nunca mais ter voltado quando eu voltei. Perdoo a sua falta de tempo e a sua habilidade de nunca me deixar fazer parte da sua vida. Perdoo você ter me escondido dos seus amigos, familiares e conhecidos. Perdoo a sua falta de coragem de assumir que me amou tão quanto, ou até mais, do que um dia eu te amei. Eu te perdoo por ter sido a outra por tantas vezes;  por nunca ter sido a única; e por ter sido a verdadeira mulher da sua vida, com quem você nunca...

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Pelo direito de ser mulher

maio 26

Pelo direito de ser mulher

Na cerimônia de premiação do Oscar em 2015, a vencedora do prêmio de atriz coadjuvante, Patricia Arquette, usou o momento de seu discurso para alertar sobre discriminação salarial (e outros pontos) entre homens e mulheres na indústria cinematográfica e no mundo. O assunto abriu pauta pro debate e, um amigo querido, bonito e inteligente fez um post em seu Facebook criticando o mimimi da mulherada que estava apoiando a atriz. Nos comentários, uma enxurrada de frases machistas e misóginas da pior qualidade, escritas por outros amigos queridos, bonitos e inteligentes. E naquele post começou a guerra entre eles e nós, as amigas que simplesmente não se conformavam que o machismo estava ali, no pensamento, na fala e nas atitudes daqueles que nos são tão próximos. Foi então que uma das meninas tomou a iniciativa de criar um grupo fechado para as mulheres não só levarem a discussão adiante, mas poderem compartilhar suas histórias, seus lamentos, seus sofrimentos diários por… serem mulheres. O grupo, que começou com menos de dez integrantes, hoje conta com mais de 90 mulheres, que convidam sempre um membro novo para ajudar a enriquecer o debate. Tenho muito orgulho desse nosso pequeno ponto de apoio. Nele, podemos comentar o que quisermos, sem medo do julgamento. Nele, aprendemos todos os dias que, em muitas situações, nós mulheres também temos comportamento machistas. Lá, debatemos o que podemos mudar no nosso comportamento e na nossa relação com os outros para transformar este, num mundo melhor para as mulheres. Porém, por mais de uma vez já nos questionamos se não somos apenas dezenas de ativistas de internet, vivendo numa bolha, e deixando tudo como efetivamente sempre esteve. Mas, no fim, estamos fazendo bem umas para as outras. E isso já é muito mais do que o o mundo inteiro tem feito por cada uma de nós, mulheres. Mas hoje, com a notícia de que 33 homens estupraram uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro e publicaram na Internet imagens do estado dela pós-ataque, com comentários irônicos; eu tive que sair do nosso grupo. Tive que dar a cara a bater e provocar o debate, porque nós não podemos nos calar. Não importa se ela estava drogada. Se é...

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