Eu tenho o direito de não aguentar mais?

maio 17

Eu tenho o direito de não aguentar mais?

Eu não aguento mais ter que aguentar. Tô beeem de saco cheio de respeitar todas as medidas de segurança sanitária: usar máscara, lavar as mãos por 20 segundos diversas vezes, passar álcool gel frequentemente, higienizar compras, usar as mesmas roupas, não sair de casa exceto para atividades necessárias, não encontrar meus amigos e familiares, não sair para bares, restaurantes e, especialmente, não viajar (essa parte me incomoda muito). Mas todas as vezes que penso em surtar e jogar todas essas diretrizes para o alto e simplesmente passar a ser uma pessoa irresponsável com a Covid-19, com a população, com a vida… bate uma culpa cristã que não sei explicar, afinal, sou ou não sou uma privilegiadinha? Sério. Tenho casa, comida, seguro saúde. Tenho condições de ficar em casa. Tenho internet, Netflix e Amazon Prime. Posso cozinhar, posso pedir comida. Tenho uma empresa que obviamente perdeu faturamento, mas segue sobrevivendo dia a dia. Tenho salário. Todos os meus amigos e familiares encontram-se em segurança e saudáveis. Também tenho sessões semanais de terapia e tenho este blog, que é um exercício terapêutico e tanto. Tenho tantos livros que nem cabem no apartamento. E aí eu pergunto: como posso reclamar da vida, em um momento em que há um vírus que, até o presente momento, já infectou mais de 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo e matou mais de 300 mil? Shame on you, Talita. Pare. Agradeça. Continue. É que é muito complicado esse conflito entre o privilégio de estar em segurança, mas ainda assim sentir-se cansado de tudo isso, né? Como lidar com este tal de novo normal e não achar estranho e sentir falta do antigo normal? Ou pelo menos desejar que o novo normal seja apenas o normal, ou seja, que todo mundo já tenha se adaptado à realidade e simplesmente seja o nosso dia a dia? É que essa fase de adaptação é exaustiva: exige muito de todos nós, seja física ou emocionalmente. E sim, estou num lugar de privilégio e meu #whitepeopleproblem é não saber quando poderei entrar em um avião de novo e viajar por este mundão. Eu sei que além das mortes e complicações causadas pelo vírus em si, existem pessoas que não...

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Guarda-roupa da Covid-19

maio 16

Guarda-roupa da Covid-19

Em tempos de pandemia e isolamento social, pergunto: vocês têm trocado de roupa com que frequência? Por aqui, decidi dividir meu guarda roupa em roupas da Covid e outras roupas para serem usadas quando retomarmos alguma normalidade: é o sapato-do-corona, a calça-do-corona, a brusinha-do-corona… Veja, se preciso sair de casa, os programas são os mesmos: supermercado, farmácia, acompanhar minha mãe em seu tratamento médico, ir ao escritório separar pedidos para envio aos clientes, Correios para postar os pedidos. É uma rotina em looping e realmente não vejo sentido em investir na aparência pessoal e vestimentas para isso. Alguns poderão dizer que isso é auto-cuidado, que não posso abandonar o cuidar de mim e blábláblá. Mas as blogueiras de moda que me desculpem (e nada MESMO contra elas, sigo várias inclusive), mas look do dia, outfit of the day, dicas de make e tudo mais, simplesmente não fazem sentido para mim. Não neste momento. Looks para ficar em casa? Roupa para fazer video call? Make para meetings online? Ai gente… sério? Até porque, quanto mais roupa sujar, mais roupa para lavar né? E tenho trabalhado tanto, que estou tentando economizar atividades domésticas desnecessárias. E cuidar da roupa nunca foi de minha predileção neste lista de afazeres. Agora então… menos ainda! O fato é que eu estou alternando meus dias entre três calças, cinco blusas e um único sapato, alternados entre si e devidamente lavados e higienizados, mas giram em looping e sim, parece que estou sempre com a mesma roupa, mas não me importo. Antes de entrarmos em isolamento, era para eu ter ido pela primeira vez a Londres. E, na sequência, faria uma grande viagem em família para a Itália (piada, eu sei).  Então, investi em calças, botas, malhas e casacos: tudo novinho para desbravar as terras europeias que ainda estavam gélidas. Agora seria a hora de retomar estas roupas nunca utilizadas, mas eu simplesmente não vejo sentido. Cheguei a levar a questão para a sessão de terapia, mas Anna, minha adorável psicóloga, riu comigo e disse que posso dar importância ou não às roupas ou a qualquer outra questão que faça ou não sentido para mim, neste momento e para o resto da minha vida. E se a terapeuta...

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A sociedade do ‘Sem tempo, irmão’

out 25

A sociedade do ‘Sem tempo, irmão’

Há algumas semanas decidi seriamente que voltaria a escrever neste bloco. Desenhei uma programação de temas e possíveis pautas, imaginei diversos textos na minha cabeça e… simplesmente deixei de lado. O ritmo de trabalho insano de trabalho tem me consumido num nível que, quando tenho algum tempo livre, tudo o que quero fazer é… nada!  Não tenho tido forças físicas de ir à academia, encontrar os amigos e escrever no blog. No início de agosto uma amiga me escreveu querendo tomar um café e bater um papo. Até hoje não marcamos. É ridículo, né? Para dar conta de tudo o que quero fazer, preciso me utilizar daquele famoso tempo ‘enquanto faço uma coisa, consigo fazer outra’, tipo: para deixar em dia meus podcasts preferidos, preciso escutá-los enquanto tomo banho ou lavo louça. Para encontrar os amigos, marco próximo a algum lugar onde já tenho reuniões agendadas. Para ler um livro, me uso dos tempos em salas de espera ou quando possível, manicures. De maneira geral, essa é a regra: a gente faz o que dá para ser feito no tempo hábil disponível, certo? Talvez não pareça tão grave e talvez nem seja mesmo. Mas a real é que essa não é a minha essência. E eu me peguei pensando: quando foi que o urgente ganhou mais espaço do que o importante na minha vida? Meu primeiro chefe me ensinou que quando tudo é urgente, nada é urgente. Por isso precisamos priorizar e realmente entender o que precisa ser resolvido e o que podemos deixar para resolver mais tarde. Achei uma baita lição! Tento aplicar no dia a dia profissional desde então, mas o segredo é que esta é uma boa dica para a vida pessoal. É impossível dar conta de tudo, mas nós – especialmente mulheres – não fomos educadas para não dar conta de tudo. Temos que dominar o mundo e ainda ser lindas e magras. É pesado. É denso. Não é fácil. Não é leve. O grande problema é que eu sou leve, sempre fui. E esse antagonismo de sensações tem sido muito complicado para mim. Acabei de retornar de uma semana na Alemanha, onde visitei a maior e principal feira de livros do mundo: ganhei um prêmio e...

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Entretenimento de pura reflexão

jul 28

Entretenimento de pura reflexão

Em pleno ano de 2019, quase de 2020, se tem uma coisa que ninguém pode reclamar é da facilidade de acesso a conteúdos de entretenimento. As plataformas de streaming de leitura, de áudio e visual, em versões pagas ou gratuitas, estão aí nos smartphones de quase todos nós. Filmes, séries, músicas, vídeos, podcasts, livros, audiolivros… Tem opção para todos os gostos, nos mais diversos formatos e idiomas. Mas uma coisa que eu cobro muito de mim mesma é de não ter um constante entretenimento pela pura diversão. Vejam: essa sou eu, não julgo ninguém, que fique claro. É um compromisso comigo mesma. E acho bem curioso quando sou pega de surpresa em algum conteúdo que achava que seria só um passatempo e, de repente, tem toda uma profundidade da coisa. Lembro de quando li a trilogia ‘Jogos Vorazes’, de Suzanne Collins. Fiquei impressionada com a crítica social escancarada que a saga trazia por detrás do triângulo amoroso dos protagonistas. Os meus romances preferidos são os que trazem a história como pano de fundo (e deixo aqui a dica de que John Boyne sabe fazer isso com uma maestria invejável). Sou uma devoradora de biografias. Quando assisti La Casa de Papel, não imagina a luta social como real causa de um grupo de ladrões na Casa da Moeda. Como muitos de vocês sabem, eu vivo minha vida dos e nos livros, e por conta dos anos de experiência e de vivência, sempre afirmo que ninguém descobriu a fórmula do best-seller, mas que todo mundo já entendeu que o que as pessoas gostam mesmo é de uma boa história. Não é a toa que os storytellers estão bombando por aí. Aliás, Fábio Porchat estreia nesta semana (06/08), um novo programa no canal pago GNT que terá justamente histórias como tema central. O ponto é que nem só de histórias idealizadas e de ficção se vive. E são justamente as histórias reais que causam o maior impacto, que ajudam a transformar as pessoas e o mundo, porque também são as histórias reais que inspiram as melhores ficções. Escrevo este texto logo após ter finalmente terminado de assistir a mini série ‘Olhos que condenam‘, disponível na Netflix. E, na sequência, assisti a entrevista dos atores...

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Comemorar para quê?

jul 26

Comemorar para quê?

Era uma quinta-feira como outra qualquer. Quase perdi a hora, de tão cansada que estava quando o despertador tocou às 07h15. Tão cansada, que enrolei até 08h15, o que me fez pular da cama na correria. Aliás, pulei o banho, o café da manhã, o arrumar a cama. Praticamente pulei direto para o caminho da terapia. E daí o dia foi como qualquer outro.   Eu estava cansada, a semana tinha sido intensa. Não ruim, mas intensa. Dormi tarde e acordei cedo todos os dias, muito trabalho, tarefas domésticas, livraria, reuniões etc etc… Estava cansada, mas animada – o que é super possível, acredite. E pensei: hoje estou afim de tomar uma cerveja! Então, chamei uma amiga para tomar uma cerveja em casa. E daí chamamos outra amiga. E outra. E o namorado dessa, marido daquela, o amigo do amigo e… Bom, de repente, éramos quase 20 pessoas, dançando e abrindo espumante, no meu meu mini apartamento. E tá tudo bem! Foi ótimo descobrir que um mini estúdio como este que moro cabem quantas pessoas estiverem afim de fazer caber; e uma delícia rir, beber, dançar e se divertir. Mas uma coisa me chamou muito a atenção: cada um que era chamado para o evento perguntava qual era o motivo de se reunir. ‘É seu aniversário?’ ‘É alguma ocasião especial?’ ‘Mas hoje? Por quê?’ ‘Não entendi… O que estamos comemorando?’    Achei isso muito curioso! Por que não hoje? Não, não é meu aniversário. Estamos comemorando… a vida? Nós mesmos? A nossa amizade? A semana? O mês? Mas é claro que é uma ocasião especial: não deveriam ser todas? E foi neste ritmo que meus amigos saíram bêbados, felizes e cheios e boas energias para encarar a sexta-feira! Recebi várias mensagens agradecendo pela recepção deste encontrinho surpresa e inesperado e o quanto a noite tinha sido muito boa para todos. Então, pensei que não entendo essa necessidade de rotular os momentos de felicidade. Não podemos simplesmente nos reunir porque queremos? Então, se fosse meu aniversário estaria justificado o fato de que queríamos beber e comer e dançar em plena quinta-feira? É impressionante esta necessidade da validação social de motivos plausíveis para se fazer tudo. Qual o problema de querermos ser...

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Dica de leitura alerta anti-embuste [ou: corre que é cilada!]

jun 20

Dica de leitura alerta anti-embuste [ou: corre que é cilada!]

Recebi esta dica do post do Hypeness e achei importantíssimo compartilhar com vocês: Ele listou os piores tipos de embuste de maneira didática para te alertar. Embuste, para quem não está familiarizado com o termo, pode ser facilmente substituído por boy lixo (para não escrever palavrões aqui, né?) Então, compartilhar este link é um serviço de humanidade às mulheres. De verdade. Eu, por exemplo, consegui identificar meu último rolo em TODAS as categorias. Tô de parabéns, né? Mas o mais curioso é que eu nunca tinha pensado nele deste jeito. Me senti uma completa idiota, confesso. Um choque de realidade na minha cara. E no meu coração. 🙁 E vocês, conseguem pensar nos embustes da vida de vocês?     Talita Camargo, 32 anos Libriana apaixonada de alma transparente, uma louca alucinada e meio inconsequente, um caso complicado de se entender. Minha vida é um grande romance de trilhas sonoras. Livros. Comida. Viagem. São Francisco de Assis. Pensamentos positivos. Sempre!   Leia mais do que Talita escreveu: Problema adiado, sofrimento prolongado! A última das solteiras Meu tipo certo de cara errado Amores platônicos Quando o homem quer, ele corre...

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Problema adiado, sofrimento prolongado!

jun 18

Problema adiado, sofrimento prolongado!

Quando anunciaram a última temporada de House, fiquei tão triste com o fim da série, que assisti anos depois só. Na minha cabeça, enquanto eu não assistisse, ainda não teria acabado. Simples assim. Vivo de auto-engano, fazer o que? Sou dessas, que acha que enquanto não acaba, não termina. Sabe?     Mas a verdade é que, quando assisti, já tinha lido tanto spolier e ouvido tantos comentários, que já sabia o fim da história e tudo isso só serviu para eu sofrer de novo quando finalmente assisti às cenas finais. Adiei o problema, não encarei o conflito e… sofri em dobro! Fiz isso com House, faço isso com a minha vida inteira. Não aprendo! Me apego à ideia de que se eu não terminar, então não vai acabar. Mas a verdade mesmo é que já acabou e todo mundo já sabe do fim. Inclusive eu, que fico fingindo que posso mudar alguma coisa. Mas tudo o que faço é prorrogar o sofrimento (muitas vezes não só o meu, mas das partes envolvidas); que é inevitável e necessário. O problema é que não gosto de sofrer e nem de encarar o conflito. Gosto de que as coisas fiquem bem, de que as pessoas todas fiquem bem e que todo mundo seja feliz. Sou meio Poliana, confesso. Mas encarar a verdade escancara um sofrimento real que não acredito que os seres humanos estejam prontos para enfrentar. Não nascemos para sofrer, entende? Nascemos para viver – e viver muito! – e ser feliz, aproveitar, sorrir, se amar… Não nasci pronta para enfrentar a dor e passar pelo processo de perda, luto, sofrência, renascimento. O mais curioso é que sei que é um processo necessário. E que quanto mais adio, mais sofro. Mas simplesmente não consigo colocar um fim. Porque no momento em que decido que aquilo acabou para mim, então, não tem volta. E sempre sinto uma tristeza imensa em saber que algo ou alguém chegou ao fim. Acho todo fim triste, mesmo aqueles que fazem bem. São tristes demais, então, luto para que ele não chegue. Mas a verdade é que, muitas vezes, ele já chegou há tempos. E quanto mais adio, mais sofro. E assim segue esse ciclo sem...

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Foca no que pode dar certo

set 25

Foca no que pode dar certo

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A última das solteiras

jul 24

A última das solteiras

Aos 30 anos, eu oficializo: fiquei para titia. É triste, mas é real. Relacionamentos amorosos não são para mim. Aceitei. Vou resumir minha vida amorosa aqui para vocês: não namoro sério desde o meu primeiro namorado (o que faz uns 12 anos; fiquei presa num não relacionamento doentio por quase 10 anos da minha vida; me forcei a gostar de alguém só porque ele tinha gostado sempre de mim e magoei a ele e a mim, um desastre completo; morei na Itália e me interessei justamente por um brasileiro que só queria se divertir (e foi divertido, mas só); tive uma paixonite aguda por outro alguém que me considera uma boa amiga; e… Bom, é basicamente isso. Agora que todo mundo já está familiarizado com essa comédia pronta, tenho que confessar uma coisa: nunca pensei como seria quando eu fosse a última solteira das amigas. E quer saber? Não está sendo nada legal. Não me levem a mal: eu devo ser a pessoa que mais vibra e torce para os relacionamentos delas darem certo e que elas sejam felizes para sempre. Sou parceira, ouço as histórias, encorajo os encontros, não deixo desistirem nas pequenas adversidades, consolo, abraço, sorrio… Vivo os amores delas como se fossem meus, porque amo elas de verdade e quero a felicidade plena, sem dor de cotovelo. Mas os amores delas não são meus. E, ao mesmo tempo que me faz feliz ver o sorriso no rosto de cada uma ao estarem com alguém, me dá uma perto no coração ter que se compreensiva quando não tenho a companhia delas no sábado à noite. Elas eram minhas parceiras, sabe? Fosse para a balada, pro cinema, pro bar, pro restaurante…. fosse para onde fosse, elas não vão mais comigo. E isso parte o meu coração. Porque é natural, eu sei. É a vida, eu sei. Mas é triste. Não, não acho que elas tenham que trocar a companhia deles para ficar comigo. Mas me sinto excluída do clube dos dates. Estou sozinha no clube dos solteiros. Estar sozinha me obriga a pensar em várias coisas que sempre ficaram lá, guardadas e escondidas por anos, e que agora vem à tona e não são legais. Na boa? É...

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É isso!!

jun 13

É isso!!

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