Pelo direito de ser mulher

maio 26

Pelo direito de ser mulher

Na cerimônia de premiação do Oscar em 2015, a vencedora do prêmio de atriz coadjuvante, Patricia Arquette, usou o momento de seu discurso para alertar sobre discriminação salarial (e outros pontos) entre homens e mulheres na indústria cinematográfica e no mundo. O assunto abriu pauta pro debate e, um amigo querido, bonito e inteligente fez um post em seu Facebook criticando o mimimi da mulherada que estava apoiando a atriz. Nos comentários, uma enxurrada de frases machistas e misóginas da pior qualidade, escritas por outros amigos queridos, bonitos e inteligentes. E naquele post começou a guerra entre eles e nós, as amigas que simplesmente não se conformavam que o machismo estava ali, no pensamento, na fala e nas atitudes daqueles que nos são tão próximos. Foi então que uma das meninas tomou a iniciativa de criar um grupo fechado para as mulheres não só levarem a discussão adiante, mas poderem compartilhar suas histórias, seus lamentos, seus sofrimentos diários por… serem mulheres. O grupo, que começou com menos de dez integrantes, hoje conta com mais de 90 mulheres, que convidam sempre um membro novo para ajudar a enriquecer o debate. Tenho muito orgulho desse nosso pequeno ponto de apoio. Nele, podemos comentar o que quisermos, sem medo do julgamento. Nele, aprendemos todos os dias que, em muitas situações, nós mulheres também temos comportamento machistas. Lá, debatemos o que podemos mudar no nosso comportamento e na nossa relação com os outros para transformar este, num mundo melhor para as mulheres. Porém, por mais de uma vez já nos questionamos se não somos apenas dezenas de ativistas de internet, vivendo numa bolha, e deixando tudo como efetivamente sempre esteve. Mas, no fim, estamos fazendo bem umas para as outras. E isso já é muito mais do que o o mundo inteiro tem feito por cada uma de nós, mulheres. Mas hoje, com a notícia de que 33 homens estupraram uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro e publicaram na Internet imagens do estado dela pós-ataque, com comentários irônicos; eu tive que sair do nosso grupo. Tive que dar a cara a bater e provocar o debate, porque nós não podemos nos calar. Não importa se ela estava drogada. Se é...

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Vergonha de ser brasileira? Não, não…vergonha de ser humana

out 27

Vergonha de ser brasileira? Não, não…vergonha de ser humana

Ontem, acompanhei o resultado da eleição de olho na TV, no Twitter e no Facebook. Na TV, a realidade, no Twitter, a comédia, e no Facebook o horror…..e que horror, que nojo, que decepção. Racismo, preconceito, machismo, intolerância, ignorância…tudo junto e misturado. Pouquíssimas pessoas postaram argumentos realistas, respeitosos, políticos e econômicos. O que “bombou” foi dizer que nordestino é vagabundo, que a presidente é uma vadia, que quem votou no PT deve morrer na fila do SUS, que os paulistas trabalham para sustentar o Bolsa Familia de milhões de vagabundos….quanto ódio…ódio gratuito. Fiquei pensando em algumas pessoas aqui do trabalho, que me relataram o que é passar fome no sertão e que vieram do Nordeste para cá em busca de uma vida melhor. E que direito eles têm de fazer isso? Eu respondo: TODO! São trabalhadores, cuidam de suas famílias, estão sempre com o sorriso no rosto e, mesmo não tendo tudo que gostariam, sabe que estão bem melhores aqui…..e me magoou ver tanta gente julgando-os. Lembrei MUITO também de uma malina aí que amo demais e que veio pra Sampa estudar, trabalhar e ralar….ahhhh, como ralou..eu via quando ela mal tinha dinheiro para comer um lanche a noite….e ela venceu….e é o meu orgulho…..é um orgulho para São Paulo…pro Brasil…pro Mundo….pra Deus. Li também – de muita gente que foi tentar “uma vida melhor no exterior” – críticas ferrenhas sobre quem vem do Nordeste “tentar uma vida melhor aqui”. Oiiii??? Sério mesmo que vocês não percebem nenhuma semelhança em ambas as situações? E o pior é que não percebem. Também pensei muito no meu pai, que está esperando há mais de 1 ano para fazer uma cirurgia pelo SUS e na revolta que sentimos todos os dias por essa demora. Mas agradeci a Deus por que vamos conseguir juntar uma grana e pagar por essa cirurgia…mas e aqueles que não conseguem, merecem esse sofrimento? Não, não merecem. É muito triste ver familiares acompanhando seus doentes sem nem sequer ter onde dormir ou o que comer….e as pessoas acham mesmo que quem voltou no PT merece estar nessa situação? Vi muito machismo velado ao apelidarem a presidente de vadia, puta, vaca….ela pode ser má administradora e milhares de coisas,...

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Encontrar a paz para ser feliz

jul 25

Encontrar a paz para ser feliz

Hoje de manhã eu acordei e ao ligar a TV no ‘Bom Dia Brasil’, me deparei com as terríveis imagens do bombardeio contra uma escola da ONU na Palestina. Junto àquelas cenas deprimentes, uma série de outras visões tristes: bombas, mortes, guerra. Acreditem ou não, eram apenas sete horas da manhã e meus olhos já estavam cheios de lágrimas. Acho que foi um choque de realidade muito grande para mim. Não porque eu já não estava acompanhando a guerra ao longo dos últimos dias e acabei sendo pega de surpresa. Mas porque, de repente, eu me deparei com a minha pequenez diante dessa realidade trágica em que a humanidade vive. Tenho passado os dias, semanas e meses – para não dizer o ano inteiro – lamentando a vida: ‘ah, como é difícil fazer regime’, ‘nossa, preciso fazer alguma coisa em relação à minha vida profissional’, ‘ai, como gostaria de sair de casa’, ‘hum, como faz para ser rica e dar um update de classe média para milionária?’, ‘Será que um dia vou cicatrizar a ferida no meu coração e me apaixonar novamente?’. E daí, olhando os prédios explodirem na Palestina, percebi que sou mesmo uma grande ridícula. Não estou querendo dizer que os pequenos problemas individuais do dia a dia não são problemas. São. E é claro que incomodam, preocupam e tiram o sono de quem está vivendo cada um deles. Mas são problemas resolvíveis dentro da nossa dimensão. Essa é a diferença. A guerra no Oriente Médio; o avião civil abatido na Ucrânia, que matou 298 passageiros; ou qualquer coisa desse gênero; não são coisas que eu, você ou as pessoas de nosso convívio social podem resolver efetivamente. Nenhum de nós pode gritar ‘PARA’ e simplesmente fazer tudo isso desaparecer. Por isso, depois de assistir àquelas cenas chocantes (e depois de uma boa sessão de terapia, é claro), refleti e entendi que devo transformar todos esses meus problemas individuais, em boas energias para mim mesma. Quem sabe, dessa maneira, eu consigo fazer a diferença na minha vida, na vida dos que vivem ao meu redor, e na vida da humanidade. Parece pretensioso, eu sei. Mas é um exercício. Ficou claro para mim que os nossos pequenos problemas do dia-dia...

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Somos Todas Peludas

maio 19

Somos Todas Peludas

Essa semana circulou pela web uma mostra fotográfica de mulheres os com pelos ao natural, sem depilação. A ideia, do fotógrafo inglês Bem Hopper, era protestar contra os padrões de beleza das mulheres. Confesso que achei as imagens no mínimo esquisitas. Acho que nem lembrava mais (ou sabia) como é uma mulher ao natural, sem se depilar.  Estamos tão acostumadas com tudo lisinho, que o “natural” para as brasileiras é não ter pelos. Mas, deixando essa parte estética de lado, não foi exatamente isso o que me chamou a atenção. O interessante é que o que era para ser um protesto contra a indústria da beleza  virou um protesto contra as mulheres.  Protesto esse vindo de homens e mulheres. Os comentários dos leitores nos sites onde as matérias sobre o assunto foram publicadas me assustaram. Foi um linchamento virtual. Ao invés de debaterem o propósito da ação, o único foco foi: credo, que bando de mulherada porca, mal amadas, sapatonas, de mal com a vida e que merecem a solidão eterna. É incrível a superficialidade com que muita gente está disposta a julgar. A ignorância fica evidente nas redes sociais (e infelizmente fora delas também). Ninguém parou para pensar que mulheres e homens têm pelos. Ninguém quis analisar o porquê das mulheres “serem obrigadas” a se depilar e os homens não. Esse era o foco, e não se é belo ou não um suvacão peludo.   O ser humano muitas vezes é assim: raso e umbiguista (só olha para o próprio umbigo).  Acho que se aquelas mulheres das fotos estivessem presentes no meio de populares, teriam apanhando, com a justificativa de que precisam de “um corretivo” para virarem “mulheres de verdade”. E acho que foi com essa mesma superficialidade, burrice e falta de caráter que lincharam aquela mãe de família no Guarujá. Quem somos nós para apontar o dedo para um semelhante e julgá-lo de acordo com o nosso gosto. Que triste ver como as pessoas são egoístas, o quanto o pensar choca, e o tanto que ainda temos que evoluir para convivermos em sociedade.   E para quem quiser, aqui está o tal do ensaio peludinho.         Adriana Santos, 34, é jornalista de formação e...

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Posta banana num dia, espanca inocentes no outro

maio 07

Posta banana num dia, espanca inocentes no outro

Eu não sei quando foi exatamente que a humanidade voltou a agir sob o Código de Hamurabi. Sabe aquela coisa do ‘olho por olho, dente por dente’? Então. Para quem não acompanhou, uma mulher morreu nesta segunda-feira (05/05/14), no Guarujá, litoral paulista, após ser linchada e espancada dois dias antes, pelos moradores do bairro de Morrinhos, que ACHARAM (do verbo não ter certeza, sabe?) que ela era a suspeita de sequestrar duas crianças para fins de magia negra. De acordo com as notícias divulgadas sobre o assunto, a investigação policial aponta para o rumor como motivo do crime e afirma que não havia nenhum boletim de ocorrência sobre sequestro de menores na região. A informação da tal sequestradora que nem sabemos se realmente existe foi divulgada no Facebook, numa fanpage chamada ‘Guarujá Alerta‘. O boato, infundado e irresponsável, culminou na morte Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que – vejam só vocês! – não era a tal suspeita. Ela era apenas uma dona de casa comum, casada e mãe de duas filhas, uma de 12 anos e outra de um ano e meio. Os vídeos do linchamento público estão por aí  pipocando na timeline de todos nós, ou nos canais de televisão, que assistimos indignados à barbárie humana. Assistimos e pior: compartilhamos. As cenas são assustadoras: Fabiana foi amarrada, espancada e arrastada. Recebeu pauladas na cabeça sem nem conseguir reagir à atrocidade que estava vivendo. Ou, melhor dizendo, morrendo. Foi humilhada no meio de uma roda de pessoas comuns, como ela. E sabe o que mais me chamou atenção? O fato de algumas pessoas ao redor eram contrárias à ação do linchamento. UFA, né? #sóquenão. Porque essas pessoas foram passivas e, não só registraram esse ato de violência como fotos e vídeos, como ao invés de chamar a polícia ou tentar impedir esse absurdo de alguma maneira, acompanharam Fabiana, já desacordada, ao ser arrastada, literalmente, para o fim de sua vida. [Como isso aqui é um blog Sem Critérios, disponibilizo o link para quem quiser assistir. É só clicar aqui. Mas, sinceramente, não recomendo. As cenas são chocantes e não vejo sentido em dar audiência para isso. A escolha é de vocês, é claro.] Em fevereiro deste mesmo ano, um menino de...

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