O vai e vem das amizades

set 26

O vai e vem das amizades

Outro dia estava conversando sobre os amigos que vêm e vão da nossa vida. Isso é uma coisa que sempre me intriga. Durante um tempo eles são as pessoas mais importantes do mundo. As primeiras a saberem sobre tudo que acontece com a gente, as convidadas VIPs de todos nossos eventos, aquelas com quem temos mais intimidade, com quem rimos e choramos com mais frequência. Criamos piadas internas, nos entendemos só com um olhar, gostamos das mesmas pessoas, odiamos os mesmos idiotas…

De repente, por alguma ação do destino, seja o fim do colégio, faculdade ou pós; mudança de emprego; uma viagem; um princípio ou término de namoro; quem sabe até uma discussão boba, aquela pessoa deixa de ser parte integrante do seu dia a dia e, consequentemente, perde o status de onipresença, onisciência e onipotência que ela e Deus exerciam na sua vida.

Isso é tão esquisito, mas, ao mesmo tempo, tão comum que me ouso a dizer aqui que desconheço uma pessoa sequer que não tenha passado por uma situação semelhante. Aquele seu amigo não perde a importância. Você não deixa de sentir carinho ou saudade dele. No entanto, ele fica ali, guardadinho na memória, com as boas lembranças, e apenas isso.

cartas_de_amizadeTem certas pessoas (como eu talvez, quem sabe?) que sentem uma certa dificuldade, ou têm preguiça mesmo, de procurar os outros, o famoso ir atrás. Mesmo que você já saiba que o retorno e a recepção serão os melhores possíveis, existe algo que te diz: ah, deixa pra lá. E é isso que você faz. Vai deixando pra lá até que toda aquela intimidade que existia antes seja repassada para outra pessoa.

Dizem que ninguém é insubstituível. Eu não concordo. Essa Fernanda aqui é única. Agora, o papel que eu tenho na vida de alguém, esse sim pode e será ocupado por outra pessoa dependendo da importância que eu der a essa amizade. E convenhamos que faz sentido né?

Mas, eu fico me perguntando, quantas amizades verdadeiras e especiais a gente não deixa pra trás por coisas tão bobas? Quantas risadas, viagens, conversas poderiam ser compartilhadas se a gente evitasse deixar pra lá na hora de procurar um antigo amigo? A gente não sabe o que está por vir na nossa vida e quem irá cruzar nosso caminho, mas uma coisa é certa, podemos escolher quem queremos que fique por aqui, não só na memória, mas presente na nossa vida.

Fernanda Barreira, 28 anos, é jornalista, paulistana da gema, solteira e corintiana roxa. É conhecida por ser do contra e intolerante, mas promete respirar 327 vezes antes de escrever algo que de algum modo incomode alguém… ou não. É pagar pra ver!

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