Eu crio expectativas sim. E você também!

maio 09

Eu crio expectativas sim. E você também!

Outro dia, durante uma conversa com um amigo, recebi o seguinte conselho: “Não crie expectativas”. Tenho escutado muito isso ultimamente. Lido em vários lugares. Pessoas que vendem a teoria como mantra de vida. “Expectativa é a mãe da merda”, dizem uns. “Não crie expectativas, crie porcos. Ao menos, no fim, você terá bacon”, brincam outros. Mas, dessa vez, quando ele soltou a fatídica frase, a única coisa que consegui pensar foi: impossível.

E que hipocrisia essa a nossa de dizer que não criamos expectativas. Ou seria ilusão? Pior, é muita audácia sequer supor que podemos controlar assim nossos instintos.

Sou chamada para uma entrevista de emprego. Na mesma hora já me imagino trabalhando lá, os novos desafios profissionais, colegas, um salário maior. Marquei um encontro com um cara. Como não idealizar que aquele poderá ser o futuro grande amor da minha vida? Ou um assassino vendedor de órgãos que comercializará meu rim no mercado negro? Porque sim, expectativas podem ser terríveis também. Mas, não se vive sem elas. Não dá.

A questão é como lidamos com as expectativas. Melhor. Como lidamos com as expectativas frustradas. Porque aquelas que são superadas positivamente ninguém tem do que reclamar, convenhamos.

A gente pode (e deve) tentar não sofrer por antecedência. E lembrar sempre que tudo, por enquanto, pertence apenas à nossa imaginação. Agora, projeções, perspectivas, idealizações fazem parte do que somos, do que queremos, e não é simples, nem possível viver sem.

Também não dá para esperar que tudo e todos supram nossos desejos. A forma como eu lido com determinada situação ou com que resolvo um problema, por exemplo, é única. Outra pessoa exatamente no mesmo lugar vai se expressar de maneira diferente pelo simples fato dela ser uma pessoa diferente.

Então, se eu puder, assim como o meu amigo, dar um conselho, é esse: crie expectativas sim, mas não espere dos outros as atitudes que você teria. E, em caso de decepção, pense que qualquer emoção é melhor que nenhuma.

 

Fernanda Barreira, 31 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra ver!
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3 comments

  1. Ariett /

    Vou mandar esse texto pra todos os meus grupos de amigas! Adorei!

    • Fernanda Barreira /

      Ah, que bom!! Obrigada, Ari. Compartilha sim e ajude suas amigas a criarem ainda mais expectativas com esse blog (que tem muito de você) <3

  2. Adriana /

    Acho que temos que criar expectativas, sim. Mas, principalmente, aprender a lidar com as frustrações…uiiiii isso sim é foda. Ameiii seu texto Fer ❤️

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