Não aprendi dizer adeus… se vira então!

jun 03

Não aprendi dizer adeus… se vira então!

Terminar um relacionamento, seja lá de que tipo for, nunca é legal. Saber que uma pessoa nutre sentimentos por você que não são mais correspondidos não traz a sensação de poder, mas sim de responsabilidade. No entanto, faz parte da vida. E, como outras muitas obrigações e encargos, dar um fora em alguém de vez em quando é preciso. Durante muito tempo foi assim. As pessoas demoravam, se preparavam, escolhiam a melhor forma de fazer isso, mas, no fim, diziam o famoso e doloroso: ADEUS. Sim, no passado. Já reparou como cada vez mais estamos fugindo das dores, ciladas, e empecilhos que a vida naturalmente nos apresenta? É tão mais fácil não ter que passar por situações embaraçosas, né? Então, agora, quando tomamos a difícil decisão de seguir em frente sem levar ao nosso lado aquela antes pessoa querida o que fazemos? Simplesmente seguimos sem olhar para trás. Sem dizer nada. Sem satisfações. Sem desculpas. Sem um abraço reconfortante. Sem um desejo de boa sorte. Sem lágrimas nos olhos. Sem brigas. Sem objetos arremessados pela casa. Sem frustrações. Sem desilusões. Sem culpa. Sem culpa? Quando a gente não fala palavras dolorosas e não vê a tristeza no rosto do outro não significa que saímos ilesos. Muito pelo contrário. A dor da indiferença, da falta de interesse pelos sentimentos, da covardia fere muito mais do que a da honestidade. Quando alguém deixa de me querer e me fala isso, meu coração se despedaça, meu ego se machuca, minha autoestima despenca. Tomo uns porres, saio com amigos, assisto Netflix, me entupo de doces e um tempo depois (seja lá quanto for) estou pronta pra outra. Agora quando esse cara para de me mandar mensagens, não atende minhas ligações, não me chama mais para sair e desaparece eu me sinto a última pessoa do mundo. Sabe o bicho do cocô do cavalo do bandido? To muito pior que ele. Ser tratada com desprezo por quem dias antes te falava com carinho e sem nem mesmo receber um por quê para essa mudança repentina é injusto e cruel. Toda pessoa, qualquer pessoa, sempre, tem o direito de saber que o outro não está mais afim dela. Sabe respeito? Então, é isso. Não se...

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Sem passado e sem futuro | Ou como transformar desgraças em impulsos

jun 01

Sem passado e sem futuro | Ou como transformar desgraças em impulsos

Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Sempre ouvimos essa frase, mas eu só não sabia que essa frase/fase chegaria para mim de maneira tão imposta pela vida. Sem auto piedade, apenas refletindo, cheguei à conclusão de que, ao perder meu pai e sofrer dois abortos no mesmo ano, perdi junto a minha referência de passado e futuro. Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! E assim continuei vivendo o presente, sem pausa para o sofrimento, sem fraqueza. Afinal, se tantas mulheres conseguem tocar a vida depois de perder um filho, de sofrer uma atrocidade, de ser violentada, mutilada, e tantas outras desgraças, porque eu não conseguiria? Se minha mãe e irmã tocaram em frente, quem seria eu para fraquejar? E continuei…. No primeiro aborto tive que tirar um mês de licença médica e, com isso, ganhei um tempo para me recompor. Meu pai ainda estava encarnado e a dor foi menor. Dois dias depois da morte do meu pai eu estava de volta à ativa (temos que viver o presente!!!). Um mês depois casei, um mês depois minha sogra enfartou e passou por uma luta pela vida (e saiu vitoriosa). Finalmente uma boa notícia: um bebê a caminho. Mas, a vida não quis ser vida e, mais uma vez, perdi o bebê. Dessa vez preferi esperar entrar em período de recesso de final de ano no trabalho e, em silencio, fazer a curetagem. E alguns dias depois eu estava de volta à ativa (temos que viver o presente!!!). Não contei a ninguém do trabalho (até agora). Era necessário seguir em frente e garantir o pão nosso de cada dia. Mas, no meio de tudo isso me perdi. Perdi minha referência de passado, meu herói, minha proteção. Perdi minha esperança de futuro, de ser algo que nem eu mesma tinha imaginado. Nesse meio tempo só me restou o presente e, por medo de estar sendo ingrata, finjo estar vivendo esse presente. Mas, a grande verdade é que só estou passando por ele. Não vejo graça no presente (a não ser quando estou celebrando o amor), não sinto gosto do presente, não quero mais...

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Vida e morte que seguem

jul 17

Vida e morte que seguem

Engraçada (e cruel) essa vida. No meu último post aqui do blog escrevi que nossa sociedade precisava falar mais abertamente sobre morte. E não é que volto hoje aqui para falar justamente sobre isso??? Volto doída, arrasada, triste – mas em paz – para falar sobre a morte prematura (para mim prematura DEMAIS) do meu primeiro homem, do meu herói, do meu pai, aos 63 anos de idade. Ele gostava de tocar violão e cantar, gostava de andar de moto e triciclo, amava os animais e me ensinou o mesmo, era apaixonado pela minha mãe, louco pelas filhas, um amigo para todas as horas e, sem dúvida, o que mais ele amava era VIVER. Me lembro só de flashes de chegar ao hospital aonde ele estava internado, visitá-lo na UTI, contar uma piada sobre o netinho dele (cachorro), vê-lo sorrir, dar um beijo na testa dele e desejar uma boa cirurgia. Depois de poucas horas nos chamaram na UTI para dizer que ele havia falecido. Lembro de querer morrer com ele, não por não querer mais viver, mas simplesmente para dar-lhe as mãos e dizer que não sentisse medo. Mas olhei para o lado e vi um pequeno par de olhos verdes morrendo junto com ele também, então reuni minhas forças e acolhi minha amada mãe. E ainda faltava minha irmã para completar aquela agonia. Do velório e do enterro, lembro da dor e do amor, principalmente do amor. Quanta gente dando o último “até logo” para o meu pai. Quanto choro verdadeiro. Quanto amor envolvia a todos nós naquele triste momento. Em cada rodinha ouvia-se histórias engraçadas sobre o meu pai, sobre o quanto ele era explosivo e quanto o coração dele era enorme. E a cada história eu sentia mais saudades, mas muito mais orgulho dele. Quantas amigas foram lá para me dar um abraço….quanto amparo eu tive. Mais uma vez MEU CARA foi fundamental em tudo…..sem comentários, só agradecimentos para ele. Ele se foi e nós ficamos. Ficamos sem entender o que realmente aconteceu (dizem que a pedra no rim infeccionou, isso evoluiu para uma infecção generalizada e falência dos órgãos). Ficamos indignadas com a precariedade da Santa Casa de Cesário Lange, cuja omissão dos médicos...

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Que preguiça de tantos rótulos

dez 16

Que preguiça de tantos rótulos

No final de semana fui levar meu filho- cão para brincar no Parque do Ibirapuera. Gente, primeiramente, como os humanos estão estragando os bichos…humanizando demais, transferindo valores que não existem no reino animal, mas isso vou deixar para um próximo post. Nesse aqui só vou meter a boca mesmo nos humanos X humanos. Em um determinado momento, paramos para descansar em baixo de umas árvores e tinha um casal e uma fotógrafa bem pertinho, fazendo as fotos pré-casamento dos noivos. O casalzinho era bonitinho, parecia apaixonado e blá blá blá. Até que a fotógrafa começou a dirigir a cena. Foi mais ou menos assim: “Vamos lá, agora o noivo finge que está fugindo. Isso, faz cara de desespero…assim mesmo. Hahaha…isso, essa cara de que o mundo acabou. A noiva continua sorrindo, olhando para o noivo como se sua vida dependesse dele. Isso mesmo, a noiva com cara de feliz e o noivo de triste”. E os dois bobinhos/pombinhos fizeram tudo aquilo que a fotógrafa disse. E acharam normal. E acharam engraçado. E não perceberam (espero eu) o machismo embutido nessas atitudes. E colaboraram para um mundo onde já há preconceito suficiente para destruir a vida de tantas mulheres. E não questionaram se as relações ainda são assim (mulher matando pra casar e homem matando para ser solteiro). E simplesmente repetiram comportamentos que não são mais aceitáveis (pelo menos para mim). Esse retrato me pareceu muito com aquilo que chamamos de vida, com a repetição de padrões e rotulagem das pessoas. Isso cansa. Isso dá preguiça. Mas me sinto na obrigação de deixar o cansaço e a preguiça de lado para dizer: POR FAVOR PAREM…POR FAVOR QUESTIONEM…POR FAVOR SEJAM AUTÊNTICOS. Adriana Santos, 35, é jornalista de formação e fofoqueira de coração. Leonina com muito orgulho e cheia de clichês óbvios, acredita no amor, não só o de homem e mulher, mas o amor que faz o mundo continuar...

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Vergonha de ser brasileira? Não, não…vergonha de ser humana

out 27

Vergonha de ser brasileira? Não, não…vergonha de ser humana

Ontem, acompanhei o resultado da eleição de olho na TV, no Twitter e no Facebook. Na TV, a realidade, no Twitter, a comédia, e no Facebook o horror…..e que horror, que nojo, que decepção. Racismo, preconceito, machismo, intolerância, ignorância…tudo junto e misturado. Pouquíssimas pessoas postaram argumentos realistas, respeitosos, políticos e econômicos. O que “bombou” foi dizer que nordestino é vagabundo, que a presidente é uma vadia, que quem votou no PT deve morrer na fila do SUS, que os paulistas trabalham para sustentar o Bolsa Familia de milhões de vagabundos….quanto ódio…ódio gratuito. Fiquei pensando em algumas pessoas aqui do trabalho, que me relataram o que é passar fome no sertão e que vieram do Nordeste para cá em busca de uma vida melhor. E que direito eles têm de fazer isso? Eu respondo: TODO! São trabalhadores, cuidam de suas famílias, estão sempre com o sorriso no rosto e, mesmo não tendo tudo que gostariam, sabe que estão bem melhores aqui…..e me magoou ver tanta gente julgando-os. Lembrei MUITO também de uma malina aí que amo demais e que veio pra Sampa estudar, trabalhar e ralar….ahhhh, como ralou..eu via quando ela mal tinha dinheiro para comer um lanche a noite….e ela venceu….e é o meu orgulho…..é um orgulho para São Paulo…pro Brasil…pro Mundo….pra Deus. Li também – de muita gente que foi tentar “uma vida melhor no exterior” – críticas ferrenhas sobre quem vem do Nordeste “tentar uma vida melhor aqui”. Oiiii??? Sério mesmo que vocês não percebem nenhuma semelhança em ambas as situações? E o pior é que não percebem. Também pensei muito no meu pai, que está esperando há mais de 1 ano para fazer uma cirurgia pelo SUS e na revolta que sentimos todos os dias por essa demora. Mas agradeci a Deus por que vamos conseguir juntar uma grana e pagar por essa cirurgia…mas e aqueles que não conseguem, merecem esse sofrimento? Não, não merecem. É muito triste ver familiares acompanhando seus doentes sem nem sequer ter onde dormir ou o que comer….e as pessoas acham mesmo que quem voltou no PT merece estar nessa situação? Vi muito machismo velado ao apelidarem a presidente de vadia, puta, vaca….ela pode ser má administradora e milhares de coisas,...

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Tem dias que são assim…

jun 10

Tem dias que são assim…

Angustiantes, solitários, tristes. Uma terça-feira mais feia que as demais. Dia cinzento, nublado, frio. Nada ajuda. Na playlist, músicas deprê. Ao redor, o bom humor das pessoas não te contagia, pelo contrário, desanima ainda mais. Cadê a vontade de sorrir? Ao invés disso, os olhos enchem de lágrimas a cada dois minutos por qualquer motivo, ou motivo algum. Tento mudar o foco. Não existe razão para essa insatisfação. Mas, quem se importa com os por quês? Só quero aliviar esse aperto no peito e não me sentir mais tão sozinha. Aliás, que tipo de solidão é essa, que vem do nada e vai para lugar algum quando estamos rodeados por uma multidão? Acho que essa é a pior de todas. Não estamos sós, nos sentimos únicos, uma espécie que não pertence a um grupo. Isolados nesse lugar onde o que mais falta é espaço para sermos nós mesmos. Respiro fundo (dizem que isso sempre ajuda). Mas, o ar parece não entrar, estou sufocada. Quero ir embora, fugir… sumir. Pra onde? Não sei. Mas, nesses dias sinto uma vontade enlouquecedora de recomeçar do zero. De ser quem eu não sou, estar onde não estou, conhecer quem não conheço, fazer o que não faço. Volto à razão. Sumir é impossível. Fugir não é viável. Minhas pernas impacientes não param por um segundo. Sou tomada por uma ansiedade incontrolável. Meu estômago está embrulhado. Não sinto fome (isso me preocupa, e me alegra, pelo menos algo de bom). Quero dormir. Essa é minha fuga possível. Mas, sem sonhar, tenho medo do que meu inconsciente reserva pra mim. Choro em busca de alívio. As lágrimas escorrem, mas com elas não partem os sentimentos de dor. Fecho os olhos e me perco na minha única e verdadeira esperança. Amanhã é outro dia e pode ser que esse não seja assim. Fernanda Barreira, 28 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra...

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