Tinder não é para mim, mas eu uso mesmo assim

dez 02

Tinder não é para mim, mas eu uso mesmo assim

Acho que eu era a única mulher solteira no mundo (ou pelo menos em São Paulo) que não usava o Tinder. Paquera virtual? Comigo não! Mas a pressão social e, para ser bem sincera, a falta de boas opções de paquera na vida real, me fizeram vencer o preconceito e aderir à micareta virtual. E foi então que se iniciou uma sucessão de erros.

Primeiro eu não sabia que ao arrastar o mocinho para o lado direita significava ‘curtir’ e acabei distribuindo coraçõezinhos gratuitos para um monte de caras que não tinham absolutamente nada a ver comigo.

Depois, passei algum (bom) tempo fazendo cara feia para aquele monte de gente estranha pipocando na minha tela e só então descobri – com ajuda dos universitários – que é possível fazer umas restrição de idade e… ufa! Porque muitos senhores de 50, 60 e muitos anos estavam surgindo sorridentes para mim e, embora não tenha nada contra quem tem relacionamentos com caras muito mais velhos, realmente não é esse o meu foco no momento. Bem como os gatinhos de 18, que são realmente bonitos, mas… Não dá, né? (Aliás, o que essa molecada faz no Tinder? Sério. Não existe mais a velha e boa balada para essa juventude?)

paquera virtual6Aí, então, resolvi dar uma chance ao destino (?) e escolher alguns gatinhos para dar ‘match’. E não demorou nem dez minutos para eu me arrepender. “Oi, de onde você é? O que você faz? Você tem namorado? Vamos sair?” – NÃO!? Como assim tenho namorado, amigo? Eu tô no T-I-N-D-E-R! O que estaria fazendo aqui, falando com você, se tivesse um namorado? Além do mais, como sair com um cara que troquei três palavras e que acha normal eu estar paquerando (gosto dessa palavra, me julguem!) mesmo que eu tenha um namorado? Affe! PREGUIÇA!

E os amigos reais que nos encontram no Tinder e vice-versa? Ahh quanto constrangimento quando alguém conhecido surge ali. Por mais ‘confidencial’ que a brincadeira seja, dá vontade de se esconder embaixo da mesa! Aliás, nada mais agradável (#sóquenão) do que seu colega de trabalho comentar que deu um coração no Tinder. Risinho amarelo e constrangimento para todos os lados.

Além do mais, é muito complexo decidir se devo dar meu telefone ou não, se é bacana passar meu Facebook para o mocinho ou não, e qual o rumo que essas conversas devem ter. Como disse uma grande amiga minha, a vida era muito mais fácil quando nosso único conflito era decidir apenas dar ou não dar. Sem mais.

paquera virtual7Por fim, percebo que a minha maior diversão é rir dos tipos que aparecem ali: tem cara casado, dá para acreditar? Tem os que colocam fotos com os filhos para parecerem bons moços; tem aqueles que usam o golpe do cachorro fofo na foto; e, para piorar o cenário, tem os bombados que tiram fotos em frente ao espelho da academia, de preferência sem camisa.

E, de repente,  vejo que o mais legal dessa brincadeira é clicar em cima do ‘X’ e não gostar de ninguém.

A parte boa é que faz um bem danado pro ego. Você descobre que existem homens (héteros, eu digo), solteiros, bonitos e que, vejam só: se interessam por você, seja lá qual for o motivo (mentira, sei sim. Só pode ser a beleza física, já que o aplicativo nada mais é do que uma vitrine humana. Mas tá valendo!)

Um amigo costuma dizer que eu construí um Muro de Berlim em volta de mim e que preciso quebrar as barreiras para me permitir conhecer novas pessoas. Ele, inclusive, abriu meu Tinder e deu vários ‘likes’, sem critérios, para ver se eu me animava.

Sim, ele tem razão: preciso quebrar barreiras e encontrar novos caminhos e não tenho dúvidas de que deve ter um monte de caras bacanas no Tinder e em todos os sites e apps de relacionamento. Mas não combina comigo forçar uma situação para me obrigar a encontrar um namorado.

Nada contra o Tinder, mas a brincadeira não é para mim. Não sei o que é para mim, aliás, mas acredito que descartar o que não é já ajuda bastante.

Quero encontrar meu ‘match’ da vida real. Quem não quer?

Mas verdade é que o mundo está cheio de pessoas legais. A gente só precisa olhar mais para as pessoas ao nosso redor e menos para as telas dos nossos smartphones.

paquera virtual5

Talita Camargo, 28 anos, é jornalista e está sempre conectada. Apaixonada por livros e cinema, vive para viajar o mundo e adora carboidratos. Libriana, sofre com o conflito da dúvida e busca o equilíbrio. Acredita no amor sincero e, para ela, pensamentos positivos atraem coisas positivas. Sempre!

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8 comments

  1. Marcos Oliveira /

    Cheguei ao site por acaso, e achei a sua história tão familiar que não resisti em comentar. hahahaha
    Abraço!

    • Talita Camargo /

      Oi Marcos! Hahaha! Fico feliz em saber que não sou a única, rs! 🙂

  2. Carolina /

    Talita,

    Me identifico muito, muito mesmo, com seus textos.

    • Talita Camargo /

      Oi Carolina!
      Fico MUITO feliz em ouvir isso. Não pq tragédias devem ser compartilhadas, haha,brincadeira; mas pq é bom saber que a gente não tá sozinha no mundo, sabe?
      Isso me faz pensar que devo escrever mais… 🙂

  3. Alpha Meteorite /

    Olá Talita, passeando e pesquisando pela WEB esbarrei nesse pequeno artigo seu. Como a WEB é um espaço democrático, resolvi deixar um ponto de vista sob minha ótica, e por saber também que muitas pessoas passarão por aqui, ficando assim para a posteridade.

    Tenho 38 anos, sou casado, já sou pai também… Imagine só…: Eu uso o Tinder!!! Sou Moreno Claro, 1.90m… Costumo dizer, que sou estilo Henry Cavill (dos filmes do Superman). Tenho Curso Superior, sou Concursado também em Nível Superior.

    O que tenho a dizer? Primeiramente, que as nuvens não são feitas de algodão. Todos os aspectos dos relacionamentos humanos são uma troca de interesses, infelizmente ou felizmente é assim que tudo funciona.

    Em segundo lugar gostaria de desmitificar alguns pontos. Quando era mais jovem, lá pelos meu 18, 20 anos, quando não tinha um corpo legal, um emprego decente, não conseguia uma garota sequer, exatamente porque as mulheres costumam agir como você se descreve no texto: Idealizam muito, e são muito criteriosas, procuram um cara com todas as características que esperam, sem se dar conta que elas mesmas muitas vezes não são nem de longe o melhor partido para alguém… A prova veio depois dos 35 anos…

    Me casei novo, aproveite uma oportunidade na época por falta de opções, e antes nunca tinha namorado, então, atualmente, senti falta de algumas “experiências”, “extras”… E para minha surpresa, o Tinder é uma maravilha! E nem mesmo preciso mentir sobre meu estado civil… Conheci mulheres muito interessantes, tanto de 20 anos como de 45 anos, que beijam divinamente bem, e também sabem fazer amor como ninguém. No entanto, mesmo com a falta de experiência, as garotas de 20 anos são as melhores: São mais jovens, mais alegres, ainda não criaram “esporas”, são mais sedosas, cheirosas… E pelo menos as que me relacionei são muito inteligentes. O problema que encontrei, não no Tinder, mas nas mulheres é o mesmo de sempre: Por mais liberal que as mulheres sejam, elas sempre querem algo profundo e duradouro… No fundo, a maioria não curte plenamente uma transa sem compromisso…: Sempre querem laçar o Cara!

    Quanto à beleza física, sim o Tinder é um “Cardápio”, sem dúvida nenhuma. A primeira coisa que a pessoa vai avaliar é a beleza física.

    Em tempos de “Amores Líquidos” o Tinder é um presente dos Deuses!

    Espero que se não encontrou seu Match na vida real, encontre logo. Mas saiba que a vida real, não difere muito da vida Virtual…

    Um Beijo para a Fernanda Barreira, ela é muito gata…

    E Viva a Tecnologia!!!

    • Talita Camargo /

      Oi!
      Bom, demorei um tanto pra responder pq o blog andava meio abandonado, mas estamos retomando hoje…
      A internet é democrática, por isso que seu comentário é sempre bem-vindo, mesmo que eu discorde de traições. Mas essa sou eu. Acredito que existam mulheres que não se importam e por mim, tá tudo bem.
      Eu que não sei lidar com isso, que não sei dividir relacionamentos amorosos. não sou madura para entender essas coisas.
      Mas acho que concordo com vc no aspecto de que muitas mulheres buscam relacionamentos duradouros e não apenas efêmeros.
      Eu pelo menos estou.
      Mas antes disso, existe o processo de conhecer. Paquerar. Beijar. Experimentar…
      E eu não consigo achar isso no Tinder ou em nenhum outro app.
      Mas sei que dá certo para muitas pessoas. E isso é maravilhoso!!!

  4. Fernanda Barreira /

    Excelente texto, Tali!

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