O que eu nunca mais serei

nov 28

O que eu nunca mais serei

É desafiador falar sobre aquilo que nunca (mais) serei, uma vez que minha bola de cristal está sem bateria. No entanto, algumas coisas óbvias eu posso dizer com certeza que não serei mais nessa vida: malabarista do Cirque du Soleil, engolidora de espada em chamas, parteira, garota de programa (espero, né), alta, egoísta, triatleta, morena jambo, e por aí afora.

Menos desafiador, porém mais desanimador, é falar das coisas que não mais serei porque falhei  – em algum momento – em ir atrás delas. Uma é a de ser repórter de televisão, principalmente em zonas de conflito.  Sempre foi meu sonho. Mas sonho não é realidade e eu acordei num momento decisivo para a minha carreira: o de desistir.

Lembro que logo que me alfabetizei, já gostava de escrever histórias heroicas, de inventar personagens em conflitos com finais felizes. Logo depois veio a obsessão por gravar entrevistas em áudio (k7) com familiares e na sequência a TV…aii iii como eu amava (amo). No meu aniversário de 8 anos, ganhei de presente uma filmagem da festinha, com o diferencial de que podia ser a repórter.  Me realizei!  Fiz piadinhas com os convidados, falei coisas sérias para outros e fiz perguntas, muitas perguntas.  Pena que a gravação foi por água abaixo anos depois (literalmente, pois a casa em que moro sofreu uma enchente e adeus).  Bom, depois de testar texto, áudio e vídeo, aos 8 anos confirmei minha vocação: jornalista.

Nove anos depois eu já estava cursando a sonhada faculdade. Lembro que meu vô dizia “A Didica ainda vai trabalhar na Globo”. Realmente quase trabalhei lá, mas como assessora de imprensa. Fato é que na universidade conheci pessoas incríveis que me deixaram estagiar na TV e durante 3 anos fui a repórter mais feliz do mundo e ainda ganhei bolsa de estudos.  Meu sonho era correr o mundo para mostrar as injustiças e a realidade, principalmente das mulheres, em ambientes de guerra. Nunca fui atrás disso.

tenho em mim todos os sonhos do mundoLogo que me formei, percebi (na verdade sempre soube) que seria impossível competir com a Patrícia Poeta, pois eu tenho paralisia facial. Então, fui para a área de assessoria de imprensa e também me realizei em muitos momentos, principalmente ao trabalhar com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Hoje sou social media de uma grande entidade e também me sinto realizada.

Acho que tudo é uma questão de enxergar o mesmo sonho com olhos diferentes. Nem sempre seremos o que queremos, mas podemos traçar caminhos paralelos para chegar no mesmo destino.  Quem sabe esse blog não é uma dessas estradas alternativas?

Hoje, meu receio é que uma das coisas que eu não venha a ser é MÃE (por ‘n’ motivos: grana, profissão, medo).  Mas isso eu deixo para escrever daqui uns anos.

Adriana Santos, 34 anos É jornalista de formação, fofoqueira de coração. Leonina, é orgulhosa e cheia de clichês óbvios. Em geral, se acha estranha e muito confusa. Mas quem não é?
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4 comments

  1. Vanessa /

    Amiga te amo !!!!!!! Vai escrever bonito assim !!!!!!

  2. ROSELI......amore /

    Amore…a vida é um eterno desafio.
    No momento não consigo colocar palavras sobre seus sonhos não realizados..só sei de uma coisa..TE AMO.
    Perdão….

  3. Muito bom! Muito Dri! 🙂

  4. Anne /

    Vc sempre será a Dri SENSACIONAL, desse jeitinho, sorry!

    🙂 <3

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