Moral da história

jul 08

Moral da história

Todo bom torcedor brasileiro deixa de ser ateu por 90 minutos, reza para todos os santos, apela para todas as simpatias e nasceu tão supersticioso que não descruza os dedos nem para fazer xixi. Aliás, torcedor que é torcedor, não faz xixi durante o jogo. Tem suas mandingas, rezas, crenças. Sou dessas. Torcedora de carteirinha. Uso até o mesmo brinco e os anéis na mesma ordem. Melhor não arriscar, afinal, com a sorte não se brinca, né?

Mas na noite passada, não dormi bem. Acordei várias vezes de um sono inquieto, com uma angústia incessante. Quando acordei, mau sinal: o céu não estava azul. Era a primeira vez, desde o início da Copa (essa que é a Copa das Copas!), que chovia em São Paulo em dia do jogo do Brasil.

A manhã de trabalho, outrora monótona nesta mesma ocasião, foi mais conturbada que o planejado e não permitiu aquela concentração pré-jogo. O trânsito, que não ainda não havia me aparecido, atrasou o almoçou. Meu pai, companheiro fiel de todos os jogos, estava longe, lá em Recife. Minhas primas, com quem fiz torcida unida em todos os jogos, estavam espalhadas. E os tradicionais comerciais da Coca-cola e do Itaú que, justo hoje, escaparam da minha audiência?

A Seleção não tinha Neymar e nem Thiago Silva e, como se isso já não bastasse, devido a essas mudanças na escalação, entraram em campo em ordem diferente. Estava tudo errado e, no fundo, eu já sabia que não podia dar certo. (Quer dizer, quem ia imaginar que daria tão errado assim, né? Mas…)

A Seleção, a minha Seleção, a sua Seleção, a nossa Seleção, não jogou. Não entrou em campo. Não jogou nem por mim, nem por você, nem pelo Neymar, nem pelo Brasil e nem por eles mesmos. Perdemos a semi-final naquela que, sem dúvida, foi a partida mais vergonhosa de todas: 7 a 1 para Alemanha, que agora está classificada para a final.

A maior derrota em 100 anos de história de Seleção Brasileira fez com que as agências publicitárias corressem para tirar seus comerciais motivacionais do ar enquanto era tempo. E o professor Felipão assumiu sozinho, muito dignamente, toda a culpa do vexame. Mas na real… Tem mesmo um culpado? Somos um time de atletas que não jogam juntos e não jogam no Brasil há anos. E, numa análise mais profunda, será que essa não é a hora de colocar o futebol brasileiro como um todo em ordem? Estamos ficando ultrapassados em diversos sentidos.

Aliás, como disse um amigo que sempre praticou e gostou muito de vários esportes, esse é um momento de crise esportiva no Brasil e não apenas no futebol. Temos que rever tudo isso. Aprender com os erros, crescer da queda. E se a Copa no Brasil já foi tudo isso, imagina só os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro? Temos que nos preparar, temos que crescer. E não estou falando apenas de infraestrutura e hospitalidade. Temos muito a melhorar.

Hoje, todo brasileiro está triste. E quem não está, desculpe-me, mas não é brasileiro por inteiro. Para mim, quem torce contra ou festeja a derrota do Brasil, é digno de pena, porque não tem no coração a emoção de compartilhar os mais incríveis sentimentos que uma Copa do Mundo pode proporcionar. Quando, um dia, essas pessoas tiverem amor à pátria, quem sabe, um dia, a pátria devolva o amor a elas.

cristo redentorMas futebol é futebol e, desculpem o trocadilho, bola pra frente. Desculpa contar, amigo, mas queimar bandeira não ganha Copa. E torcida que só sabe ser #brasileirocommuitoorgulhoemuitoamor quando o time tá ganhando, também não ganha Copa.

Essa derrota foi feia. Doeu pra cacete. Está doendo. E sinto informar, mas vai doer por pelo menos mais 4 anos. Nossa geração fez história, mesmo que do lado que não queríamos estar.

Mas nós recebemos a melhor Copa de todos os tempos e o mundo inteiro comprovou isso de pertinho. E daqui alguns anos, seremos piadas de nós mesmos. Vamos lembrar, com pesar, e contar para os nossos filhos e netos rindo e desejando que eles não vivam esse vexame mundial! Vamos lembrar desse triste episódio na mesa do bar com os amigos e nos almoços de família. No fim, vai passar. Como tudo no futebol e como tudo na vida. E convenhamos: perder a Copa COM internet é muito mais fácil, né? O jeito rir, minha gente…

david-luizAcho que de todo esse nosso sofrimento de torcedor derrotado, de Seleção humilhada, de país abatido; o que fica é o bom e velho aprendizado de que não se pode ganhar sempre. E saber perder é tão importante quanto vencer. Sinto muito por ser clichê no ataque de sinceridade, mas futebol é isso. Esporte é isso. A vida é isso. Amanhã é outro dia, vai doer menos. E um dia, não vai doer mais. Eu prometo a vocês.

Além do mais, a #Rússia2018 é logo ali. Então, não deixe esse amor acabar. Amor à camisa, ao futebol, à Seleção, à bandeira, aos jogadores, à nação…! Entenda que toda relação é de altos e baixos, de bons e maus momentos. Aprenda a amar na adversidade, aprenda a respeitar e, acima de tudo, a não virar as costas. O amor verdadeiro não abandona. O amor verdadeiro é fiel, mesmo quando sofre. O amor verdadeiro é intransitivo. Por isso, apenas amem. E fim.

Ah!! Para quem já se despediu da Copa, azar o de vocês porque #tatendomuitacopa e eu ainda vou ver três grandes jogos até domingo! E quer saber? #VaiBrasil

Talita Camargo, 28 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!

 

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