A sociedade do ‘Sem tempo, irmão’

out 25

A sociedade do ‘Sem tempo, irmão’

Há algumas semanas decidi seriamente que voltaria a escrever neste bloco. Desenhei uma programação de temas e possíveis pautas, imaginei diversos textos na minha cabeça e… simplesmente deixei de lado. O ritmo de trabalho insano de trabalho tem me consumido num nível que, quando tenho algum tempo livre, tudo o que quero fazer é… nada!  Não tenho tido forças físicas de ir à academia, encontrar os amigos e escrever no blog. No início de agosto uma amiga me escreveu querendo tomar um café e bater um papo. Até hoje não marcamos. É ridículo, né? Para dar conta de tudo o que quero fazer, preciso me utilizar daquele famoso tempo ‘enquanto faço uma coisa, consigo fazer outra’, tipo: para deixar em dia meus podcasts preferidos, preciso escutá-los enquanto tomo banho ou lavo louça. Para encontrar os amigos, marco próximo a algum lugar onde já tenho reuniões agendadas. Para ler um livro, me uso dos tempos em salas de espera ou quando possível, manicures. De maneira geral, essa é a regra: a gente faz o que dá para ser feito no tempo hábil disponível, certo? Talvez não pareça tão grave e talvez nem seja mesmo. Mas a real é que essa não é a minha essência. E eu me peguei pensando: quando foi que o urgente ganhou mais espaço do que o importante na minha vida? Meu primeiro chefe me ensinou que quando tudo é urgente, nada é urgente. Por isso precisamos priorizar e realmente entender o que precisa ser resolvido e o que podemos deixar para resolver mais tarde. Achei uma baita lição! Tento aplicar no dia a dia profissional desde então, mas o segredo é que esta é uma boa dica para a vida pessoal. É impossível dar conta de tudo, mas nós – especialmente mulheres – não fomos educadas para não dar conta de tudo. Temos que dominar o mundo e ainda ser lindas e magras. É pesado. É denso. Não é fácil. Não é leve. O grande problema é que eu sou leve, sempre fui. E esse antagonismo de sensações tem sido muito complicado para mim. Acabei de retornar de uma semana na Alemanha, onde visitei a maior e principal feira de livros do mundo: ganhei um prêmio e...

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Entretenimento de pura reflexão

jul 28

Entretenimento de pura reflexão

Em pleno ano de 2019, quase de 2020, se tem uma coisa que ninguém pode reclamar é da facilidade de acesso a conteúdos de entretenimento. As plataformas de streaming de leitura, de áudio e visual, em versões pagas ou gratuitas, estão aí nos smartphones de quase todos nós. Filmes, séries, músicas, vídeos, podcasts, livros, audiolivros… Tem opção para todos os gostos, nos mais diversos formatos e idiomas. Mas uma coisa que eu cobro muito de mim mesma é de não ter um constante entretenimento pela pura diversão. Vejam: essa sou eu, não julgo ninguém, que fique claro. É um compromisso comigo mesma. E acho bem curioso quando sou pega de surpresa em algum conteúdo que achava que seria só um passatempo e, de repente, tem toda uma profundidade da coisa. Lembro de quando li a trilogia ‘Jogos Vorazes’, de Suzanne Collins. Fiquei impressionada com a crítica social escancarada que a saga trazia por detrás do triângulo amoroso dos protagonistas. Os meus romances preferidos são os que trazem a história como pano de fundo (e deixo aqui a dica de que John Boyne sabe fazer isso com uma maestria invejável). Sou uma devoradora de biografias. Quando assisti La Casa de Papel, não imagina a luta social como real causa de um grupo de ladrões na Casa da Moeda. Como muitos de vocês sabem, eu vivo minha vida dos e nos livros, e por conta dos anos de experiência e de vivência, sempre afirmo que ninguém descobriu a fórmula do best-seller, mas que todo mundo já entendeu que o que as pessoas gostam mesmo é de uma boa história. Não é a toa que os storytellers estão bombando por aí. Aliás, Fábio Porchat estreia nesta semana (06/08), um novo programa no canal pago GNT que terá justamente histórias como tema central. O ponto é que nem só de histórias idealizadas e de ficção se vive. E são justamente as histórias reais que causam o maior impacto, que ajudam a transformar as pessoas e o mundo, porque também são as histórias reais que inspiram as melhores ficções. Escrevo este texto logo após ter finalmente terminado de assistir a mini série ‘Olhos que condenam‘, disponível na Netflix. E, na sequência, assisti a entrevista dos atores...

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Comemorar para quê?

jul 26

Comemorar para quê?

Era uma quinta-feira como outra qualquer. Quase perdi a hora, de tão cansada que estava quando o despertador tocou às 07h15. Tão cansada, que enrolei até 08h15, o que me fez pular da cama na correria. Aliás, pulei o banho, o café da manhã, o arrumar a cama. Praticamente pulei direto para o caminho da terapia. E daí o dia foi como qualquer outro.   Eu estava cansada, a semana tinha sido intensa. Não ruim, mas intensa. Dormi tarde e acordei cedo todos os dias, muito trabalho, tarefas domésticas, livraria, reuniões etc etc… Estava cansada, mas animada – o que é super possível, acredite. E pensei: hoje estou afim de tomar uma cerveja! Então, chamei uma amiga para tomar uma cerveja em casa. E daí chamamos outra amiga. E outra. E o namorado dessa, marido daquela, o amigo do amigo e… Bom, de repente, éramos quase 20 pessoas, dançando e abrindo espumante, no meu meu mini apartamento. E tá tudo bem! Foi ótimo descobrir que um mini estúdio como este que moro cabem quantas pessoas estiverem afim de fazer caber; e uma delícia rir, beber, dançar e se divertir. Mas uma coisa me chamou muito a atenção: cada um que era chamado para o evento perguntava qual era o motivo de se reunir. ‘É seu aniversário?’ ‘É alguma ocasião especial?’ ‘Mas hoje? Por quê?’ ‘Não entendi… O que estamos comemorando?’    Achei isso muito curioso! Por que não hoje? Não, não é meu aniversário. Estamos comemorando… a vida? Nós mesmos? A nossa amizade? A semana? O mês? Mas é claro que é uma ocasião especial: não deveriam ser todas? E foi neste ritmo que meus amigos saíram bêbados, felizes e cheios e boas energias para encarar a sexta-feira! Recebi várias mensagens agradecendo pela recepção deste encontrinho surpresa e inesperado e o quanto a noite tinha sido muito boa para todos. Então, pensei que não entendo essa necessidade de rotular os momentos de felicidade. Não podemos simplesmente nos reunir porque queremos? Então, se fosse meu aniversário estaria justificado o fato de que queríamos beber e comer e dançar em plena quinta-feira? É impressionante esta necessidade da validação social de motivos plausíveis para se fazer tudo. Qual o problema de querermos ser...

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Foca no que pode dar certo

set 25

Foca no que pode dar certo

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Sem passado e sem futuro | Ou como transformar desgraças em impulsos

jun 01

Sem passado e sem futuro | Ou como transformar desgraças em impulsos

Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Sempre ouvimos essa frase, mas eu só não sabia que essa frase/fase chegaria para mim de maneira tão imposta pela vida. Sem auto piedade, apenas refletindo, cheguei à conclusão de que, ao perder meu pai e sofrer dois abortos no mesmo ano, perdi junto a minha referência de passado e futuro. Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! Temos que viver o presente! E assim continuei vivendo o presente, sem pausa para o sofrimento, sem fraqueza. Afinal, se tantas mulheres conseguem tocar a vida depois de perder um filho, de sofrer uma atrocidade, de ser violentada, mutilada, e tantas outras desgraças, porque eu não conseguiria? Se minha mãe e irmã tocaram em frente, quem seria eu para fraquejar? E continuei…. No primeiro aborto tive que tirar um mês de licença médica e, com isso, ganhei um tempo para me recompor. Meu pai ainda estava encarnado e a dor foi menor. Dois dias depois da morte do meu pai eu estava de volta à ativa (temos que viver o presente!!!). Um mês depois casei, um mês depois minha sogra enfartou e passou por uma luta pela vida (e saiu vitoriosa). Finalmente uma boa notícia: um bebê a caminho. Mas, a vida não quis ser vida e, mais uma vez, perdi o bebê. Dessa vez preferi esperar entrar em período de recesso de final de ano no trabalho e, em silencio, fazer a curetagem. E alguns dias depois eu estava de volta à ativa (temos que viver o presente!!!). Não contei a ninguém do trabalho (até agora). Era necessário seguir em frente e garantir o pão nosso de cada dia. Mas, no meio de tudo isso me perdi. Perdi minha referência de passado, meu herói, minha proteção. Perdi minha esperança de futuro, de ser algo que nem eu mesma tinha imaginado. Nesse meio tempo só me restou o presente e, por medo de estar sendo ingrata, finjo estar vivendo esse presente. Mas, a grande verdade é que só estou passando por ele. Não vejo graça no presente (a não ser quando estou celebrando o amor), não sinto gosto do presente, não quero mais...

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Dias melhores virão

set 16

Dias melhores virão

Nunca acreditei nessa história de energia. Que pensamentos bons atraem coisas boas ou vice-versa. Sou uma pessoa prática, sem muitas superstições. Acho que as coisas acontecem porque são consequências de outros atos. Talvez por esse motivo tenho um histórico marcado pelo pessimismo. A vida inteira sofri com problemas criados pela imaginação, antecipei frustrações, desisti de certos sonhos por acreditar que não dariam certo e estimulei minha baixa autoestima. E apenas recentemente me dei conta de como tudo isso é prejudicial. Não que o negativismo traz problemas a minha vida. Continuo não acreditando no misticismo da força do pensamento. Mas, qual a vantagem de olhar apenas o lado ruim das coisas? Nenhuma. Quem é a única pessoa que sofre com a atitude de puxar tudo para baixo? Eu. Então, pra que? Fiquei sem resposta para essa terceira e última pergunta. Por isso, decidi encarar (ou tentar) a vida de uma maneira um pouco mais leve. Problemas, decepções, tristezas já temos aos montes. Incentivar, ressaltar e destacar isso é uma escolha. E, por 29 anos, foi minha primeira opção. Por que, então, não tentar uma alternativa diferente? Mais uma pergunta sem resposta. E como diz o ditado: contra fatos não há argumentos. Há poucos dias coloquei o otimismo em prática. Não, não me tornei a chata que sorri o tempo todo, muito menos passei a me iludir com qualquer coisa. Minha primeira atitude foi simples, nem por isso fácil. Estou tentando parar de reclamar de tudo o tempo todo. Olhar as vantagens nas circunstâncias, oportunidades nos desafios, qualidades em quem está por perto. Tenho uma vida boa, meus problemas não são os piores e para quase tudo se tem solução. Quando passamos a encarar dessa forma, parece que as coisas fluem um pouco mais facilmente. Acho que a maturidade dos meus quase 30 me fez querer um dia-a-dia mais tranquilo e uma existência baseada na esperança de que coisas melhores virão. E eu sei que elas virão. Fernanda Barreira, 29 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra...

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Mãe por 10 semanas

jun 23

Mãe por 10 semanas

Faz um pouco mais de 1 mês que tudo aconteceu. Já voltei a trabalhar e a vida segue normal, com um buraquinho no coração que jamais vai fechar. Não sei se seria menino ou menina, mas para ambos já havíamos escolhido o nome. Não foi planejado, mas nem por isso deixou de ser desejado e amado. Vida e morte que seguem, porque é disso que se trata estar aqui, vivendo na Terra. Sempre ouvi dizer que as probabilidades de uma mulher engravidar do primeiro filho após os 35 anos é reduzida e que pode levar em média 1 ano. Eu – que tomo anticoncepcional há pelo menos 15 anos – não imaginei que, numa “vacilada”, engravidaria. O corpo mudou, um certo inchaço apareceu, até que minha amiga Vanessinha olhou pra minha cara e disse: Você está gravida! Eu e o Igor (O Cara) nos olhamos pensando: “Não, acho que não, mas por via das dúvidas vamos fazer o teste de farmácia”. Teste de farmácia feito: Positivo. Segundo teste de farmácia feito: MegaPositivo. Teste de sangue feito: Gravidíssima. Mas, após aquele primeiro choque (e meu agradecimento à Deus por eu ter convênio médico nesse momento) mal deu tempo de ficarmos felizes e a gineco já alertou que meus hormônios estavam baixos demais e que ela acreditava que a gravidez não iria para frente. O jeito era aguardar….palavrinha desgraçada para quem sofre de Transtorno de Ansiedade. Aliás, assim que descobri a gravidez parei com meus remédios, sob orientação médica, e digo que tive uma crise de abstinência absurda. Mas eu era mãe e tinha que aguentar. E aguentei com o coração cheio de amor, fé, insônia e mal-estar. Primeiro ultrassom e nada do coração. Segundo ultrassom e lá estavam os batimentos cardíacos. Disse a médica: pode ir para casa comemorar o Dia das Mães. Fomos. Compramos dois pares de sapatinhos para contar a grande surpresa para os nossos pais. Mas os hormônios não estavam evoluindo ainda como o esperado e no fundo sabíamos que havia algo errado. Guardamos os sapatinhos e contamos aos nossos pais que talvez seriam avós. Que noticia feliz-triste de se dar. Na noite antes do terceiro ultrassom sonhei que perdia o bebê. Acordei pela manhã e todos...

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5 coisas que aprendi em 5 dias no Rio de Janeiro

abr 25

5 coisas que aprendi em 5 dias no Rio de Janeiro

1 –  As mulheres são bonitas, gostosas e sensuais. Aceita que dói menos.  O choro é livre, mulherada. Mas a verdade é que as cariocas mandam beijinho no ombro para o resto do Brasil e do mundo. São abençoadas por Deus e bonitas por Natureza. E ouradas do sol. E sarada de tanto caminhar, correr, nadar, surfar, jogar futevôlei, andar de patins, bike e skate… Num primeiro momento, é difícil aceitar sem bater aquela invejinha típica de mulher. Mas depois… Torna-se uma inspiração ver como a real beleza feminina é natural. Obrigada, mulheres cariocas: vcs ensinam as mulheres do mundo a acharem outras mulheres bonitas!     2 – A música do Rio é o funk. E se chorar, vai ter mais pancadão.  Não que o samba não faça até gringo rebolar. Não que a Bossa Nova não seja a história das calçadas desenhada de Copacabana. Não que o pop e o rock não estejam presentes. Mas o funk… Ah, merrrmão, o funk te faz descer até o chão. O funk não tem raça, cor, classe social ou religião. Aquela batida contagia e, quando vc menos percebe, está rebolando o bundão. Tá, a rima é ruim, mas a verdade é que o Baile Funk é a ‘balada’ do carioca, que mistura toda gente de todo lugar. Não tem preconceito e nem discriminação. 3 – Do que são feitos os homens do Rio? Eles não são de Deus. Ou será que são? Minha vontade é sair aplaudindo todos eles, como se aplaude o pôr do sol, sabe? Porque, olha… eles são bonitos demais. Quando alguém perguntar aonde é que se escondem os homens bonitos do mundo, vou responder sem pensar: no Rio de Janeiro. E olha que eu morei na Itália, hein… Mas desde o dono da barraca da praia, passando pelos playboys das baladas, incluindo o motorista de táxi… É homem bonito demais da conta!     4 – Carioca sabe viver, mas trabalhar… Olha, pode até ser pensamento clichê de paulistano coxinha. Mas isso nunca se mostrou tão real para mim quanto nos últimos dias. Passei quatro dias de feriado curtindo, a cada minuto, os presentes que o RJ me dava: festas, sol, praia, calor, energias positiva,s belezas...

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Que preguiça de tantos rótulos

dez 16

Que preguiça de tantos rótulos

No final de semana fui levar meu filho- cão para brincar no Parque do Ibirapuera. Gente, primeiramente, como os humanos estão estragando os bichos…humanizando demais, transferindo valores que não existem no reino animal, mas isso vou deixar para um próximo post. Nesse aqui só vou meter a boca mesmo nos humanos X humanos. Em um determinado momento, paramos para descansar em baixo de umas árvores e tinha um casal e uma fotógrafa bem pertinho, fazendo as fotos pré-casamento dos noivos. O casalzinho era bonitinho, parecia apaixonado e blá blá blá. Até que a fotógrafa começou a dirigir a cena. Foi mais ou menos assim: “Vamos lá, agora o noivo finge que está fugindo. Isso, faz cara de desespero…assim mesmo. Hahaha…isso, essa cara de que o mundo acabou. A noiva continua sorrindo, olhando para o noivo como se sua vida dependesse dele. Isso mesmo, a noiva com cara de feliz e o noivo de triste”. E os dois bobinhos/pombinhos fizeram tudo aquilo que a fotógrafa disse. E acharam normal. E acharam engraçado. E não perceberam (espero eu) o machismo embutido nessas atitudes. E colaboraram para um mundo onde já há preconceito suficiente para destruir a vida de tantas mulheres. E não questionaram se as relações ainda são assim (mulher matando pra casar e homem matando para ser solteiro). E simplesmente repetiram comportamentos que não são mais aceitáveis (pelo menos para mim). Esse retrato me pareceu muito com aquilo que chamamos de vida, com a repetição de padrões e rotulagem das pessoas. Isso cansa. Isso dá preguiça. Mas me sinto na obrigação de deixar o cansaço e a preguiça de lado para dizer: POR FAVOR PAREM…POR FAVOR QUESTIONEM…POR FAVOR SEJAM AUTÊNTICOS. Adriana Santos, 35, é jornalista de formação e fofoqueira de coração. Leonina com muito orgulho e cheia de clichês óbvios, acredita no amor, não só o de homem e mulher, mas o amor que faz o mundo continuar...

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O Brasil não é o pior lugar do mundo

nov 03

O Brasil não é o pior lugar do mundo

Pela primeira vez, desde que completei 16 anos de idade, eu não exerci o meu direito de votar em uma eleição. E por mais que tenha sido um alívio, já que eu estava com muitas dúvidas em relação ao meu voto, sinto que falhei com o País e com a democracia, que valorizo tanto. Vejo muitas pessoas reclamando da obrigatoriedade do voto, mas sendo um dever ou não, ainda assim, é um exercício de cidadania e admiro isso, pois não posso, sequer, pensar em um modelo de governo tirano ou autoritário. Ser livre para fazer escolhas, mesmo que elas não sejam validadas, é importante. Como já contei por aqui, estou morando por alguns meses em Roma, onde estudo italiano. Na minha sala, há um casal de venezuelanos, a Helena e o Roberto. Durante os exercícios de conversação, descobri que ambos vieram para cá buscando a sensação de liberdade que eles não têm em Caracas, cidade onde vivem e capital do país. Quando falávamos sobre segurança, comentei que São Paulo era uma cidade com altos índices de violência e, antes mesmo de eu explicar, ambos me interromperam contando que Caracas é a segunda cidade mais violenta do mundo. Dessa forma, eles, que são jovens de vinte e poucos anos, como eu e todos os meus amigos; não podem ter vida social. “Nos raros momentos em que saímos à noite, devemos permanecer no local até amanhecer, porque é um pouco menos perigoso andar durante o dia”, contou Helena, que é formada em audiovisual, mas não exerce a profissão, porque não há emprego e não se paga bem, o que a obrigou a trabalhar como uma espécie de assistente pessoal do presidente de uma grande empresa. “Não temos vida por lá”, disse Roberto, que com avós italianos, tem a cidadania europeia e vai buscar alguma oportunidade por aqui, depois que finalizar o curso, dentro de dois meses. Helena também contou que a situação é tão grave, que existe o câmbio de produtos alimentícios entre parentes e amigos. Por exemplo, se a mãe dela vai ao mercado e encontra leite, compra em quantidade suficiente para poder trocar com a sogra, irmã, cunhada; que por suas vezes, encontraram frango, pão ou qualquer outro produto,...

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