Sem passado e sem futuro | Ou como transformar desgraças em impulsos

jun 01

Sem passado e sem futuro | Ou como transformar desgraças em impulsos

Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Sempre ouvimos essa frase, mas eu só não sabia que essa frase/fase chegaria para mim de maneira tão imposta pela vida. Sem auto piedade, apenas refletindo, cheguei à conclusão de que, ao perder meu pai e sofrer dois abortos no mesmo ano, perdi junto a minha referência de passado e futuro. Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! E assim continuei vivendo o presente, sem pausa para o sofrimento, sem fraqueza. Afinal, se tantas mulheres conseguem tocar a vida depois de perder um filho, de sofrer uma atrocidade, de ser violentada, mutilada, e tantas outras desgraças, porque eu não conseguiria? Se minha mãe e irmã tocaram em frente, quem seria eu para fraquejar? E continuei…. No primeiro aborto tive que tirar um mês de licença médica e, com isso, ganhei um tempo para me recompor. Meu pai ainda estava encarnado e a dor foi menor. Dois dias depois da morte do meu pai eu estava de volta à ativa (temos que viver o presente!!!). Um mês depois casei, um mês depois minha sogra enfartou e passou por uma luta pela vida (e saiu vitoriosa). Finalmente uma boa notícia: um bebê a caminho. Mas, a vida não quis ser vida e, mais uma vez, perdi o bebê. Dessa vez preferi esperar entrar em período de recesso de final de ano no trabalho e, em silencio, fazer a curetagem. E alguns dias depois eu estava de volta à ativa (temos que viver o presente!!!). Não contei a ninguém do trabalho (até agora). Era necessário seguir em frente e garantir o pão nosso de cada dia. Mas, no meio de tudo isso me perdi. Perdi minha referência de passado, meu herói, minha proteção. Perdi minha esperança de futuro, de ser algo que nem eu mesma tinha imaginado. Nesse meio tempo só me restou o presente e, por medo de estar sendo ingrata, finjo estar vivendo esse presente. Mas, a grande verdade é que só estou passando por ele. Não vejo graça no presente (a não ser quando estou celebrando o amor), não sinto gosto do presente, não quero mais...

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Eu te perdoo

maio 30

Eu te perdoo

Depois de todos esses anos, eu aprendi a te perdoar. Você não me pediu perdão, mas eu te perdoo mesmo assim… Perdoo você por todas as vezes que você mentiu. Por todas as traições. Por todas as vezes que você não me quis por perto. Pela aquela festa que você me convidou e beijou outra – qualquer uma – só para me machucar. Eu te perdoo por todas as lágrimas choradas, por todas as humilhações sofridas. Está perdoado pelas ligações não atendidas, mensagens ignoradas e por aquele fim de semana no sítio, só nós dois, que nunca aconteceu. Perdoo você pelos meus aniversários perdidos, pela minha formatura que você não foi, pelas minhas vitórias que você não comemorou. E, também, por todos os grandes momentos da sua vida que só podiam ser celebrados às escondidas. Eu perdoo aqueles beijos tentados, mas não dados naquela balada secreta que só nós dois sabíamos. Perdoo o dia em que você me procurou pela primeira vez e, também, por quando me afastou pela primeira vez. Perdoo o dia em que você se arrependeu pela primeira vez e voltou para a minha vida. E por todas as vezes depois disso que você terminou para sempre comigo e voltou para nunca mais ir embora da minha vida. Você me transformou no seu ioiô do amor, mas eu te perdoo mesmo assim. Aliás, está perdoado também pelos vários sumiços repentinos e sem explicação. Pelos filmes que não assistimos juntos, pelos livros que nunca leremos e pelos destinos que jamais visitaremos. Perdoo você por não ter me apoiado a realizar o sonho da minha vida, por não ter acreditado em mim quando eu mais precisei e por nunca mais ter voltado quando eu voltei. Perdoo a sua falta de tempo e a sua habilidade de nunca me deixar fazer parte da sua vida. Perdoo você ter me escondido dos seus amigos, familiares e conhecidos. Perdoo a sua falta de coragem de assumir que me amou tão quanto, ou até mais, do que um dia eu te amei. Eu te perdoo por ter sido a outra por tantas vezes;  por nunca ter sido a única; e por ter sido a verdadeira mulher da sua vida, com quem você nunca...

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Meu tipo certo de cara errado

ago 27

Meu tipo certo de cara errado

Recentemente, descobri no Netflix a série ‘White Collar’, uma trama bem água com açúcar, que conta a história de Neal Caffrey, um criminoso falsificador e ladrão da melhor qualidade, que após ser capturado pelo FBI, acaba se tornando um informante valioso para resolver grande parte dos crimes da divisão do colarinho branco. Neal tem absolutamente todas as qualidades que poderiam afastar qualquer mulher: criminoso, ladrão, mentiroso, mulherengo, preso a uma tornozeleira rastreadora com GPS para o FBI não perdê-lo de vista e… charme! Muito charme, que o torna ainda mais irresistível quando somados aos seus incríveis olhos azuis. (Cá entre nós, acho que tenho um fraco por olhos azuis…) Foi amor à primeiro episódio, sabe? Imaginem o anti-herói dos seus sonhos. Então…          Pois bem. Foi aí que eu percebi que Neal Caffrey não é o único tipo certo de cara errado da ficção por quem me apaixono. Me achando louca? Vou tentar explicar…Eu sempre torço para o bandido do bom coração. Neal é um caso clássico, mas a ele, posso juntar uma infinidade de nomes da ficção literária, cinematográfica ou televisa. Vejamos em ‘Jogos Vorazes’, por exemplo. Devo ser a única mulher a não fazer parte do #teampeeta. Quero mais é que ele seja feliz longe da Katniss porque homem, para mim, é o Gale. Na saga Crepúsculo, meu livro preferido é justo o segundo da trama, ‘Lua Nova’, que quase todos que conheço detestam, pois é justamente quando Edward faz a grande maldade de sumir e abandonar Bella sem explicações. Fazer o que se é justo neste momento que ela consegue extrair o melhor de si? E falando em literatura fantástica, todo meu amor para a ‘Saga Hush Hush’, em que o bad boy anjo caído Patch se soma a esta lista infinitas de amores errados e rouba meu coração inteiro! E quando o assunto é este meu coração torto, não me encanto apenas pela beleza física, não. Em ‘The Blacklist’, por exemplo, sou fã número 1 de Reddington, o criminoso mais procurado do mundo, que com todo seu jeito ilegal e obscuro de lidar com as coisas, consegue ser ainda mais profundo e intenso que muito bom moço por aí. E além do...

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Uma vesícula, 11 pedras e kilos de peso nos ombros a menos

out 08

Uma vesícula, 11 pedras e kilos de peso nos ombros a menos

Tirar a vesícula tem seu lado bom…o de ter tempo para pensar durante a recuperação da cirurgia (ah, e também espero que menos dores e enjoos). Essa foi a minha conclusão após a cirurgia que fiz no dia 26/09. Graças a Deus tudo correu bem e a recuperação tem sido melhor do que eu esperava. Foram no total 10 dias de repouso e serão 45 dias sem fazer esforço físico. Fiquei 10 dias em casa, de boa na lagoa, aproveitando para cuidar do meu filho-cão Rudá, que estava com bronqueolíte e não saiu do meu lado o tempo todo. Meu namorado ficou morando em casa para cuidar de mim, já que minha família mora no interiorrrrr. Mas enquanto ele estava no trabalho me vi sozinha, sem poder fazer quase nada e me perguntava: cadê todo mundo que vinha nas festas que eu dava? Cadê aquelas pessoas que curtiram meu status no Facebook? Será que elas não sabem que aquilo lá é o mundo virtual e que as pessoas precisam de pessoas reais. Não que eu quisesse todo mundo no meu quarto, me vendo de cabelo oleoso e pijama zuado, até porque eu amo minha solidão, mas sei lá, me magoei um pouco, achei que as pessoas estão muito frias. Eu sei que as que realmente não podiam ir me ver, se preocuparam à distância, me ligaram ou mandaram mensagens todos os dias…e sou muito grata por isso <3. Minha grande amiga Tia Deise fez sopinha e foi me visitar diariamente, a sempre prestativa Tateana dava seus gritinhos para ver se eu estava bem e a sogra me encheu de frutinhas saudáveis….e isso ajudou na minha recuperação, sem dúvida nenhuma. Mas, como minha Sindrome de Culpa Crônica nunca me abandona, refleti que estou colhendo o que plantei. Em geral, visito meus amigos e familiares muito menos (ou quase nada) do que gostaria, em partes pela correria do dia dia, pelos compromissos no final de semana e por preguiça. Mas, ao mesmo tempo, me senti aliviada, pois estamos todos (ou quase todos) no mesmo barco. Além de 11 pedras e uma vesícula, tirei um enorme peso dos meus ombros ao perceber que eu não sou a única “ocupada” nessa vida e...

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Desculpa, mas seu cachorro foi reprovado

set 24

Desculpa, mas seu cachorro foi reprovado

O QUEEEEEE???? Meu cachorro (lindo, perfeito e maravilhoso) não é bom o suficiente para essa creche de cães?? Bom, na verdade o que a “tia” da creche disse é que o Rudá, meu filho de 4 patas, é muito ansioso e que precisa treinar o comportamento antes de entrar na creche* (sim, existe creche para cachorro…conto mais lá embaixo o que é). Mas o que eu ouvi é que meu dog tinha sido reprovado. E depois de chorar, me martirizar e de muito mimimi consegui perceber como tentamos nos enganar quando fazem comentários negativos sobre aqueles que amamos. Rudá, o cão-filho-amigo, está na minha vida há 6 meses e já me proporcionou aprendizados que eu jamais tinha vivido. Aos poucos ele vem conseguindo tirar de mim toda a culpa que eu carrego por ter nascido (e esse assunto fica para outro post). Ele vem me mostrando que amar significa ser dura quando é preciso. E mais do que isso, vem fazendo todos os cuspes que eu já coloquei para fora caírem direto na minha testa. Agora entendo quando uma mãe vira leoa ao fazermos uma pequena crítica ao seu filho (mesmo que estejamos cobertos de razão). Mas, gostaria muito de não fazer parte dessa trupe. Afinal, nada mais é do que orgulho ferido. Claro que é um pouco de proteção à nossa cria, não queremos que nada no mundo a magoe. Porém, se a crítica é real e construtiva temos sim que deixar o big ego de lado e tentar corrigir a rota. Mas como é difícil….. Rudá, o cão-delicia-amor, é ansioso sim. Ele brinca como se não houvesse amanhã, é intenso e não tem muitos limites. Pois então isso tem que ser corrigido antes que vire um problema maior. Pronto, aceitei a crítica e agora vou trabalhar nisso. E espero, de verdade, que ele se torne mais calmo, pois só quem é ansiosa pra valer com direito a anos de Síndrome do Pânico sabe o quanto é ruim viver nesse estado.   Mas assim, confesso que ainda estou com o ego feridinho e mega ansiosa para ver logo o resultado….OK, preciso me tratar. *Sobre as creches para cachorro, são locais que levamos nossos AUmigos para brincarem e socializarem...

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Ligar ou não ligar: eis a questão

set 15

Ligar ou não ligar: eis a questão

Eu nunca entendi essa história de não ligar no dia seguinte. Ficantes, peguetes, amigos com benefícios, namorados, maridos, esposas ou qualquer que seja a relação, realmente não faz sentido para mim essa coisa de fingir que não se beijaram ou que a transa da noite anterior nunca existiu. Para homens ou mulheres, essa atitude é, no mínimo, mal educada. É um desrespeito.   Vejam bem, não estou aqui defendendo que as pessoas precisam criar um relacionamento depois de terem se pegado. Longe disso. Mas ignorar? Sério? Mesmo que alguém ou os dois estivessem muito bêbados ou qualquer coisa do gênero. Sei lá, acho isso muito estranho. Acho frio. De alguma maneira, rolou um momento de intimidade entre você e a pessoa, então, como simplesmente fingir que nada aconteceu e fim? Estou solteira há alguns anos e, muito provavelmente, não seja a pessoa mais indicada para falar como alguém deve agir nessas ocasiões. Mas acho que se você topou curtir uma noite e nada mais com um(a) desconhecido(a), ok. Mas se você conhece a outra pessoa… Poxa, um whatsappizinho no dia seguinte só para ser educado, não custa nada, né? E, sinceramente, não acredito que uma simples mensagem legal vai fazer o outro(a) se apaixonar e querer casar. Pode até ser, mas no geral, se você está lidando com outra pessoa adulta, não. Ele(a) só não vai achar você um(a) grande babaca infantil. Nós precisamos parar de ter medo da reação das outras pessoas. Temos que aprender a manter relações saudáveis e, principalmente, relações de respeito. Acho essa história de fingir que nada aconteceu uma grande idiotice. Nem que for para, sutilmente, dizer que foi bom, valeu, mas que nunca mais vai acontecer de novo. Nem que for para acontecer de novo e, depois, acabar levando um fora. Nem que for para dar certo. Ou para dar errado. Nem que for para simplesmente não dar em nada. Mas o que não dá, é para viver numa realidade paralela onde dois seres humanos adultos se beijam, se curtem, fazem sexo e… fingem que não se conhecem. Sinceramente, acho que é por isso que está cada vez mais difícil de se construir uma relação bacana com alguém. Porque fugir e agir como...

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Cuspi pra cima e não tirei a testa debaixo

jun 02

Cuspi pra cima e não tirei a testa debaixo

Esse dia ia chegar, não tinha jeito. Numa casa de dog lover’s, chegaria o meu dia de  arrumar a minha própria encrenca. Sempre fui a primeira a criticar minha familia pelo amor incondicional que eles dedicam aos cachorros,  não por achar que esses animaizinhos não mereçam isso, mas pelo fato de que os papitos e irmã abriram mão de muitas festas e viagens na vida para cuidar dos bichos. Então, a surpresa não foi pouca quando anunciei que eu – a rainha da liberdade – me prendi a um cachorro. Como dizem os sábios: cuspi pra cima e caiu na testa. Ele chegou de uma família que não se adaptou a ele há 4 dias e já mudou minha vida como nunca (meu namorado e pai do au au que o diga). Eu, que odeio cozinhar, resolvi fazer o almoço no final de semana só para poder ficar perto do meu pet. Lavei a roupinha dele, limpei os xixis e cocôs inúmeras vezes, levantei cedo todos os dias para brincar com ele e NÃO RECLAMEI. Como diz o Igor (meu cara), o que nenhum homem conseguiu de mim numa vida, um cachorro conseguiu em poucos dias. Rudá foi o nome escolhido para o meu Buldogue Francês, que significa o DEUS DO AMOR na língua tupi. E, embora eu esteja consciente de tudo que vou abrir mão para dar uma vida digna a esse serzinho, sei que ele era exatamente o que faltava na minha vida nesse momento….e na verdade, na vida de muitos que me importam. Sei que um au au pode unir ainda mais um família e criar um ambiente cheio de amor, cocô e xixi. A verdade é que a vida anda plastificada, lipoaspirada, iPhonizada demais e com barulhos, cheiros e sabores verdadeiros de menos. Eu estava sentindo um vazio enorme, estava tudo certo demais, limpo demais, arrumado demais, mas sem vida, sem graça, sem sal nem açúcar. E, embora eu já vinha amadurecendo a ideia de ter um cãozinho há muitos meses,  foi como num passe de magica (guiado por Deus) que encontrei meu pet na internet. Quando o conheci pessoalmente e o peguei no colo pela primeira vez, juro que não sei qual coração estava...

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Somos Todas Peludas

maio 19

Somos Todas Peludas

Essa semana circulou pela web uma mostra fotográfica de mulheres os com pelos ao natural, sem depilação. A ideia, do fotógrafo inglês Bem Hopper, era protestar contra os padrões de beleza das mulheres. Confesso que achei as imagens no mínimo esquisitas. Acho que nem lembrava mais (ou sabia) como é uma mulher ao natural, sem se depilar.  Estamos tão acostumadas com tudo lisinho, que o “natural” para as brasileiras é não ter pelos. Mas, deixando essa parte estética de lado, não foi exatamente isso o que me chamou a atenção. O interessante é que o que era para ser um protesto contra a indústria da beleza  virou um protesto contra as mulheres.  Protesto esse vindo de homens e mulheres. Os comentários dos leitores nos sites onde as matérias sobre o assunto foram publicadas me assustaram. Foi um linchamento virtual. Ao invés de debaterem o propósito da ação, o único foco foi: credo, que bando de mulherada porca, mal amadas, sapatonas, de mal com a vida e que merecem a solidão eterna. É incrível a superficialidade com que muita gente está disposta a julgar. A ignorância fica evidente nas redes sociais (e infelizmente fora delas também). Ninguém parou para pensar que mulheres e homens têm pelos. Ninguém quis analisar o porquê das mulheres “serem obrigadas” a se depilar e os homens não. Esse era o foco, e não se é belo ou não um suvacão peludo.   O ser humano muitas vezes é assim: raso e umbiguista (só olha para o próprio umbigo).  Acho que se aquelas mulheres das fotos estivessem presentes no meio de populares, teriam apanhando, com a justificativa de que precisam de “um corretivo” para virarem “mulheres de verdade”. E acho que foi com essa mesma superficialidade, burrice e falta de caráter que lincharam aquela mãe de família no Guarujá. Quem somos nós para apontar o dedo para um semelhante e julgá-lo de acordo com o nosso gosto. Que triste ver como as pessoas são egoístas, o quanto o pensar choca, e o tanto que ainda temos que evoluir para convivermos em sociedade.   E para quem quiser, aqui está o tal do ensaio peludinho.         Adriana Santos, 34, é jornalista de formação e...

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[Guest Post] Feijão

maio 16

[Guest Post] Feijão

Ele era exatamente o feijão dentro do pote de sorvete. Decepcionante! À primeira vista aquela embalagem enchia os olhos. A neve branquinha de gelo em volta da base te convencia, facilmente, que a salvação do seu calor e sede estava ali, ao seu alcance. Cuidadosa que era, ela não foi direto ao pote, contudo. Sabia que gelo demais também queimava os dedos. No entanto, isso não a impediu de imaginar quais sabores aquela caixa azul guardava. E por isso, deu a ele seu telefone. E conversaram. Por mensagens, é claro. As pessoas hoje em dia parecem temer a voz, pensava. De início, a coisa foi engraçada. Ela se divertia com as tentativas dele em elogiá-la das mais diversas maneiras. Todas elas previsíveis. Não porque ela achava que possuía mesmo aquelas qualidades, mas porque tinha certeza que ele seguia um manual de conquistas. Daqueles bem baratos e mal escritos. Ria por dentro – e às vezes por fora também, em gargalhadas reconfortantes – quando adivinhava em cheio a próxima frase feita que ele lançaria. Foi assim que desconfiou, pela primeira vez, da consistência daquela sobremesa. Mesmo assim deu corda. Afinal, ela poderia estar enganada. Uma pessoa tão instruída, inteligente, bem sucedida e (especialmente) charmosa, não podia ser de toda tola. Pode ser um jogo, concluiu. E se for um jogo, vou jogar também, resolveu.  Não tinha nada mais interessante para fazer naquele fim de ano… Ela, então, preparou as armas, mas deixou o campo livre.  É do tipo que observa primeiro, age depois. Ele se disse estrategista puro, mas mostrou ser do tipo ansioso, daquele que responde perguntas que não foram feitas e dá satisfações não pedidas. Ela calou-se mais que falou. Respondeu algumas poucas questões e ouviu algumas muitas histórias. Todas elas cheias de pronomes pessoais em primeira pessoa. E, dessa forma, conseguiu concluir que em casa de ferreiro, espeto é de pau. Ou santo de casa não faz milagres, nas palavras dela. Aos poucos, a ideia do regalo que regaria sua boca foi derretendo.  É quando se tira o sorvete do freezer, que se percebe sua real consistência (e qualidade!). E aquela ali era bem estranha… Sabendo mais que queria sobre as coisas que ele fez/faz/faria, ela quis...

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Eu sou eu!

fev 19

Eu sou eu!

Acho que a pior besteira que alguém pode fazer na vida é se comparar com os outros. Pronto, já podem me chamar de besta agora. Se tem uma coisa que eu faço diariamente é me comparar com os outros. E sabe o que mais? Eu sempre perco. Todos os dias passo por uma derrota diferente. Eu emagreci 7 quilos, mas fulana tem o corpo bem mais bonito que o meu. Estou bem sucedida no trabalho, mas ciclano é mais jovem e ocupa um cargo de coordenação. Consegui programar uma viagenzinha no carnaval, mas beltrano vai pelo terceiro ano consecutivo pra Salvador… É sempre assim. E eu não nivelo por baixo. Se é pra comparar, eu escolho os tops. Só pra sofrer um pouco mais e desvalorizar ainda mais as minhas conquistas. E pra uma ariana super competitiva como eu, estar em segundo, terceiro, último lugar tanto faz. Você quer ser a primeira! Precisa ser a melhor. Mas, convenhamos, sabe quando eu serei a melhor? Quando eu quiser isso. Quando estiver pronta para olhar no espelho e dizer: puta que pariu, como eu sou foda! (Perdão pela falta de finesse, mas o momento merece). E para isso, eu preciso, antes de qualquer coisa, valorizar o que eu sou e tenho, independentemente de qualquer outra pessoa da galáxia. Porque quanto mais a gente se valoriza, menos a gente repara nos outros. E, de vez em quando, olhar pra dentro é mais importante do que observar o que nos rodeia. A gente sempre vai ter amigos bonitos, inteligentes, ricos, capazes… Isso não é o máximo? Ou você quer estar cercado por pessoas sem objetivos? Bom, essa resposta é única e individual. Mas, digo e repito: eu nivelo por cima. Para estar comigo tem que ser o melhor! Fernanda Barreira, 27 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra...

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