Amores platônicos

jun 06

Amores platônicos

Nunca fui o tipo de mulher que coleciona ídolos.

Quando criança, eu gostava do antigo grupo Polegar e o Rafael Ilha era, na minha visão de sete anos de idade, o homem mais bonito que eu já tinha visto em toda a minha vida (o que já demonstrava desde cedo a minha habilidade de escolher os homens errados, mas não vamos focar nisso).

 

Depois tive um crush pelo Zequinha, do Castelo Ra-Tim-Bum e lembro de ter ficado muito feliz ao conhecê-lo pessoalmente em um evento do lançamento do livro da série, pela Companhia das Letrinhas, realizado no Museu da Casa Brasileira. Eram centenas de crianças histéricas e eu tive o privilégio de conseguir a foto e o autógrafo. Mas só.

Nem mesmo na adolescência… Lembro de que minhas amigas tinham adoração pelos Backstreet Boys e companhia e, embora curtisse as boy bands do momento e achasse que o Kevin fosse de longe o mais incrível de todos eles, eu não fazia o estilo ‘poster na parede do quarto e capas de fichários com fotos da Capricho’.

Quando todas as minhas amigas amavam o Leonardo Di Caprio e choravam sua morte trágica em Titanic, eu pouco me importava com aquele mocinho magrelo e loiro-sem-graça. Nunca quis casar com nenhum jogador de futebol; nunca quis abandonar minha vida para fugir em turnê com nenhum cantor ou banda famosa (muito embora o Bon Jovi pudesse me fazer passar alguns meses na estrada); e nunca achei que deveria viver em Hollywood para o Tom Cruise me salvar, quem sabe, de um atropelamento acidental que pudesse ocorrer justo quando ele estivesse passando ao meu lado.

Veja bem, caro leitor, longe de mim fingir que não agarraria o Brad Pitt caso tivesse a oportunidade. É claro que o faria. Só quero dizer que nunca soube ser fã de ninguém. Bom, não sabia. Porque foi só crescer e virar mulher, adulta, gente grande, pessoa que não deveria ter mais tempo ou idade para se apaixonar por famosos para… acontecer!

Eu e a Fernanda Barreira, minha amiga e co-autora deste blog,  vivemos de uma paixão platônica pelos intelectuais de quem devoramos o conteúdo semanalmente (ou diariamente se contarmos a nossa habilidade de stlakear que nem sabíamos que tínhamos). Ao invés de acamparmos na porta de um show semanas antes do evento para conseguirmos um lugar na primeira fila, acordamos felizes na segunda-feira porque é dia de coluna nova do Gregorio Duvivier. Trocamos o Netflix à noite porque é dia de João Vicente no ‘Papo de Segunda‘, no Canal GNT. Nossos domingos não começam antes de ler o Antonio Prata e o  Fábio Porchat. E não, não conseguimos nos decidir por amar mais um do que o outro: consumimos todos em altas doses, porque a falta de algum deles nos causa crises de abstinência. Sérias!

E o nosso amor só cresce a cada dia. Em março desde ano, a Fernanda completou 30 anos e sabe o que eu dei de presente a ela: um ingresso de primeira fileira para assistir ‘Portátil’, o espetáculo de improviso do Greg e do João. Sim, apelidamos eles com todo o grau de intimidade que já criamos.

 

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Gregorio Duvivier e João Vicente ao final do espetáculo ‘Portátil’, em São Paulo. Foto: Talita Camargo.

Nós acompanhamos suas carreiras, devoramos seus conteúdos, incorporamos seus estilos de vidas nas nossas vidas, participamos de suas vidas pessoas por meio das redes sociais, vibramos com suas conquistas, sofremos suas perdas… O post do João Vicente sobre a morte de sua avó encheu nossos olhos de lágrimas. A turnê europeia do Gregorio encheu a gente de orgulho. As férias do Fábio nos fizeram mudar o destino das nossas próximas férias…

Quando eu e a Fê estávamos cursando a nossa pós-graduação, tínhamos uma atividade em grupo que precisava de uma nome. Adivinhem? O nosso grupo se chamava PRATA, em homenagem ao nosso querido Antonio. Tem vídeos do Porta dos Fundos que assistimos tantas vezes, que decoramos o texto.

É… nós viramos fãs: pela primeira vez na vida, nós viramos fãs. O que nos faz ser um tanto quanto ridículas, sabemos. Porque né… Temos 30 anos!

Mas e daí? Nós ainda assim sonhamos com o dia em que poderemos conhecê-los pessoalmente. Mas não ficaremos satisfeitas com uma fotinho e autógrafo. Não. A gente  quer fazer parte disso tudo: queremos ir jantar com eles, viajar com eles, sentar no bar para tomar cerveja e trocar uma ideia sobre política e futebol com eles.

Recentemente, um conhecido que é bem de direita me falou que eu era a única amiga no Facebook dele que compartilhava textos do Gregório e que ele ainda não havia excluído e nem bloqueado. Respondi que se era algum tipo de ameaça, que era bom ele repensar, porque eu não precisava nem pensar duas vezes. Não há dúvida dentro de mim: aonde que já se viu ter que escolher entre ele – ou qualquer um – e o Gregório. Amigo, é o GREG! Causa ganha desde o início, sinto muito!

Escolhemos mil vezes o Gregório. Escolhemos mil vezes o Fábio. Escolhemos mil vezes o João. Escolhemos mil vezes o Antonio Prata.

amorplatonico2Porque depois de adultas é que entendemos que, para nós, a idolatria vai além de ser Colírio da Capricho.
Achamos os caras gatos bonito? Sim, achamos.
Damos muito importância a isso? Não, não damos.

O fato é nós nos apaixonamos por ídolos intelectuais, que têm uma visão de mundo parecida com a nossa, que tem um olhar sobre o ser humano que condiz com o nosso.
Porque aos 30 anos, temos coragem de assumir que um rostinho fica mais bonito com aquilo que vem dentro da cabeça. Efinalmente nos libertamos da obrigação social de gostar daquilo que todo mundo gosta.

Por isso, vamos continuar esperando pelo dia em que poderemos conhecê-los – todos – pessoalmente. E sem vergonha nenhuma de fazer um post neste blog para assumir isso.

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Fernanda e Talita, esperando os amores platônicos.

 

Talita Camargo, 30 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!

 

Fernanda Barreira, 30 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra ver!

Leia mais do que Talita e Fernanda escreveram:

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