Não me leve a mal, mas e daí que é Carnaval?

fev 26

Não me leve a mal, mas e daí que é Carnaval?

Eu adoro Carnaval e toda essa brasilidade que a data traz. Festa, feriado, bebedeira, alegria o dia inteiro. É quase um crime não se divertir nesses únicos cinco dias do ano em que tudo é permitido. Afinal, é Carnaval!

Mas nem todos os anos estou afim de curtir essa zona: dormir pouco, beber demais, cair na folia, gastar uma grana, fazer xixi em banheiro público, fazer bobagem e ter a ressaca moral, ficar horas no trânsito das estradas paradas ou no caos aéreo… Não, definitivamente, 2014 é meu ano do não-Carnaval.

Sei que, para muitos que estão lendo este texto, ainda estamos no terceiro parágrafo e já estou sendo julgada. Tudo bem, quem não gosta de julgar o próximo, não é mesmo? O que importa é que, este ano resolvi me dar uma experiência nova, arrumar as malas e ir para longe da folia. Já fiz isso no Reveillon e, embora sinta falta dessa energia positiva brasileira, estou certa de que, ficar por aqui, vai me deixar mais depressiva do que animada, justamente porque ser feliz no Carnaval é quase uma obrigação moral de todo bom brasileiro.

Minhas opções poderiam ser ir para o Rio de Janeiro e me juntar com 95% da população de São Paulo, incluindo aqueles que não faço questão alguma de encontrar na vida. Poderia, também, ir para Salvador e curtir a energia do axé baiano, mas ficaria pobre porque a brincadeira tá custando mais de R$ 10.000,00 e vai ter gente demais daqui por lá e, vamos ser sinceros: não preciso gastar todo esse dinheiro para sair beijando na boca de quem não vale nem um centavo.

Sem contar que, graças a Deus, vivi muito bem esses 28 anos e já fui para esses lugares e tantos outros que as amigas recém-solteiras querem me arrastar: Carnavotu(poranga): já fui.  Diamantina, no interior de Minas: já fui. Carnaval de rua no interior de SP: já fui. Carnavio, num cruzeiro: já fui. A zona do litoral de SP: já fui. Já fui, já fui e já fui.

Para alguns desses lugares, quem sabe um dia eu até volte. E, de todos, as lembranças são as melhores. De vários, fiz amigos, voltei apaixonada e fui muito feliz. Mas eram outras épocas, eram outros carnavais.

carnaval2014-3De uma maneira geral, pulo Carnaval um ano, e pulo a festa no outro. E, este ano, tô pulando fora mesmo. Simplesmente não quero. E isso não significa que esteja infeliz, que não curei a dor de amor, ou que minha vida acabar. Significa, apenas, que não tô afim.

Isso não me faz ter inveja de quem vai cair na folia e rasgar a fantasia. Vai lá! Vai curtir essa  época do ano por você e por mim. vai dançar até o chão, beijar na boca e fazer muito sexo (com camisinha, é claro!). Vai ser feliz. Porque um dia você também vai querer se dar férias de Carnaval. E tá tudo bem.

Afinal, se tem uma vantagem de se viver no Brasil, é que todo ano tem Carnaval. E, se tudo der errado pra mim, em 2014, ainda tem a Copa.

Atualização de última hora

Como ninguém é de ferro, contagiada por todas as fotos e posts no meu feed do Instagram e Facebook, acabei caindo na foila no último domingo. Dentre os vários blocos de rua de São Paulo, me rendi ao Cordão Carnavalesco Confraria do Pasmado, que já virou tradicional entre o público alternativo e não-coxinha da capital paulista.

O cheiro doce de lança no ar guiava a multidão pelas ladeiras da Vila Madalena e, entre confetes e serpentinas, encontrei um monte de amigos, bebi, dancei e apaixonei. Diversas vezes, aliás. ÔÔÔ gente bonita!!! (Sério: onde essas pessoas se escondem nos dias comuns, quando não estão fantasiados de Carnaval? Preciso descobrir!)

Foi uma delícia curtir esse gostinho de Carnaval. E, para mim, foi mais do que suficiente. Afinal, na hora de usar o banheiro, gastar uma grana a cada latinha de breja e tomar banhos de vodka alheia… É, definitivamente, esse ano não estou no clima de Carnaval. Essa foi minha cota. Mas muito bem gasta!

carnaval

Eu, no Cordão Carnavalesco da Confraria do Pasmado, tradicional bloco de rua da Vila Madalena: minha única cota de Carnaval em 2014

Talita Camargo, 28 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!

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