Saber agradecer

mar 24

Saber agradecer

Em novembro do ano passado, achava que minha vida estava tão ruim, mas tão ruim, que tudo o que eu fazia para melhorá-la era reclamar. Muito trabalho, excesso de compromissos na pós, namorado me largou, amiga (ou aquela que eu pensava ser amiga) pegou o ex, saúde mais pra lá do que pra cá…. E como boa pobre-menina-rica, fui curar os meu problemas tomando bons drinks no Caribe.

Fui para essa viagem porque era despedida de solteira de uma das minhas melhores amigas e, embora não estivesse em outro lugar se não ao lado dela neste momento, Cancun não teria sido minha primeira escolha para tirar uns dias off. Viu? Até sobre isso eu reclamei!

Não precisei de muitas horas para entender que nada acontece por acaso. No primeiro sábado nas terras caribenhas, depois de um longo dia de sol, piscina, música e margueritas (foi difícil, viu? #sqn), fomos para uma noitada só de garotas: TRÊS baladas na mesma noite. O calor era algo tão surreal, que não havia fixador de maquiagem para segurar o blush. O cabelo, então, melhor nem comentar. O suor escorria pelas costas. Cara, a gente suava na bunda! Mas nós não nos sentimos mal nem por um segundo: éramos apenas apenas mais nove em meio à multidão de turistas dançando e curtido a noite inteira. E na real, quem é que precisa de make up num lugar onde as pessoas são bonitas e saudáveis porque são felizes e tomam sol?

Chegamos de volta ao hotel às 5h da manhã (acreditem, aos quase 30 e com nosso espírito de um-barzinho-um-violão isso é uma vitória!) e, sem nem ao menos tomar banho (me julguem!), capotei na cama e elegi o ar-condicionado como a oitava maravilha do mundo. Foi então que minha adorada roomie perguntou para que horas deveríamos programar o despertador, já que a excursão para mergulhar com os golfinhos sairia às 07h30. Xinguei, mentalmente, todas as linhagens de golfinhos. Todas. Quando o despertador tocou uma hora depois, pensei em simplesmente fazer o que faço em muitas das manhãs da minha vida: desligar, ignorar, virar para o lado e voltar a dormir. Mas então meu anjo da guarda (só pode ter sido ele) assoprou no meu ouvido que o passeio havia custado caro e, como não trato dinheiro com tanto desprezo assim, levantei.

Percebi neste momento, numa frestinha de cortina aberta, que o dia já estava raiando. Fui até a varanda e me deparei com uma das cenas mais bonitas de que tenho memória. O sol nascia por detrás do mar. Do mar do Caribe. Bem ali na minha frente. Sentei na cadeira e, involuntariamente, senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Pela segunda vez, em menos de três dias, me peguei chorando naquela viagem (a outra foi no episódio das tartarugas, que já contei por aqui).

Chorei de emoção, sozinha, assistindo aquele espetáculo da natureza. Senti que eu estava, finalmente, entrando em contato comigo mesma. Não demorou muito para que o dourado invadisse o mar e o dia raiasse numa bela manhã ensolarada, mas aquela pintura divina foi o tapa na cara que eu estava precisando para entender que, na maioria das vezes, a beleza da vida está no brilho da lua, na água do mar, na companhia dos amigos, no sorriso da criança aprendendo a nadar, no abraço dos pais ao voltar para casa. E que a gente só consegue enxergar quando nos propomos a ver o lado bom das coisas.

golfinhos-cancun

Golfinhos: uma das coisas mais legais da vida, mesmo com apenas uma hora de sono!!

O momento foi tão forte e especial, que nem passou pela minha cabeça fotografar (justo eu que registro tudo!). Ao comentar com as meninas sobre essa experiência que vivi, combinamos de repetir a dose juntas. E foi assim que nos despedimos, não só de Cancun, mas de uma semana que transformou as nossas vidas.

Chorei naquele momento e agradeci a Deus (sou católica) e a São Francisco de Assis (sou devota) pela oportunidade, por aquele momento que tanto me encheu de paz e que, de alguma maneira, devolveu a minha fé na vida, nas pessoas, na alegria. Depois disso, passei a agradecer vários outros momentos: os golfinhos que amaldiçoei horas antes, as tartarugas, o bronzeado, o calor que já nem era mais tão insuportável, as noites bem dormidas, os tacos de camarão e os ceviches de lula e polvo, a lua cheia que deixava o mar num prateado tão espelhado que era hipnotizante.

Mas aprendi a agradecer muitas coisas não só na viagem paradisíaca. Afinal, trabalho na profissão que escolhi, numa boa empresa, com ótimos profissionais. Tenho uma família incrível, com amigos especiais e oportunidades únicas. Depois desse episódio, percebi que até os meus domingos de ócio em casa são momentos tão raros, que sorrio a cada minuto deles.

Muitos vão dizer que é fácil ser feliz em Cancun. Ou com uma vida de burguesinha. Talvez seja verdade. Mas prefiro acreditar que comigo a experiência foi um pouco diferente. Para mim, isso tudo mostrou que o sol nasce, não só para todo mundo, mas todos os dias; mesmo quando nublados e chuvosos.

E daí entendi que, na verdade, é fácil ser feliz. E ponto.

nascer do sol-cancun

Nascer do sol em Cancun para nos lembrar que todo dia podemos começar de novo.

Talita Camargo, 28 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!
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4 comments

  1. Adriana /

    O sol nasce todos os dias, sim. Mas só os que gostam da luz conseguem enxergar isso. Você é uma das que consegue <3

    • Talita Camargo /

      Tenho certeza de que só consigo porque tenho pessoas especiais ao meu lado, dando a força necessária para acreditar! <3

  2. Anne /

    Me identifiquei super com esse texto: tive essa mesma sensação, em novembro passado, em mar caribenho…foi surreal.

    Ontem ouvi uma frase no Revenge que dizia: A vida é um lindo nascer do sol!

    Acho que não preciso dizer mais nada, neh?

    • Talita Camargo /

      Anne, lembrei mto de vc quando escrevi esse texto pq tivemos essa conversa logo que voltamos e fiquei muito feliz que vc tb tinha sentido isso!! <3

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  1. Comer, estudar, trabalhar - Sem Critérios | Sem Critérios - […] importante ressaltar que eu sou uma pessoa abençoada: amo minha profissão, sou extremamente grata pelo meu emprego que me traz muitas…

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