O Uruguai está mordido  

jun 27

O Uruguai está mordido   

O atacante Uruguaio, Luis Suárez, foi de herói, passou por vilão e agora é vítima em apenas uma semana. Que Copa, amigos, que Copa!

Luisito, como é carinhosamente conhecido, quase ficou fora do Mundial. Recém recuperado de uma cirurgia realizada apenas dois meses antes da competição, o atacante que joga no Liverpool, recuperou-se de forma surpreendente e marcou dois gols históricos no jogo contra a Inglaterra, dando confiança à equipe.

Enquanto o Brasil inteiro se esquecia do ‘Fantasma de 1950’ (quando fomos eliminados pelo Uruguai na final da Copa, no Estádio do Maracanã) e torcia para que o time sul-americano se classificasse, algumas pessoas – aqueles que geralmente são conhecidos como os ‘do contra’ – começaram a lembrar o histórico do mau-caratismo do jogador uruguaio, que foi acusado de ter proferido palavras racistas, logo após ter chutado o jogador francês Patrice Evra, do Manchester United, no clássico contra o Liverpool, em 15 de outubro de 2011.

O resultado disso foram oito jogos de suspensão e uma multa de 40 mil libras (R$ 115, 8 mil). Dá para ler e entender mais a fundo a história clicando aqui. Mas, ainda assim, Suárez foi um verdadeiro herói e exemplo de superação durante o jogo contra a Inglaterra no último dia 19/06.  Não só a torcida Celeste, mas os torcedores e imprensa brasileiros e mundial o idolatraram ao término da partida contra a equipe inglesa, na qual marcou dois gols.

mordidasuarezMas não tardou para que Luisito mostrasse sua outra face. No jogo seguinte, contra a Itália (24/06), em Natal, que valia a classificação para as oitavas de final da Copa, o atacante uruguaio mordeu o zagueiro italiano Chiellini no ombro. O Uruguai venceu por 1 a 0, com gol marcado logo após este incidente, garantiu a classificação para a próxima fase e Suárez passou ileso aos olhos do juiz. Mas em tempos de Copa no Brasil, com tecnologias avançadas e campanhas de ‘fair play’ gritando aos ouvidos mundo, a não-punição do atacante teve os dias contados.

Com ajuda das imagens de televisão que provaram o ocorrido, Luis Suárez teve punição definida pela Fifa na quinta-feira (26/06) e acabou sendo suspenso de nove jogos oficiais, banido de qualquer atividade relacionada ao futebol pelos próximos quatro meses, não podendo sequer entrar em estádios, o que interfere em seu trabalho no Liverpool, e ainda recebeu multa de 100 mil francos suíços — cerca de US$ 110 mil.

Fora isso, a Adidas, um dos patrocinadores do atacante, suspendeu as atividades publicitárias com Suárez durante o Mundial. (Olha, pra mim, essa foi a mais doída!)

Por causa da punição, Suárez está impedido de entrar nos estádios da Copa e não pode ir nem mesmo na concentração do Uruguai. Ele teve, inclusive, a sua credencial confiscada pela Fifa, depois que a entidade anunciou a punição e já está de volta ao Uruguai.

Se por um lado há críticas de exageros em relação à punição, é sempre bom lembrar que foi a TERCEIRA vez que Suárez mordeu um adversário durante uma partida. Em 2010, quando jogava pelo Ajax, da Holanda, foi suspenso por sete partidas por morder o holandês Otman Bakkal, do PSV. O gesto rendeu a ele o apelido de “Canibal do Ajax”. Na Inglaterra, já no Liverpool, ele recebeu uma suspensão de dez partidas por morder o sérvio Branislav Ivanovic, do Chelsea, em 2013.

E se a mordida de Suárez causou uma revolta coletiva, sua punição, por outro lado, causou espanto e indignação de muita gente, incluindo outros jogadores (até mesmo Chiellini, a vítima da mordida). E de vilão da Copa, Luisito foi elevado ao patamar de pobre coitado que foi humilhado pela Fifa. Mas em algum momento era necessário impedir que ele continuasse mordendo ou agredindo de forma verbal e/ou física outros jogadores.

As pessoas precisam entender, de uma vez por todas, que toda ação gera uma reação. A reação da Fifa contra a ação de Suárez foi pesada. E, na minha opinião, tardia. Ele deveria ter sido punido antes de chegar ao extremo da terceira reincidência. Mas, como diz o ditado, a justiça tarda, mas não falha. E antes tarde do que nunca, certo? Afinal, em pleno 2014 ter que ouvir que um dos principais jogadores de futebol do mundo tem um histórico de MORDER adversários, é uma piada pronta. A ideia é tão ridícula quanto a situação absurda.

Como é que saímos postando fotos de bananas em prol da luta contra o preconceito encabeçada por Daniel Alves e Neymar, mas aplaudimos de pé Luis Suárez e ainda criticamos o quão cruel foi a punição sobre ele? Precisamos escolher um lado aqui, por mais difícil que pareça. E, com todo respeito às habilidades futebolísticas do atacante, cruel foi ele ter agredido fisicamente outro jogador durante um jogo de Copa do Mundo. Cruel foi ele ter mordido um jogador em capo pela TERCEIRA vez. Cruel foi ele ter pronunciado palavras de racismo contra um jogador negro. Cruel foi ele não ter sido devidamente punido anteriormente. Cruel foi ele ter feito tudo isso que esse vídeo aqui mostra:

A Fifa não é santa e todo mundo entende que ela está se utilizando deste episódio para se pintar de justa e politicamente correta, a fim de deixar de lado a imagem de entidade corrupta. Mas a Fifa não é culpada pelos erros de Luis Suárez e de ninguém que não sabe ter limites.

Esporte não é apenas sobre competir, vencer ou perder. Esporte é, acima de tudo, sobre respeito. E no maior evento futebolístico do mundo, justo na edição que tem sido considerada como a melhor de todos os tempos… Bom, não há espaço para atitudes como as de Suárez, porque não há espaço para incentivo ao preconceito, à baixaria e às injustiças, simples assim.

Luis Suárez não é herói, nem vilão e muito menos vítima. Ele só é alguém que, como muitos outros por aí, não estão acostumados a lidar com as consequências de seus atos e se acomodaram à impunidade. Até que são obrigados a encarar as responsabilidades. E daí as coisas não parecem mais tão legais como antes.

A ele, só posso dizer uma coisa: a vida ensina. E, sinceramente, espero que ele aprenda. O futebol agradece e a humanidade também.

ação

 

Talita Camargo, 28 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!
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One comment

  1. Fernanda Barreira /

    É exatamente o que eu penso. As pessoas não podem esquecer que todo ato tem uma consequência. Pode ser considerada dura demais, mas serve como exemplo. Não dá pra aceitar uma atitude dessas, principalmente quando ela acontece pela terceira vez. Uma pena um jogador de talento ficar fora da Copa do Mundo. Mas, antes de profissional, é preciso que ele aja como ser humano. E, nesse quesito, ele tem falhado com bastante frequência. Parabéns, Tali!

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  1. Todos somos Neymar - Sem Critérios | Sem Critérios - […] por mais que não compare Zúñiga a Luis Suárez do Uruguai, até pelo histórico preocupante deste último em campo;…

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