No avião

out 06

No avião

contei aqui que gosto muito de viajar. E, grande parte dessas viagens, depende desse incrível meio de transporte chamado avião.

Nunca tive medo de andar de avião (aliás, nunca entendi muito bem esse termo ‘andar de avião’. Como é que se anda no ar?). Não sei se é porque estou acostumada a fazer isso desde pequena, ou se é porque meus pais me criaram para não ter medo de enfrentar o mundo. Talvez um pouco de cada. Mas o fato é que não entro em pânico, não me desespero, não me sinto mal, não tomo remédios para apagar durante o voo, não tenho chiliques.

Mas também não sou a maior entusiasta. Acho chato, apertado, incômodo. Fora a burocracia de check in, filas, peso de bagagens etc etc etc. Não tenho grandes empolgações, não fico super animada… E, apesar de adorar o clima de aeroporto, os dias de viagens são dias mortos, porque é preciso chegar cada vez mais cedo, com horas e horas antes do embarque, para não correr o risco de perder o voo.

Para mim, viajar de avião é apenas um meio de se chegar onde eu desejo. É uma espécie de mal necessário.

Mas confesso que tenho minhas superstições: sempre piso na aeronave com o pé direito, e na hora da decolagem e do pouso, sempre cravo os dois pés no chão e rezo um Pai Nosso. Além disso, faço o trajeto todo com cinto de segurança, independente do aviso de ‘apertar os cintos’.

Detesto turbulências (alguém gosta?) não só porque a ideia de que algo pode estar errado e um acidente pode acontecer, mas porque corro o risco de me sentir mal, com tonturas e náuseas.

Uma vez, quase chegando em Nova York, resolvi usar o toalete, logo após servirem o café da manhã. Quando estava escovando os dentes, o avião entrou numa rápida turbulência e senti ele descer bruscamente. Eu voei longe na minúscula cabine do banheiro. Bati cabeça, fiquei com hematomas no braço e quase devolvi o desjejum. Não foi nada agradável.

Também me irrito toda vez que viajo com as infinitas informações dadas pelo comandante e pela movimentação dos comissários: depois de toda excitação do embarque, muito se engana quem acha que poderá sentar, relaxar e dormir. Não, não. E o vídeo do ‘Porta dos Fundos’ logo abaixo ilustra bem a sensação de desespero de não se ter paz. Porque quando todas as informações acabam, começa o serviço de bordo. E aí já se passaram mais de duas horas e você ainda não conseguiu dormir.

No geral, fico quieta na minha poltrona. Aliás, escrevi este post a caminho de Roma. Costumo não incomodar os outros passageiros e detesto ser incomodada. Mas é aí que surge o mais curioso: os passageiros.

Avião é como outro qualquer outro lugar de convivência social: existem as regras, que devem ser obrigatoriamente cumpridas; e existe o bom senso, que como está em falta no mercado da humanidade, agradecemos os comissários de bordo por enfiar goela abaixo a dose necessária em quem não tem.

Por exemplo. Na hora de decolar e pousar, não é permitido usar aparelhos eletrônicos (mesmo que no modo avião) e o encosto da poltrona deve ficar na posição vertical. Simples, né? Até porque, é um processo ridiculamente rápido. Mas todas as vezes que pego um voo, vejo a santa aeromoça pedindo gentilmente que um passageiro desligue seu tablet ou retorne seu encosto.

Outro momento que me dá vontade de gritar com o coleguinha passageiro da frente é o da refeição. Tudo bem que ninguém aprecia comida de avião. São ruins, mas comer é preciso, nem que for o pãozinho com manteiga. E não existe nenhuma regra sobre a posição do encosto neste momento, mas queridos, se a mesa de suporte fica na parte traseira do encosto do banco da frente, que tal usar a colaboração coletiva do bom senso para convivência em sociedade e deixar a droga do encosto na posição vertical? Claro que não, né? Lá vem a santa aeromoça pedir, novamente, que o seromano sem bom educação arrume o encosto.

aviao04Filas de embarque são outra coisa que me intrigam. Faz anos que os passageiros são chamados para o embarque por ordem decrescente de fileiras. Ou seja, se a sua poltrona é 10A, por exemplo, e estão anunciando o embarque dos passageiros das fileiras 30 a 40, você só não vai poder embarcar, como vai atrapalhar o processo de embarque geral. Ou seja: você está sendo um grande imbecil.

Se eu puder escolher, prefiro sempre viajar nas poltronas dos corredores. Não gosto de janelinha (até porque faço questão de deixá-la fechada) e tenho 1,75m de altura: esticar as pernas de vez em quando é bom! Outra escolha que, quando possível sempre faço, é viajar durante a noite. Além de achar mais proveitoso no sentido da viagem em, voos diurnos são muito agitados porque poucas pessoas – incluindo eu – conseguem dormir com facilidade e por muitas horas, ao contrários do noturno. Daí vira uma balada, né? Janelas abertas com o sol irradiando a cara dos outros, que mal conseguem ver a tela minúscula da televisão. Conversas em voz alta como se todo avião tivesse interessado na vida pessoal de alguém. E, principalmente, o voo parece demorar o dobro de tempo.

aviao03E antes que alguém me critique achando que me sinto ‘gente diferenciada’ porque certamente deve haver milhares de pessoas que estão viajando pela primeira vez de avião… Bom, todo mundo tem sua primeira vez em tudo. E, no caso do avião, é só ouvir as instruções, que são bastante claras e até cansativas de tanto que repetidas. E se por ventura não forem no seu idioma, há desenhos, ilustrações, além da percepção do comportamento coletivo: se todo mundo coloca o encosto na posição vertical em um mesmo momento, por que motivo alguém faria o contrário?

Viajar é a melhor coisa do mundo. E defendo que todo mundo – todo mundo mesmo – deveria ter essa oportunidade na vida. Mas não é porque você está usando um meio de transporte aéreo que deve deixar o senso de viver em comunidade no solo. É preciso sempre ter respeito, bom senso e colaboração. Quanto melhores humanos formos, mais agradável será a viagem. E a vida.

 

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Talita Camargo, 29 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!

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