Meu coração eleitor

jun 28

Meu coração eleitor

“Nossa vida amorosa tá tipo eleições 2018, optamos pelo menos pior, mas, mesmo assim, a escolha é terrível”. Foi assim que encerrei uma conversa sobre relacionamentos (fracassados, acho que ficou subentendido) com uma amiga (que, no caso, também escreve pra esse blog e chama Talita). Quando você compara seus pretendentes com Bolsonaro, Alckmin, Ciro e afins… olha, acho que, sim, chegou a hora de admitir que atingiu o fundo do poço. Tem tanto embuste por aí. Tanta gente sem escrúpulos, sentimentos e caráter entrando e saindo da nossa vida sem pedir licença e destruindo o que vê pela frente sem a menor cerimônia ou consideração. Mas, o pior não é isso. O pior é que nem sempre ao perceber a cilada em que entramos, viramos às costas e mudamos de direção. Tem horas que o medo de ser solitário é tão grande, que aceitamos aquilo que ninguém deveria aceitar. Que acreditamos, que estar com alguém bosta, é melhor do que ficar sozinho. Então, nos calamos, sofremos quietos, engolimos a mágoa, o orgulho, o amor próprio e escolhemos o menos pior entre as opções ruins. Tá tudo tão errado nisso! Somos capazes (ou deveríamos ser) de governar nossa própria vida. E, se eu sou a presidente dessa vida, eu vou decidir por aquilo que me traga o melhor. Quero ser feliz, quero ser respeitada, quero ser amada, como toda e qualquer pessoa merece ser. Menos que isso, não me interessa. Candidatos podem ter aos montes. Agora, alguém que valha a pena… aí o buraco é muito mais embaixo. Então, nas eleições do meu coração, dessa vez, eu voto nulo. E com a consciência tranquila de ter tomado a atitude certa. Fernanda Barreira, 32 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra...

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Dica de leitura alerta anti-embuste [ou: corre que é cilada!]

jun 20

Dica de leitura alerta anti-embuste [ou: corre que é cilada!]

Recebi esta dica do post do Hypeness e achei importantíssimo compartilhar com vocês: Ele listou os piores tipos de embuste de maneira didática para te alertar. Embuste, para quem não está familiarizado com o termo, pode ser facilmente substituído por boy lixo (para não escrever palavrões aqui, né?) Então, compartilhar este link é um serviço de humanidade às mulheres. De verdade. Eu, por exemplo, consegui identificar meu último rolo em TODAS as categorias. Tô de parabéns, né? Mas o mais curioso é que eu nunca tinha pensado nele deste jeito. Me senti uma completa idiota, confesso. Um choque de realidade na minha cara. E no meu coração. 🙁 E vocês, conseguem pensar nos embustes da vida de vocês?     Talita Camargo, 32 anos Libriana apaixonada de alma transparente, uma louca alucinada e meio inconsequente, um caso complicado de se entender. Minha vida é um grande romance de trilhas sonoras. Livros. Comida. Viagem. São Francisco de Assis. Pensamentos positivos. Sempre!   Leia mais do que Talita escreveu: Problema adiado, sofrimento prolongado! A última das solteiras Meu tipo certo de cara errado Amores platônicos Quando o homem quer, ele corre...

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A última das solteiras

jul 24

A última das solteiras

Aos 30 anos, eu oficializo: fiquei para titia. É triste, mas é real. Relacionamentos amorosos não são para mim. Aceitei. Vou resumir minha vida amorosa aqui para vocês: não namoro sério desde o meu primeiro namorado (o que faz uns 12 anos; fiquei presa num não relacionamento doentio por quase 10 anos da minha vida; me forcei a gostar de alguém só porque ele tinha gostado sempre de mim e magoei a ele e a mim, um desastre completo; morei na Itália e me interessei justamente por um brasileiro que só queria se divertir (e foi divertido, mas só); tive uma paixonite aguda por outro alguém que me considera uma boa amiga; e… Bom, é basicamente isso. Agora que todo mundo já está familiarizado com essa comédia pronta, tenho que confessar uma coisa: nunca pensei como seria quando eu fosse a última solteira das amigas. E quer saber? Não está sendo nada legal. Não me levem a mal: eu devo ser a pessoa que mais vibra e torce para os relacionamentos delas darem certo e que elas sejam felizes para sempre. Sou parceira, ouço as histórias, encorajo os encontros, não deixo desistirem nas pequenas adversidades, consolo, abraço, sorrio… Vivo os amores delas como se fossem meus, porque amo elas de verdade e quero a felicidade plena, sem dor de cotovelo. Mas os amores delas não são meus. E, ao mesmo tempo que me faz feliz ver o sorriso no rosto de cada uma ao estarem com alguém, me dá uma perto no coração ter que se compreensiva quando não tenho a companhia delas no sábado à noite. Elas eram minhas parceiras, sabe? Fosse para a balada, pro cinema, pro bar, pro restaurante…. fosse para onde fosse, elas não vão mais comigo. E isso parte o meu coração. Porque é natural, eu sei. É a vida, eu sei. Mas é triste. Não, não acho que elas tenham que trocar a companhia deles para ficar comigo. Mas me sinto excluída do clube dos dates. Estou sozinha no clube dos solteiros. Estar sozinha me obriga a pensar em várias coisas que sempre ficaram lá, guardadas e escondidas por anos, e que agora vem à tona e não são legais. Na boa? É...

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Amores platônicos

jun 06

Amores platônicos

Nunca fui o tipo de mulher que coleciona ídolos. Quando criança, eu gostava do antigo grupo Polegar e o Rafael Ilha era, na minha visão de sete anos de idade, o homem mais bonito que eu já tinha visto em toda a minha vida (o que já demonstrava desde cedo a minha habilidade de escolher os homens errados, mas não vamos focar nisso).   Depois tive um crush pelo Zequinha, do Castelo Ra-Tim-Bum e lembro de ter ficado muito feliz ao conhecê-lo pessoalmente em um evento do lançamento do livro da série, pela Companhia das Letrinhas, realizado no Museu da Casa Brasileira. Eram centenas de crianças histéricas e eu tive o privilégio de conseguir a foto e o autógrafo. Mas só. Nem mesmo na adolescência… Lembro de que minhas amigas tinham adoração pelos Backstreet Boys e companhia e, embora curtisse as boy bands do momento e achasse que o Kevin fosse de longe o mais incrível de todos eles, eu não fazia o estilo ‘poster na parede do quarto e capas de fichários com fotos da Capricho’. Quando todas as minhas amigas amavam o Leonardo Di Caprio e choravam sua morte trágica em Titanic, eu pouco me importava com aquele mocinho magrelo e loiro-sem-graça. Nunca quis casar com nenhum jogador de futebol; nunca quis abandonar minha vida para fugir em turnê com nenhum cantor ou banda famosa (muito embora o Bon Jovi pudesse me fazer passar alguns meses na estrada); e nunca achei que deveria viver em Hollywood para o Tom Cruise me salvar, quem sabe, de um atropelamento acidental que pudesse ocorrer justo quando ele estivesse passando ao meu lado. Veja bem, caro leitor, longe de mim fingir que não agarraria o Brad Pitt caso tivesse a oportunidade. É claro que o faria. Só quero dizer que nunca soube ser fã de ninguém. Bom, não sabia. Porque foi só crescer e virar mulher, adulta, gente grande, pessoa que não deveria ter mais tempo ou idade para se apaixonar por famosos para… acontecer! Eu e a Fernanda Barreira, minha amiga e co-autora deste blog,  vivemos de uma paixão platônica pelos intelectuais de quem devoramos o conteúdo semanalmente (ou diariamente se contarmos a nossa habilidade de stlakear que nem sabíamos que...

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Meu tipo certo de cara errado

ago 27

Meu tipo certo de cara errado

Recentemente, descobri no Netflix a série ‘White Collar’, uma trama bem água com açúcar, que conta a história de Neal Caffrey, um criminoso falsificador e ladrão da melhor qualidade, que após ser capturado pelo FBI, acaba se tornando um informante valioso para resolver grande parte dos crimes da divisão do colarinho branco. Neal tem absolutamente todas as qualidades que poderiam afastar qualquer mulher: criminoso, ladrão, mentiroso, mulherengo, preso a uma tornozeleira rastreadora com GPS para o FBI não perdê-lo de vista e… charme! Muito charme, que o torna ainda mais irresistível quando somados aos seus incríveis olhos azuis. (Cá entre nós, acho que tenho um fraco por olhos azuis…) Foi amor à primeiro episódio, sabe? Imaginem o anti-herói dos seus sonhos. Então…          Pois bem. Foi aí que eu percebi que Neal Caffrey não é o único tipo certo de cara errado da ficção por quem me apaixono. Me achando louca? Vou tentar explicar…Eu sempre torço para o bandido do bom coração. Neal é um caso clássico, mas a ele, posso juntar uma infinidade de nomes da ficção literária, cinematográfica ou televisa. Vejamos em ‘Jogos Vorazes’, por exemplo. Devo ser a única mulher a não fazer parte do #teampeeta. Quero mais é que ele seja feliz longe da Katniss porque homem, para mim, é o Gale. Na saga Crepúsculo, meu livro preferido é justo o segundo da trama, ‘Lua Nova’, que quase todos que conheço detestam, pois é justamente quando Edward faz a grande maldade de sumir e abandonar Bella sem explicações. Fazer o que se é justo neste momento que ela consegue extrair o melhor de si? E falando em literatura fantástica, todo meu amor para a ‘Saga Hush Hush’, em que o bad boy anjo caído Patch se soma a esta lista infinitas de amores errados e rouba meu coração inteiro! E quando o assunto é este meu coração torto, não me encanto apenas pela beleza física, não. Em ‘The Blacklist’, por exemplo, sou fã número 1 de Reddington, o criminoso mais procurado do mundo, que com todo seu jeito ilegal e obscuro de lidar com as coisas, consegue ser ainda mais profundo e intenso que muito bom moço por aí. E além do...

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Vida e morte que seguem

jul 17

Vida e morte que seguem

Engraçada (e cruel) essa vida. No meu último post aqui do blog escrevi que nossa sociedade precisava falar mais abertamente sobre morte. E não é que volto hoje aqui para falar justamente sobre isso??? Volto doída, arrasada, triste – mas em paz – para falar sobre a morte prematura (para mim prematura DEMAIS) do meu primeiro homem, do meu herói, do meu pai, aos 63 anos de idade. Ele gostava de tocar violão e cantar, gostava de andar de moto e triciclo, amava os animais e me ensinou o mesmo, era apaixonado pela minha mãe, louco pelas filhas, um amigo para todas as horas e, sem dúvida, o que mais ele amava era VIVER. Me lembro só de flashes de chegar ao hospital aonde ele estava internado, visitá-lo na UTI, contar uma piada sobre o netinho dele (cachorro), vê-lo sorrir, dar um beijo na testa dele e desejar uma boa cirurgia. Depois de poucas horas nos chamaram na UTI para dizer que ele havia falecido. Lembro de querer morrer com ele, não por não querer mais viver, mas simplesmente para dar-lhe as mãos e dizer que não sentisse medo. Mas olhei para o lado e vi um pequeno par de olhos verdes morrendo junto com ele também, então reuni minhas forças e acolhi minha amada mãe. E ainda faltava minha irmã para completar aquela agonia. Do velório e do enterro, lembro da dor e do amor, principalmente do amor. Quanta gente dando o último “até logo” para o meu pai. Quanto choro verdadeiro. Quanto amor envolvia a todos nós naquele triste momento. Em cada rodinha ouvia-se histórias engraçadas sobre o meu pai, sobre o quanto ele era explosivo e quanto o coração dele era enorme. E a cada história eu sentia mais saudades, mas muito mais orgulho dele. Quantas amigas foram lá para me dar um abraço….quanto amparo eu tive. Mais uma vez MEU CARA foi fundamental em tudo…..sem comentários, só agradecimentos para ele. Ele se foi e nós ficamos. Ficamos sem entender o que realmente aconteceu (dizem que a pedra no rim infeccionou, isso evoluiu para uma infecção generalizada e falência dos órgãos). Ficamos indignadas com a precariedade da Santa Casa de Cesário Lange, cuja omissão dos médicos...

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Que preguiça de tantos rótulos

dez 16

Que preguiça de tantos rótulos

No final de semana fui levar meu filho- cão para brincar no Parque do Ibirapuera. Gente, primeiramente, como os humanos estão estragando os bichos…humanizando demais, transferindo valores que não existem no reino animal, mas isso vou deixar para um próximo post. Nesse aqui só vou meter a boca mesmo nos humanos X humanos. Em um determinado momento, paramos para descansar em baixo de umas árvores e tinha um casal e uma fotógrafa bem pertinho, fazendo as fotos pré-casamento dos noivos. O casalzinho era bonitinho, parecia apaixonado e blá blá blá. Até que a fotógrafa começou a dirigir a cena. Foi mais ou menos assim: “Vamos lá, agora o noivo finge que está fugindo. Isso, faz cara de desespero…assim mesmo. Hahaha…isso, essa cara de que o mundo acabou. A noiva continua sorrindo, olhando para o noivo como se sua vida dependesse dele. Isso mesmo, a noiva com cara de feliz e o noivo de triste”. E os dois bobinhos/pombinhos fizeram tudo aquilo que a fotógrafa disse. E acharam normal. E acharam engraçado. E não perceberam (espero eu) o machismo embutido nessas atitudes. E colaboraram para um mundo onde já há preconceito suficiente para destruir a vida de tantas mulheres. E não questionaram se as relações ainda são assim (mulher matando pra casar e homem matando para ser solteiro). E simplesmente repetiram comportamentos que não são mais aceitáveis (pelo menos para mim). Esse retrato me pareceu muito com aquilo que chamamos de vida, com a repetição de padrões e rotulagem das pessoas. Isso cansa. Isso dá preguiça. Mas me sinto na obrigação de deixar o cansaço e a preguiça de lado para dizer: POR FAVOR PAREM…POR FAVOR QUESTIONEM…POR FAVOR SEJAM AUTÊNTICOS. Adriana Santos, 35, é jornalista de formação e fofoqueira de coração. Leonina com muito orgulho e cheia de clichês óbvios, acredita no amor, não só o de homem e mulher, mas o amor que faz o mundo continuar...

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Sinto falta do que nunca vivi

out 20

Sinto falta do que nunca vivi

Eu faço planos imaginários e sofro quando eles nunca acontecem. Isso já seria grave o bastante, mas meu caso tem um agravante: sofro com as lembranças daquilo que nunca aconteceu. Vou tentar explicar. Situação hipotética: um gatinho diz que vai me convidar para ir ao cinema. Pronto! Isso já é o suficiente para eu começar a imaginar como será o encontro. Que roupa vou usar, em qual cinema iremos estar, como serão nossos diálogos desde o instante em que ele me buscar em casa (sim, ele fará isso!), como vai me beijar durante o filme (sim, ele também fará isso!), o que faremos depois, quais os elogios mais carinhosos que ele vai me fazer, como irei sorrir meio tímida depois de cada um deles… O problema é que essa linda cabecinha sonhadora não conta com a possibilidade bem real de que… o gatinho não me convida para ir ao cinema. E todo esse lindo cenário criado não some simplesmente da minha cabeça e fim. Não, não. Eu sinto como se isso tudo já tivesse acontecido e, agora, virou apenas uma lembrança distante. Mas é uma lembrança que nunca existiu. É… O grande problema é a tal da expectativa. Essa grande filha da puta chamada expectativa. Não podemos projetar nos outros tudo aquilo que gostaríamos que acontecesse ou a maneira como desejaríamos que eles se comportassem. Não dá para levar a vida no futuro do pretérito. Sonhar é bom, claro. Mas os pés no chão ajudam a segurar a cabeça. E o coração. Quanto maior a expectativa, maior a decepção. Então, preciso aprender a viver um dia de cada vez, sem já decidir o que vai ser do amanhã. Esse meu jeito deixa a vida mais pesada. E tenho falado muito aqui sobre LEVEZA e PAZ DE ESPÍRITO. Acho que parar de achar que a minha vida real pode ser contada com reproduções de cenas de livros e filmes deve ajudar a encontrar esse caminho mais tranquilo. Porque projetar expectativas no outro é uma forma de desrespeito com ele e, principalmente, comigo mesma. E aprender a me respeitar é a lição número 1 dessa minha nova vida. Talita Camargo, 29 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive...

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Uma vesícula, 11 pedras e kilos de peso nos ombros a menos

out 08

Uma vesícula, 11 pedras e kilos de peso nos ombros a menos

Tirar a vesícula tem seu lado bom…o de ter tempo para pensar durante a recuperação da cirurgia (ah, e também espero que menos dores e enjoos). Essa foi a minha conclusão após a cirurgia que fiz no dia 26/09. Graças a Deus tudo correu bem e a recuperação tem sido melhor do que eu esperava. Foram no total 10 dias de repouso e serão 45 dias sem fazer esforço físico. Fiquei 10 dias em casa, de boa na lagoa, aproveitando para cuidar do meu filho-cão Rudá, que estava com bronqueolíte e não saiu do meu lado o tempo todo. Meu namorado ficou morando em casa para cuidar de mim, já que minha família mora no interiorrrrr. Mas enquanto ele estava no trabalho me vi sozinha, sem poder fazer quase nada e me perguntava: cadê todo mundo que vinha nas festas que eu dava? Cadê aquelas pessoas que curtiram meu status no Facebook? Será que elas não sabem que aquilo lá é o mundo virtual e que as pessoas precisam de pessoas reais. Não que eu quisesse todo mundo no meu quarto, me vendo de cabelo oleoso e pijama zuado, até porque eu amo minha solidão, mas sei lá, me magoei um pouco, achei que as pessoas estão muito frias. Eu sei que as que realmente não podiam ir me ver, se preocuparam à distância, me ligaram ou mandaram mensagens todos os dias…e sou muito grata por isso <3. Minha grande amiga Tia Deise fez sopinha e foi me visitar diariamente, a sempre prestativa Tateana dava seus gritinhos para ver se eu estava bem e a sogra me encheu de frutinhas saudáveis….e isso ajudou na minha recuperação, sem dúvida nenhuma. Mas, como minha Sindrome de Culpa Crônica nunca me abandona, refleti que estou colhendo o que plantei. Em geral, visito meus amigos e familiares muito menos (ou quase nada) do que gostaria, em partes pela correria do dia dia, pelos compromissos no final de semana e por preguiça. Mas, ao mesmo tempo, me senti aliviada, pois estamos todos (ou quase todos) no mesmo barco. Além de 11 pedras e uma vesícula, tirei um enorme peso dos meus ombros ao perceber que eu não sou a única “ocupada” nessa vida e...

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Crônica de um coração fechado para visitas

out 01

Crônica de um coração fechado para visitas

Não esperava ninguém quando a campainha tocou. Mesmo sem saber se devia abrir a porta, recebi a visita desconhecida com todo afeto e educação. Ela não decepcionou e adentrou minha casa trazendo flores e bombons. Como boa anfitriã, ofereci um café e a convidei para sentar. A visita, gentil que só ela, me encheu de elogios e galanteios. Passamos a tarde rindo e conversando sobre a vida. Ao nos despedirmos, convidei-a a voltar quando quisesse. E assim fez. Durante semanas. Passamos excelentes dias, eu com as portas da minha casa completamente abertas para ela. Até que um dia ela mudou a sua rota habitual. Depois, começou a andar apressada sem tempo para uma visita qualquer. Resolvi encostar o portão, e quando notei que nem mais um telefonema recebia, tranquei a porta novamente. Passou o tempo e uma nova visita apareceu. Como de costume, a recebi de braços abertos. Já tinha me refeito da desilusão que a visita anterior causou em mim. Doce e atenciosa, ela passou a frequentar o meu canto tão íntimo. Mas, como na história passada, não durou muito para que passasse a visitar outras freguesias. Na terceira vez fui mais reticente ao ouvir as palmas de alguém a me chamar. Mas, teimosa que sou, abri. Não convidei para entrar de cara. Conversamos uns dias pela janela. Ao sentir confiança, resolvi arriscar. Lá estava mais uma visita sentada no meu sofá, assistindo minha televisão e comendo minha comida. Pouco tempo depois ela sumiu. Triste e resignada, troquei as chaves de casa, comprei cadeados e antes que minha campainha tocasse novamente coloquei o seguinte aviso no quintal: “Não bata. Neste coração não entra mais visita.” Fernanda Barreira, 28 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra ver! Leia mais do que Fernanda escreveu O vai e vem das amizades Minhas férias A arte do...

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