A síndrome do “Always the bridesmaid, never the bride”

jul 07

A síndrome do “Always the bridesmaid, never the bride”

Eu nunca tinha ouvido essa expressão, que é o título de uma série de livros e que no bom português significa “sempre a madrinha, nunca a noiva”. Até que uma amiga disse que estava cansada disso e eu não pude me identificar mais.

As pessoas costumam fazer piadas de mim por conta da quantidade insana de casamentos em que fui nos últimos anos. Em minha defesa, sei como é difícil fazer uma lista de convidados e, por isso, tento sempre comparecer e aproveitar o momento com os noivos, amigos e famílias. Além do mais, quem é que não curte uma boa festa né? E, também, confesso que me sinto querida, por nunca estar de fora destes grandes dias.

O problema não é ir em mais de dez festas de casamentos por ano e viajar o Brasil e o Mundo para não perder nenhum evento. O lance é que eu sou sempre a amiga solteira, desacompanhada e que nunca encontra o amor da vida em nenhum desses casamentos. Muito pelo contrário: cada vez mais os convidados são casados e as opções mais e mais restritas. E por muito – tipo MUITO- tempo, achei mesmo que o problema era eu e, talvez em partes ainda seja.
Mas a real é que está muito difícil de se relacionar de verdade.

Eu não estou falando de curtir a vida de solteira, entrar no modo balada e pegação: isso é fácil, especialmente sendo mulher, sejamos realistas. O lance aqui não é com quantos caras vou para a cama ou beijo na boca; eu estou falando de conexão real, comprometimento, envolvimento. Falo de sentimentos, de conhecer o outro de verdade e não só no contatinho booty call.

Talvez eu esteja ficando velha e ainda tenha fixado em mim a imagem Conto de Fadas da Disney sobre finais felizes, mas a verdade é que não vejo sentido algum em investir tempo em alguém que já deixou claro desde o início que só quer curtição: já amadureci o bastante para entender que isso não é uma coisa que muda e, por mais machista que seja- e é- comecei este blog afirmando que “quando o homem quer ele corre atrás” e hoje, anos depois, mantenho essa afirmação, com o diferencial de que eu não espero mais que ele vá mudar de opinião: simplesmente não vai.

 

Mas nada disso muda o fato de que estou bem de saco cheio de sempre ser a madrinha, nunca a noiva.

Mentir que não gostaria de encontrar um cara legal, com quem o afeto e o cuidado fossem recíprocos e a química forte, que fosse amigo e amante , que partilhasse dos ideais, que dividisse os sonhos… Bom, isso seria mentir para mim mesma. E muito embora eu já tenha estabelecido uma vida de mulher independente e possa seguir sozinha, eu não quero.

É um pouco complicado publicar um texto deste, me expor deste jeito, me abrir publicamente. Mas percebi que todas as mulheres heteronotmativas solteiras da minha idade, do meu círculo social ao menos, padecem das mesmas questões: os homens não querem compromisso, os relacionamentos se reduzem a sexo por conveniência, não podemos nos aproximar demais, não devemos criar expectativas… Blablabla.
Aí eu pergunto: como é que a gente constrói uma relação real com alguém com quem não podemos nos envolver? Não consigo entender esse raciocínio.

Lembro de uma vez, há alguns anos, quando conheci um cara muito legal, que claramente estava interessado em mim, mas demorei a dar abertura porque era em um momento da minha vida em que toda bagagem que eu carregava ainda era muito pesada. Mas fomos nos conhecendo pouco a pouco, dia a dia, semana a semana. Eu fui dando abertura, fui deixando a coisa acontecer naturalmente, para cair no clichê… Aí, já passado algum tempo, no meio de uma festa muito boa, em que nos divertimos muito e que celebrava o encerramento de uma grande etapa em nossas vidas, nos beijamos. Foi mágico! Aqueles segundos em que o tempo para, em que os sininhos tocam, em que as estrelas brilham. Ao fim da noite, estávamos seguindo juntos para casa quando ele me beija no meio da rua, me abraça e diz num sorriso encantador: “Só não vai ser apaixonar, hein?” Fui para casa sozinha aquela noite. Sozinha e de coração partido: eu já estava apaixonada, era tarde demais.

Para mim, essa relação tinha sido construída nos detalhes, nas piada sem graça dele, nas caminhadas de horas que eram acompanhadas pelas conversas infinitas, pelas confidências, pelos porres, por cada por do sol que vimos juntos. E eu não me arrependo de nada: mil vezes voltar pra casa com o coração partido do que impedindo ele de pulsar. Mas como me pedir para eu não me apaixonar? Como pedir que alguém não sinta o que está sentindo? Como viver sem isso? Essa dor de amor passou no verão seguinte e a vida seguiu como tantas outras vezes. Mas me ofendeu a ideia de alguém querer me impedir de amar. Achei isso de uma arrogância, de um descuidado sem tamanho.

Deixem as pessoas amarem e sofrerem de amor: que mal há nisso? Ninguém disse que você é obrigado a corresponder, mas não pode impedir de deixar alguém tentar ser feliz no amor.

E é exatamente isso que estamos vivendo agora: a era dos relacionamentos em que é proibido se apaixonar, sob pena de ser ridicularizado com uma plaquinha de: “eu avisei!”. Pode não dar certo, pode ser que machuque… Mas precisa ACONTECER. Não dá para se manter no escuro fingindo normalidade em só transar ocasionalmente com a pessoa com quem você realmente gosta. A gente precisa de mais enquanto sociedade, é preciso aprofundar as camadas, deixar a dor vir e o amor florescer.

Não me entendam mal: não tenho nada contra sexo de ocasião, pelo puro tesão, aquela uma única vez e nada mais. É uma delícia e pura diversão! Recomendo, inclusive! Mas eu não quero viver apenas disso. É pouco, é vazio e é superficial.

Eu quero mais que isso!

Sei que muitas pessoas vão me achar conservadora e quase platônica ao ler esse desabafo. Tudo bem, eu não me importo. Afinal, todas as histórias de amor devem ser ridículas. E se não são ridículas, não são histórias de amor.

E eu? Eu quero mais é ser ridícula.

Talita Camargo, 36 anos

Libriana, apaixonada de alma transparente, louca alucinada e meio inconsequente, um caso complicado de se entender.
Minha vida é um grande romance de trilhas sonoras e meu caminho é de pensamentos positivos. Sempre!

@ta_camargo   |   facebook_iconTalita Camargo

 

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2 comments

  1. Adriana /

    Tali, como você é precisa nas suas palavras, nos seus relatos. Eu já vivi isso e sei que atualmente o “pega mas não se apega” está mais cruel ainda. Te acho uma mulherona da porra em vir aqui assumir seus sonhos e suas frustrações. Mas, o mais inesperado, seria eu ter me transformado numa pessoa que casa pessoas -logo eu, uma pessimista – vivo do amor. E muitas das histórias que os passos levam até ao altar são semelhantes ás suas…e SIM, o final feliz existe. Não desista de acreditar no amor, minha amiga. Porque só um trouxa não te amaria…e se um trouxa você não precisa.

    • Talita Camargo /

      Você, como sempre, precisa nos conselhos. Muito obrigada por sempre me lembrar de não desistir do amor <3

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