Não parece, mas também sinto medo

out 13

Não parece, mas também sinto medo

Meus pais me criaram para enfrentar o mundo de frente e de cabeça erguida. E acredito que eles fizeram um bom trabalho. Acho engraçado quando alguma amiga diz que tem pavor de viajar de avião; ou de dirigir na estrada e à noite; ou que não vai ao cinema e viaja sozinha; ou que não fica na própria casa se não tiver companhia… A vida inteira eu encarei todas essas coisas: faço o que precisa ser feito e o que desejo fazer.

Venho de uma família de muitas mulheres, todas elas grandes guerreiras e vencedoras. Então, no fundo, acho que aprendi que não há nada que não possa ser feito, desde que eu queira. E, especialmente, não há nada que um homem faça que eu não possa fazer.

Porém, isso tem um preço. Porque, muitas vezes, passo a imagem de que não preciso de ninguém e que eu mesma me basto. Estou solteira há muitos anos e tenho associado um fato ao outro.

Na verdade, aprendi a engolir os meus medos. Estou sempre pronta para enfrentar toda e qualquer situação, por mais dura que seja, e deixei que as pessoas se acostumassem com essa minha posição de mulher forte e dura na queda a tal ponto que acabei esquecendo de cuidar de mim e deixar florescer o meu lado afetivo.

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“Onde há medo, não há felicidade.” Seneca

Tenho muito orgulho da mulher que me tornei e acho que tenho amadurecido muito, especialmente no último ano. Mas sinto que preciso baixar a guarda para o amor entrar na minha vida, porque não tenho medo de encarar o mundo, mas tenho tanto pavor de me envolver emocionalmente com alguém, que prefiro não arriscar. É o paradoxo da minha vida.

Outro dia, assistindo ‘How I Met Your Mother‘, me identifiquei muito com a Robin. O Ted diz a ela: “Você não se faz necessária.” Por mais que pareça cruel, é real. A Robin resolve tudo, paga a conta do jantar, não precisa que a busquem em casa para sair, não espera que abram a porta do carro, vive para o trabalho e acha que pode cuidar o tempo todo de tudo e todos. Mas esquece de se deixar ser cuidada pelos outros, sejam amigos ou amantes.

Sou dessas.

 

Se algum amigo próximo eu estiver lendo este post, pare, pense e responda nos comentários abaixo: quantas vezes vocês já me viram chorar? Pois é. Nem eu me lembro. Mas eu choro sim. E preciso de ajuda em diversas ocasiões. E desejo ter o carinho e o afeto daqueles que amo: quero saber abraçar mais, beijar mais, elogiar mais, ser mais carinhosa e menos dura.

Ao longo dos anos, eu acabei me tornando uma pessoa insegura para relacionamentos. No fim, afasto toda possibilidade de dar certo, sem nem começar; eu já acho que vou perder antes mesmo de ganhar. Meio maluco isso, eu sei.

Mas honestamente? Espero encontrar um amor verdadeiro, porque eu me viro bem sozinha, mas adoro dividir. E tenho aprendido, aos poucos, que compartilhar é multiplicar.

Quando cheguei em Roma, um amigo querido me escreveu: “Você também merece ser feliz”. E pela primeira vez em muitos anos, acho que ele tem razão.

 

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Talita Camargo, 29 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!

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